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Torcedores não se intimidam com frio e curtem jogo do Brasil em seis bairros de Cuiabá

A adolescente Verônica Vittoria contou que participar da decoração foi uma experiência especial para a comunidade.

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A temperatura de 14°C registrada em Cuiabá na noite desta quarta-feira (24), considerada atípica para uma cidade conhecida pelo calor intenso durante a maior parte do ano, não afastou os torcedores que participaram da campanha Minha Rua é Show de Bola. Nos seis pontos contemplados pela Prefeitura de Cuiabá, moradores se reuniram para acompanhar a partida entre Brasil e Escócia em telões instalados nos bairros, reforçando o espírito de comunidade e a tradição das ruas decoradas durante os jogos da Seleção Brasileira. O Brasil venceu a partida por 3 a 0.

A ação, idealizada pelo prefeito Abilio Brunini, transformou ruas da capital em verdadeiras arquibancadas a céu aberto, reunindo famílias, amigos e vizinhos para torcer pela Seleção Brasileira em um ambiente de confraternização e integração comunitária.

Os seis telões foram instalados na Rua Vila Mirante, no bairro Ribeirão do Lipa; Rua Lages, no CPA I; Rua 17, no bairro Santa Terezinha; Rua 15, no bairro João Bosco Pinheiro; Rua 44, no bairro São João Del Rey; e Rua Belo Horizonte, no bairro Alvorada. A estrutura contou ainda com tendas, cadeiras, distribuição de água e apoio operacional da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob).

Durante a transmissão da partida, o prefeito Abilio Brunini visitou algumas das ruas contempladas para acompanhar de perto a participação dos moradores e prestigiar o trabalho realizado pelas comunidades na decoração dos espaços. Nas visitas, conversou com os moradores, observou os detalhes das pinturas e reforçou a importância da iniciativa para o fortalecimento da convivência entre os bairros.

“Ver as ruas decoradas, as famílias reunidas e os vizinhos trabalhando juntos por um objetivo comum mostra que o futebol vai muito além das quatro linhas. O Minha Rua é Show de Bola resgata uma tradição bonita dos bairros e fortalece o sentimento de pertencimento e comunidade entre os moradores de Cuiabá. Fiz questão de visitar algumas dessas ruas para agradecer pessoalmente o empenho de todos que participaram dessa mobilização”, afirmou o prefeito.

Em visita ao bairro Ribeirão do Lipa, o prefeito também destacou a continuidade da ação nas próximas fases da competição. “Agora já sabemos o próximo jogo da fase, então vai ter sim. Serão novas ruas sorteadas e quatro telões, como é o padrão normalmente. É torcer para que não esteja frio nem chovendo, para que a população possa ir para a rua com tranquilidade. O objetivo é levar as pessoas ao espaço público, fortalecer o convívio e a vivência da comunidade”, pontuou.

Morador do bairro João Bosco Pinheiro, Emerson Germano destacou que a escolha da rua foi resultado do empenho coletivo dos moradores.

“Todo mundo ajudou de alguma forma. Teve gente que pintou, que arrecadou material, que organizou a rua e chamou os vizinhos para participar. Ver o telão montado hoje é uma recompensa para todo esse esforço coletivo.”

Em diversos bairros, os preparativos começaram semanas antes do início da competição. Mais de 12 moradores do Residencial João Bosco Pinheiro se mobilizaram para pintar as ruas, confeccionar bandeiras, desenhar jogadores e produzir decorações inspiradas na Seleção Brasileira. As ações tiveram início em meados de maio e seguiram até mesmo durante a madrugada, em sistema de revezamento entre os participantes.

A adolescente Verônica Vittoria contou que participar da decoração foi uma experiência especial para a comunidade.

“Foi muito legal participar. A gente pintou bandeiras, desenhou jogadores e deixou a rua toda no clima da Copa. Quando vimos que a nossa rua foi escolhida, foi uma alegria para todo mundo. Valeu cada dia que a gente passou ajudando na decoração.”

Esta foi a terceira transmissão realizada pela Prefeitura de Cuiabá por meio da campanha Minha Rua é Show de Bola.

No primeiro jogo da Seleção Brasileira, contra Marrocos, realizado no sábado (13), os telões foram instalados na Rua Ponta Grossa, no bairro CPA I, e na Rua Cáceres, no bairro Parque Amperco.

Já na partida entre Brasil e Haiti, realizada na sexta-feira (19), cinco telões foram disponibilizados à população. Os locais contemplados foram a Rua 17, no bairro Santa Terezinha; Rua 15, no bairro João Bosco Pinheiro; Rua 44, no bairro São João Del Rey; Rua Belo Horizonte, no bairro Alvorada; e a Praça Cultural do Parque Cuiabá, que recebeu uma estrutura especial voltada para a comunidade haitiana residente na capital.

Mais do que assistir a um jogo de futebol, os moradores revivem uma tradição que marcou gerações. As ruas decoradas, os encontros ao ar livre e a convivência entre famílias despertam um sentimento de nostalgia que há muito tempo não era visto com tanta intensidade nos bairros da capital.

Para Rogério Miranda, a iniciativa também contribuiu para aproximar os moradores e resgatar uma tradição dos bairros. “Além do futebol, a campanha uniu as famílias e fortaleceu a amizade entre os vizinhos. A gente também agradece à Prefeitura por incentivar esse movimento e proporcionar esse momento de convivência para a comunidade”, pontuou.

O concurso Minha Rua é Show de Bola foi criado pela Prefeitura de Cuiabá para incentivar a participação popular e fortalecer os laços comunitários durante os jogos da Seleção Brasileira.

A ideia surgiu a partir da proposta de resgatar a tradição das ruas decoradas, tão comum em décadas anteriores, estimulando moradores a trabalharem juntos em prol de um objetivo comum.

Os moradores gravam vídeos mostrando a decoração da rua e enviam o material para os canais oficiais da Prefeitura de Cuiabá. Os vídeos são publicados nas redes sociais da administração municipal para votação popular. As ruas vencedoras são definidas com base na mobilização da comunidade e na interação obtida nas publicações, e recebem estrutura com telões, tendas, cadeiras, água e apoio logístico para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.

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Na política, nem toda crise destrói: como Flávio Bolsonaro pode usar o episódio a seu favor

Ana Barros, jornalista, com atuação em assessoria de imprensa e criadora da Coluna Pauta comentada

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Na política, crises internas costumam ser vistas como ameaças. Mas, do ponto de vista da comunicação estratégica, nem todo conflito representa uma perda. Em determinados momentos, uma situação de tensão pode se transformar em uma oportunidade de reposicionamento, fortalecimento de imagem e aproximação com segmentos específicos do eleitorado.

O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro mostra exatamente esse dilema. Para analistas de comunicação, a pergunta central não é apenas quem ganhou ou perdeu no confronto, mas como cada personagem consegue transformar a repercussão em narrativa política.

Para Flávio Bolsonaro, o episódio carrega riscos evidentes. Uma disputa pública dentro do próprio campo político pode transmitir sensação de divisão, gerar desconforto entre aliados e abrir espaço para adversários explorarem a ideia de falta de unidade dentro do grupo bolsonarista.

Por outro lado, a crise também pode oferecer ao senador uma oportunidade de comunicação. Em política, exposição é um elemento fundamental. Um nome que está sendo debatido, analisado e comentado permanece no centro da atenção pública. E atenção, principalmente em períodos de pré-campanha, é um dos principais recursos para qualquer político.

O ponto positivo para Flávio está justamente na possibilidade de construir uma imagem própria. Durante anos, sua trajetória política esteve diretamente associada ao sobrenome Bolsonaro e à figura do pai, Jair Bolsonaro. Um episódio de confronto interno pode permitir que ele mostre personalidade, capacidade de reação e autonomia diante de situações difíceis.

Do ponto de vista da assessoria de imprensa, o desafio é transformar uma crise de relacionamento em uma narrativa de liderança. A comunicação precisa evitar que o episódio seja interpretado apenas como uma briga familiar ou uma disputa de espaço, e trabalhar uma mensagem que apresente Flávio como alguém preparado para enfrentar pressões, tomar decisões e manter foco em objetivos maiores.

A fala usada por ele, ao defender que “o que importa é o jogo do Brasil”, por exemplo, pode ser explorada estrategicamente como uma tentativa de demonstrar foco em um projeto político mais amplo, deixando de lado questões pessoais. A narrativa possível seria a de um político que prefere olhar para o futuro e para uma missão coletiva, em vez de permanecer preso a conflitos internos.

Mas esse movimento exige cuidado. Na comunicação política, não basta responder ao fato; é necessário controlar o significado do fato. Se a opinião pública enxergar apenas uma disputa dentro da família Bolsonaro, o desgaste pode crescer. Porém, se a equipe de comunicação conseguir reposicionar o episódio como uma demonstração de maturidade, equilíbrio e independência, o impacto pode ser diferente.

Outro ponto importante é o comportamento do eleitor. Grupos políticos não são formados apenas por argumentos racionais. Existe identificação emocional, vínculo e percepção de autenticidade. Para uma parcela do eleitorado, uma reação firme pode ser interpretada como coragem e posicionamento, enquanto para outros pode representar divisão.

É justamente por isso que crises políticas precisam ser analisadas além da superfície. O episódio não é apenas sobre uma troca de declarações; é uma disputa por narrativa.

Para a assessoria de Flávio Bolsonaro, a estratégia mais inteligente seria evitar prolongar o conflito, reduzir o tom pessoal e direcionar a comunicação para temas que reforcem competência, preparo e capacidade de liderança. A política costuma punir quem parece preso ao passado, mas recompensa quem consegue apresentar uma visão de futuro.

O momento pode servir para Flávio consolidar uma imagem menos dependente da estrutura familiar e mais associada ao próprio posicionamento político. Em vez de tentar apagar a crise, a comunicação pode trabalhar para mostrar como ele reage diante dela.

A grande lição para profissionais de assessoria de imprensa é que nenhuma crise existe apenas pelo fato ocorrido. Ela existe pela interpretação que o público faz daquele acontecimento.

No ambiente político, quem controla a narrativa depois da crise muitas vezes consegue transformar um problema em oportunidade. E, nesse caso, o maior desafio de Flávio Bolsonaro não é vencer o embate público com Michelle, mas definir qual imagem ele quer deixar após esse episódio: a de alguém envolvido em uma disputa interna ou a de um político capaz de atravessar conflitos e seguir construindo seu próprio caminho.

 

 

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Fazenda avaliada em R$ 350 milhões está no centro de nova ofensiva contra magistrados de MT

A denúncia sustenta que contratos e garantias envolvendo a fazenda teriam sido validados por meio de decisões que agora são questionadas pelos reclamantes, que alegam a existência de fraude e simulação de negócios jurídicos.

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Uma reclamação disciplinar protocolada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) colocou seis desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no centro de uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Eldorado, imóvel localizado em Barra do Garças e avaliado em mais de R$ 350 milhões.

A ação foi apresentada por empresários na última terça-feira (23) e aponta supostas violações funcionais, falta de imparcialidade e decisões judiciais que teriam favorecido grupos investigados pela Polícia Federal na Operação Sisamnes, que apura um esquema de venda de decisões judiciais.

Os magistrados citados na reclamação são Clarice Claudino da Silva, João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes Filho, Nilza Maria Pôssas de Carvalho, Serly Marcondes Alves e Sebastião Barbosa de Farias.

Segundo os autores da representação, a disputa tem origem em um contrato de compra e venda firmado em 2012, envolvendo a Fazenda Eldorado, pelo valor de R$ 67,5 milhões. Os vendedores alegam que o negócio foi rescindido ainda naquele ano devido ao inadimplemento dos compradores.

Apesar disso, conforme a petição encaminhada ao CNJ, decisões judiciais teriam mantido os compradores na posse da propriedade por mais de uma década, gerando uma série de disputas judiciais e questionamentos sobre a legalidade dos atos praticados no processo.

A denúncia sustenta que contratos e garantias envolvendo a fazenda teriam sido validados por meio de decisões que agora são questionadas pelos reclamantes, que alegam a existência de fraude e simulação de negócios jurídicos.

Ligação com a Operação Sisamnes

Os empresários afirmam que os fatos narrados guardam relação com investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da Operação Sisamnes.

Segundo informações constantes na representação, provas reunidas durante as investigações apontariam para uma suposta rede de influência destinada à obtenção de decisões judiciais favoráveis em tribunais estaduais e superiores.

A petição menciona ainda denúncias apresentadas pela PGR ao Supremo Tribunal Federal (STF), que tratam de movimentações financeiras suspeitas ligadas a processos envolvendo a Fazenda Eldorado.

Questionamentos a desembargadores

Entre os pontos levantados pelos empresários está a atuação da desembargadora Clarice Claudino da Silva. Os autores da ação afirmam que a magistrada teria participado de julgamentos relacionados ao caso após atuar em procedimentos administrativos envolvendo colegas da própria Corte.

Na avaliação dos reclamantes, a desembargadora deveria ter declarado suspeição para analisar processos relacionados à disputa da fazenda.

Os demais magistrados também são citados por supostas omissões processuais e decisões consideradas contraditórias pelos autores da representação.

Pedidos ao CNJ

Na reclamação disciplinar, os empresários pedem que o CNJ conceda uma medida liminar suspendendo atos relacionados à posse e à transferência da Fazenda Eldorado até a conclusão das investigações.

Além disso, solicitam a abertura de procedimento para apurar eventuais infrações disciplinares, a análise da validade das decisões questionadas e o encaminhamento das informações ao Ministério Público para apuração de possíveis ilícitos.

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Decisão superior faz advogado voltar a responder por estupro e homicídio torpe

Por determinação da ministra Maria Marluce Caldas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o advogado e servidor da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Cleber Figueiredo Lagreca, voltará a responder pelo crime de estupro no âmbito da ação penal.

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O processo que investiga a morte da empresária Elaine Stelatto Marques, ocorrida no final de 2023 no Lago do Manso, sofreu uma importante reviravolta jurídica. Por determinação da ministra Maria Marluce Caldas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o advogado e servidor da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Cleber Figueiredo Lagreca, voltará a responder pelo crime de estupro no âmbito da ação penal.

A acusação havia sido previamente desconsiderada por uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Com o novo entendimento da Corte Superior, o crime sexual foi reincorporado ao processo e a qualificadora de motivo torpe para o homicídio também foi restabelecida. Dessa forma, todos os elementos serão levados à análise do Tribunal do Júri.

Lagreca já estava pronunciado para enfrentar o julgamento popular por crimes graves, que incluem feminicídio, homicídio qualificado por asfixia, utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e fraude processual. Recentemente, o magistrado Leonísio Salles de Abreu Júnior, da 1ª Vara de Chapada dos Guimarães, negou um pedido de liberdade provisória impetrado pela defesa, mantendo o servidor sob prisão preventiva.

O crime e as investigações A tragédia aconteceu em 19 de outubro de 2023, durante um passeio náutico no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães. Inicialmente, o acusado alegou que a empresária de 45 anos teria se afogado acidentalmente após cair na água e se enroscar em uma corda.

Contudo, o trabalho investigativo desmantelou a versão do réu. Exames periciais e uma reconstituição do ocorrido comprovaram que a causa do óbito foi asfixia, e não afogamento. A Promotoria aponta que o advogado tentou modificar a cena do crime para despistar as autoridades.

Após ter o mandado de prisão expedido, Cleber permaneceu foragido por cerca de um ano, sendo capturado em setembro de 2024 em um estabelecimento hoteleiro na capital mato-grossense. A data para a realização do júri popular ainda não foi estipulada.

Canais de Apoio e Denúncia O enfrentamento à violência contra a mulher conta com redes de apoio essenciais. Denúncias anônimas podem ser registradas de forma virtual pela Delegacia Digital de Mato Grosso. Para situações emergenciais, estão disponíveis os números 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil) e o 180 (Central de Atendimento à Mulher). Desde a implementação da Lei Federal nº 14.994/2024, as punições para delitos associados ao feminicídio foram endurecidas, podendo atingir até 40 anos de reclusão.

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