Uma jovem de 23 anos e o filho dela, um bebê de apenas quatro meses, foram mortos a facadas nesta quinta-feira (17), em uma propriedade rural de São Félix do Araguaia, em Mato Grosso. O marido da vítima e pai da criança, Jailton Gonçalves Coelho, de 29 anos, foi apontado no registro da ocorrência como principal suspeito e acabou preso pela Polícia Militar. Ele nega a autoria dos crimes.
A Polícia Militar foi acionada após receber uma denúncia sobre um possível feminicídio na propriedade rural. Conforme registrado no boletim de ocorrência, o irmão de Taymilla Reis da Silva teria chegado ao local e presenciado o cunhado desferindo golpes de faca contra a jovem. O bebê também estava na propriedade.
Enquanto as equipes policiais se deslocavam para a fazenda, uma nova informação foi repassada às autoridades: o suspeito também teria atingido o próprio filho, de quatro meses, com golpes de faca.
Policiais militares e profissionais de saúde foram mobilizados para atender a ocorrência. Quando chegaram à propriedade, encontraram Taymilla e o bebê já sem vida, próximos à entrada da fazenda, às margens de uma estrada vicinal.
Um médico plantonista esteve no local e confirmou os dois óbitos.
Suspeito foi encontrado dormindo
Após a confirmação das mortes, os policiais iniciaram buscas pelo homem apontado como suspeito. Jailton foi localizado dormindo em uma das casas existentes na propriedade rural e recebeu voz de prisão.
Durante a abordagem, os militares perceberam que ele apresentava um corte na cabeça. Questionado sobre o ferimento, o homem teria afirmado que havia sido atingido por uma “paulada” desferida pela esposa.
Segundo o boletim de ocorrência, Jailton negou ter matado a mulher e o filho. A versão apresentada por ele deverá ser confrontada com os depoimentos das testemunhas, exames periciais e demais elementos que serão reunidos durante a investigação.
Por causa do ferimento na cabeça, o suspeito foi encaminhado inicialmente ao Hospital Municipal de São Félix do Araguaia, onde recebeu atendimento médico. Depois, foi levado para a Delegacia da Polícia Civil e permaneceu à disposição da autoridade policial.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil ficará responsável por esclarecer a dinâmica das mortes, a motivação e a eventual participação do suspeito nos crimes.
A perícia deverá analisar a cena e os vestígios encontrados na propriedade, enquanto os investigadores devem ouvir testemunhas e familiares para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Embora o caso tenha sido inicialmente registrado como possível feminicídio, o enquadramento jurídico definitivo dependerá da investigação e das conclusões das autoridades responsáveis.
A morte da jovem e do bebê, em circunstâncias ainda sob investigação, causou forte repercussão em São Félix do Araguaia. O caso permanece em apuração e novas informações poderão ser divulgadas após a conclusão dos exames periciais e dos depoimentos.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.