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A arte também sabe cuidar daquilo que ninguém consegue dizer

Vivemos em uma época em que muitas pessoas aprenderam a esconder o sofrimento para continuar funcionando.

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Elas se escondem no silêncio, na mudança repentina de comportamento, no isolamento, na falta de vontade de fazer aquilo que antes trazia prazer. Às vezes, aparecem no corpo. Outras vezes, simplesmente ocupam um espaço dentro de nós que nem sempre conseguimos explicar.

É nesse território, entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos dizer, que eu encontro a força da arteterapia

Ao longo da minha trajetória como terapeuta, aprendi que nem todo sofrimento começa com uma palavra. E, por isso mesmo, nem todo processo de cuidado precisa começar por uma conversa.

Pode começar por uma cor.

Por um desenho.

Por uma fotografia.

Por uma colagem.

Por uma folha em branco.

A arte oferece uma possibilidade preciosa: expressar o que ainda não conseguimos nomear.

Quando uma pessoa cria, ela não está simplesmente produzindo uma imagem. Ela pode estar organizando sentimentos, acessando memórias, dando forma a conflitos e encontrando uma maneira menos dolorosa de olhar para aquilo que carrega.

É claro que a arteterapia não substitui acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico quando é necessário. Ela pode caminhar ao lado desses cuidados, oferecendo um espaço de acolhimento, expressão e construção de novos significados.

E eu acredito que esse espaço pode fazer uma diferença enorme.

Vivemos em uma época em que muitas pessoas aprenderam a esconder o sofrimento para continuar funcionando.

É preciso trabalhar.

É preciso produzir.

É preciso sorrir.

É preciso responder “está tudo bem”.

Mas nem sempre está.

E quanto mais aprendemos a esconder aquilo que sentimos, mais difícil pode ser pedir ajuda.

Por isso, acredito que falar de saúde emocional também significa criar caminhos para que as pessoas consigam se expressar antes que a dor chegue a um limite.

A arte pode ser um desses caminhos.

Não porque um pincel seja capaz de resolver uma vida inteira, mas porque ele pode ajudar uma pessoa a perceber que aquilo que sente merece ser olhado.

E ser olhado já é um começo.

Uma das coisas que mais me fascinam na arteterapia é justamente a possibilidade de trabalhar sem exigir que a pessoa tenha todas as respostas.

Ela não precisa saber explicar por que escolheu determinada cor.

Não precisa saber interpretar o próprio desenho.

Não precisa chegar com uma história organizada.

Ela pode simplesmente começar.

E, enquanto cria, algo pode se movimentar por dentro.

Às vezes, uma imagem revela uma lembrança. Em outras situações, uma atividade aparentemente simples permite perceber uma emoção que estava sendo evitada. Há momentos em que a criação produz silêncio. E há momentos em que ela finalmente abre espaço para uma conversa.

O importante é que existe encontro.

Encontro consigo mesmo.

Encontro com o outro.

Encontro com aquilo que estava sendo guardado.

A ciência também vem investigando esse potencial. Pesquisas recentes encontraram benefícios da arteterapia em sintomas relacionados à ansiedade e à depressão, reforçando a importância das práticas artísticas como parte de estratégias de cuidado em saúde mental.

Mas existe algo que nenhum estudo consegue medir completamente: o efeito de ser acolhido sem julgamento.

Eu acredito profundamente nisso.

Acredito que cuidar da mente começa muito antes de uma situação se tornar crítica.

Começa quando perguntamos verdadeiramente “como você está?” e temos disposição para ouvir a resposta.

Começa quando percebemos que aquela pessoa que sempre foi tão presente passou a se afastar.

Começa quando deixamos de chamar sofrimento de exagero.

Começa quando ensinamos nossos filhos que sentir não é fraqueza.

Começa quando um adulto entende que pedir ajuda não diminui sua força.

E pode começar, também, diante de uma tela em branco.

É por isso que vejo a arteterapia como uma ferramenta de cuidado, prevenção e acolhimento.

Porque preservar a vida também passa por oferecer às pessoas espaços onde elas possam falar, criar, chorar, reconstruir e descobrir novas possibilidades.

Nem sempre conseguimos mudar aquilo que aconteceu.

Mas podemos construir novas formas de olhar para a própria história.

Talvez esse seja um dos maiores presentes da arte: ela nos lembra que nada precisa permanecer exatamente como está.

Uma tela pode ser repintada.

Uma folha pode receber novas linhas.

Uma história pode ganhar outro capítulo.

E uma pessoa também pode descobrir novos caminhos.

Eu não acredito que a arte tenha respostas prontas.

Acredito que ela faça algo ainda mais importante: ajuda a criar perguntas.

“O que estou sentindo?”

“Do que eu preciso?”

“O que ainda existe dentro de mim?”

“Que caminho posso construir daqui para frente?”

São perguntas que podem abrir portas.

E, às vezes, quando uma porta se abre, descobrimos que ainda existe muito mais caminho pela frente do que imaginávamos.

É por isso que, para mim, arteterapia nunca será apenas sobre arte.

É sobre humanidade.

É sobre escuta.

É sobre presença.

É sobre permitir que aquilo que ficou escondido encontre uma forma de existir.

Porque algumas pessoas precisam primeiro desenhar aquilo que não conseguem dizer.

E talvez seja justamente aí que comece o reencontro com a própria vida.

*Isolda Risso é palestrante, mentora de mulheres e terapeuta.

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Politica

Candidata indígena diz que fundo eleitoral chegou tarde e chama recurso de “maldição”

A candidata também relacionou a estrutura financeira à presença dos concorrentes nas pesquisas eleitorais.

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A candidata indígena a deputada federal por Mato Grosso Ysani, do AGIR, usou as redes sociais para fazer um desabafo sobre o financiamento de sua campanha. Segundo ela, R$ 12.160,42 do fundo eleitoral foram disponibilizados apenas em 17 de setembro, já na reta final da disputa.

“Finalmente lembraram que eu existo”, afirmou Ysani ao iniciar o vídeo.

Na sequência, a candidata questionou o momento em que o recurso chegou e como seria possível utilizá-lo de maneira efetiva com a campanha já próxima do fim.

“Agora me diz: eu faço campanha quando?”, questionou.

Ysani afirmou que chegou a tentar devolver o dinheiro, mas não conseguiu. Segundo ela, também não seria possível simplesmente transferir o recurso para outra candidata, devido às regras que disciplinam a utilização do fundo eleitoral.

“Eu vou falar a verdade para vocês: esse dinheiro chegou tarde demais. Agora, no final da campanha, não faz milagre. Se tivesse chegado no começo, poderia ter sido útil”, declarou.

A candidata também criticou o baixo valor recebido diante dos custos de uma campanha para a Câmara dos Deputados.

“Sinceramente, é uma maldição esse dinheiro, porque além de chegar tarde é muito pouco para fazer alguma coisa significativa em uma campanha”, afirmou.

Em outro trecho, Ysani questionou a diferença de estrutura financeira entre os candidatos e citou concorrentes que, segundo ela, movimentam milhões durante a campanha.

“Como eu vou conseguir competir com candidatos que estão gastando milhões na campanha?”, perguntou.

A candidata também relacionou a estrutura financeira à presença dos concorrentes nas pesquisas eleitorais.

“É só olhar nas pesquisas, com candidatos que estão gastando milhões e aparecem lá na frente, e meu nome nem aparece”, disse.

Ysani afirmou que não dispõe de milhões para investir na disputa e que não recebeu uma estrutura financeira significativa no início da campanha.

“Eu não tenho milhões para gastar, não recebi uma grande estrutura financeira no início da campanha e agora o fundo eleitoral chega praticamente no final”, declarou.

A candidata também afirmou que o apoio político recebido de nomes de projeção nacional da direita não substituiu a estrutura financeira necessária para uma campanha.

Segundo Ysani, houve manifestações de apoio de nomes como Flávio Bolsonaro e Damares Alves, mas, na avaliação dela, o respaldo político não resolveu a falta de recursos no início da disputa.

“Meu partido não me deu apoio financeiro quando eu precisava no início da campanha. Essa é a realidade”, afirmou.

Apesar do desabafo, Ysani disse que pretende manter a candidatura até o fim, independentemente da quantidade de recursos disponíveis.

“Com dinheiro ou sem dinheiro, a candidatura segue”, afirmou.

Em tom de desabafo, a candidata declarou ainda que ficaria satisfeita caso conseguisse alcançar 50 votos.

Ysani disputa uma vaga na Câmara dos Deputados por Mato Grosso pelo AGIR. A candidata também é conhecida por sua atuação em pautas relacionadas à população indígena e por seu posicionamento político alinhado à direita.

A informação sobre o recebimento de R$ 12.160,42 em 17 de setembro é apresentada nesta reportagem conforme o relato feito pela própria candidata no vídeo publicado em suas redes sociais.

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Política Nacional

Trabalhou exposto a agentes nocivos? Veja as regras para aposentadoria especial

Em qualquer uma das situações, permanece a exigência de 180 contribuições mensais.

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Trabalhadores que exerceram atividades com exposição permanente a agentes químicos, físicos ou biológicos prejudiciais à saúde podem ter direito à aposentadoria especial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dependendo da atividade e do agente nocivo reconhecido, o tempo de exposição exigido pode ser de 15, 20 ou 25 anos.

O período de trabalho, porém, não garante automaticamente o benefício. As regras também levam em consideração a data em que o trabalhador ingressou no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), além do cumprimento da carência mínima de 180 contribuições mensais.

A aposentadoria especial é destinada a quem esteve submetido de maneira habitual e permanente a condições prejudiciais à saúde. Exposições eventuais ou intermitentes, por si só, não caracterizam o direito ao benefício.

O que mudou após a Reforma da Previdência

A Emenda Constitucional nº 103, de 2019, alterou as regras para a aposentadoria especial. Para quem entrou no RGPS após a reforma, além do tempo de exposição, passou a ser exigida idade mínima.

Nas atividades em que são necessários 15 anos de exposição, a idade mínima é de 55 anos. Para aquelas que exigem 20 anos, são necessários 58 anos de idade. Já nos casos em que o tempo especial exigido é de 25 anos, a idade mínima é de 60 anos.

Em qualquer uma das situações, permanece a exigência de 180 contribuições mensais.

Quem já trabalhava antes de 2019

Para os segurados que já estavam filiados ao RGPS antes de 13 de novembro de 2019, existe uma regra de transição.

Nesse caso, é utilizada uma pontuação que resulta da soma da idade com o tempo de contribuição. Para atividades com exigência de 15 anos de exposição, são necessários 66 pontos. Para as de 20 anos, são exigidos 76 pontos. Já nas atividades que demandam 25 anos de exposição, são necessários 86 pontos.

A carência mínima de 180 contribuições também deve ser cumprida.

PPP é fundamental para comprovar exposição

O trabalhador precisa comprovar que esteve efetivamente submetido às condições prejudiciais. Um dos principais documentos utilizados nessa análise é o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP).

O documento reúne informações sobre as atividades exercidas e as condições ambientais de trabalho. Desde janeiro de 2023, os vínculos iniciados a partir dessa data devem utilizar o PPP em formato eletrônico.

A caracterização do período como atividade especial considera a legislação vigente em cada época. Por isso, o histórico profissional precisa ser analisado período por período.

Pedido pode ser feito pelo Meu INSS

O requerimento da aposentadoria especial pode ser realizado pela internet, por meio do Meu INSS. O segurado deve informar os períodos em que trabalhou sob condições especiais e apresentar a documentação exigida para comprovar a exposição.

Assim, os 15, 20 ou 25 anos não representam uma regra única para todos os trabalhadores. O tempo exigido depende da atividade e das condições de exposição, enquanto idade, pontuação e demais requisitos variam de acordo com a situação previdenciária do segurado.

Antes de solicitar o benefício, é importante conferir o histórico de contribuições e reunir os documentos que comprovem as condições de trabalho. A análise desses registros é que permitirá identificar qual regra previdenciária se aplica ao caso.

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Politica

MPF investiga primeira dama de Rondonópolis por suposto uso de grupo do CRAS em campanha

A Procuradoria solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso a quebra do sigilo de dados cadastrais da linha utilizada para divulgar o material. O objetivo é identificar o responsável pela publicação no grupo oficial.

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A candidata a deputada estadual Alessandra Ferreira, primeira-dama de Rondonópolis e ex-secretária municipal de Promoção e Assistência Social, entrou na mira do Ministério Público Eleitoral após um convite para o lançamento de sua campanha ter sido divulgado em um grupo oficial de WhatsApp ligado ao CRAS Alfredo de Castro.

A apuração investiga a possível utilização da estrutura da Prefeitura para divulgação eleitoral e busca identificar quem administrava o grupo e quem realizou o disparo. O caso teve origem em denúncia encaminhada à Justiça Eleitoral e passou a ser analisado pela Procuradoria Regional Eleitoral Auxiliar da Propaganda em Mato Grosso.

Segundo as informações reunidas na investigação, o grupo “Cras Alfredo de Castro 1 – Informações Gerais 2026” é um canal oficial utilizado pela unidade para comunicação com cidadãos atendidos pelos serviços públicos. A Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social confirmou ao Ministério Público que o grupo pertence à estrutura do órgão.

A mensagem foi enviada em 26 de agosto e continha material de divulgação do lançamento da candidatura de Alessandra, marcado para o dia seguinte, em Rondonópolis. Conforme a representação, a publicação teria sido feita por uma linha telefônica identificada no grupo como “Rafael”.

MP quer descobrir quem fez o disparo

A Procuradoria solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso a quebra do sigilo de dados cadastrais da linha utilizada para divulgar o material. O objetivo é identificar o responsável pela publicação no grupo oficial.

O Ministério Público também pediu que Alessandra Ferreira seja impedida de produzir ou autorizar novas propagandas eleitorais em grupos vinculados à Prefeitura, com previsão de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Até a informação consultada, o pedido ainda não havia sido decidido pela Justiça Eleitoral.

A investigação também busca informações sobre os servidores que administravam o grupo e sobre as regras internas da Prefeitura para utilização de aplicativos de mensagens institucionais.

Investigação não significa condenação

A apuração trata de possível propaganda eleitoral irregular e eventual utilização da estrutura administrativa em benefício de candidatura. O avanço do procedimento, contudo, não representa condenação ou reconhecimento definitivo de irregularidade por parte da candidata.

O caso ainda depende da coleta de informações, identificação do responsável pelo disparo e análise da Justiça Eleitoral.

Alessandra Ferreira deverá prestar esclarecimentos no curso da apuração, enquanto a Procuradoria busca reunir elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas levantadas na denúncia.

O processo tramita no âmbito da Justiça Eleitoral de Mato Grosso e envolve a análise de eventual uso indevido de estrutura pública durante o período eleitoral.

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