Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, chamaram a atenção dos investigadores por trazerem uma afirmação atribuída ao próprio banqueiro sobre uma suposta garantia recebida de um integrante da Polícia Federal.
A conversa ocorreu em 26 de abril de 2024 entre Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro, parceiro comercial do banqueiro. Segundo informações divulgadas pela coluna da jornalista Malu Gaspar, do Globo, Vorcaro escreveu, em tom de brincadeira, que um “cara da PF” teria dito que ele poderia cometer qualquer crime sem preocupação com uma eventual prisão.
“Cara da PF já disse: pode cometer o crime que for kkkkk”, escreveu Vorcaro.
A mensagem foi acompanhada de emojis de risada e aparece em meio a uma conversa descontraída entre os dois empresários.
O conteúdo, porém, não permite identificar quem seria o integrante da Polícia Federal mencionado por Vorcaro. A existência da mensagem também não comprova, por si só, que algum agente da corporação tenha efetivamente feito a afirmação atribuída a ele.
Mensagem foi enviada durante evento em Londres
Naquele período, Vorcaro estava em Londres, onde participava do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo Banco Master.
De acordo com as informações obtidas pela investigação, o encontro reuniu autoridades brasileiras e representantes do meio jurídico e empresarial. Entre os participantes estavam o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
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Também participaram do evento ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além de integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em determinado momento, Vorcaro relatou a Carneiro o ambiente de uma confraternização realizada em um clube privado de Londres.
“Cara. Não acredita aqui agora. Charuto, petit comité. Agora fechou com chave de ouro. Todo mundo louco. Se eu te contar os papos. Pqp. (…) Cara, tá melhor que a terça-feira. Turma tá louca demais”, escreveu o banqueiro, segundo a reprodução das mensagens divulgada pela imprensa.
Na sequência, Carneiro respondeu em tom de brincadeira sobre uma possível reação das autoridades contra Vorcaro.
“Vão fazer uma lei contra você kkkkk. Lei da amarra. Vão mandar te amarrar”, escreveu o empresário.
Foi então que Vorcaro respondeu com a referência ao suposto “cara da PF”.
Identidade não foi esclarecida
Apesar de a conversa mencionar diretamente um integrante da Polícia Federal, não é possível afirmar, a partir da mensagem, quem seria a pessoa citada.
A presença de Andrei Rodrigues no evento foi registrada, mas isso não estabelece relação entre o diretor-geral da corporação e a declaração atribuída por Vorcaro ao “cara da PF”.
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A investigação também deverá considerar o contexto da conversa e outros elementos eventualmente encontrados nos dispositivos apreendidos para verificar a quem o banqueiro se referia.
Caso Banco Master chegou ao STF
As novas mensagens surgem em meio às investigações relacionadas ao Banco Master e às discussões no Supremo Tribunal Federal sobre fatos envolvendo autoridades e pessoas ligadas ao caso.
Na sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (15), o STF analisou uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes sobre a tramitação de procedimentos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
O placar ficou em 4 votos a 3 pela manutenção da tramitação separada dos casos. Votaram nesse sentido Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a unificação.
O ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise. Dias Toffoli declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo, enquanto Kassio Nunes Marques declarou-se impedido em razão de sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
A nova mensagem localizada no celular de Vorcaro acrescenta mais um elemento às investigações, mas a identificação do suposto agente citado pelo banqueiro e a eventual confirmação de que a declaração realmente foi feita por um integrante da PF dependem de outros elementos probatórios.
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