Mensagens de WhatsApp atribuídas à lobista Roberta Luchsinger registram relatos de viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), acesso ao Palácio do Planalto e encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e familiares dele.
As informações foram divulgadas pelo Metrópoles nesta segunda-feira (21). Segundo a reportagem, as conversas também mostram que Luchsinger costumava se referir a Lula como “pai do Fábio”, em alusão a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Uma das mensagens foi enviada à mãe da lobista em 24 de março de 2023. Na conversa, Roberta afirmou que havia viajado para Brasília de “aero Lula”.
A mãe perguntou se ela se referia ao avião do presidente. Em seguida, segundo a reportagem, Roberta respondeu: “Avião do Lula kkkkk”.
Na mesma ocasião, ela teria enviado uma fotografia feita de dentro do Palácio do Planalto, com o Congresso Nacional ao fundo.
O acesso ao prédio também aparece em registros oficiais obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Conforme os dados divulgados pelo Metrópoles, Roberta Luchsinger entrou no Palácio do Planalto em 22 de março de 2023, às 15h37.
Relatos de viagens pela FAB
Em 1º de novembro de 2023, em uma conversa com uma assessora do governo da Bahia, Luchsinger afirmou que viajaria “de FAB” acompanhada do filho do presidente.
Na mensagem, ela explicou que, por utilizar uma aeronave da Força Aérea, o embarque ocorreria pela Base Aérea, e não pelo terminal convencional.
“Então, a gente vai estar de FAB”, afirmou, segundo o conteúdo divulgado pelo Metrópoles.
Em fevereiro de 2024, outra mensagem atribuída à lobista dizia que ela estava “voltando de FAB” após uma viagem relacionada a uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU).
Naquele período, Roberta havia viajado para a Suíça acompanhada das filhas, de Lulinha e de familiares dele. A reportagem informa que ela esteve na sede da ONU, em Genebra. O retorno da Europa ao Brasil, porém, teria ocorrido em voo comercial da TAP.
Ou seja, as mensagens registram referências feitas pela própria lobista a viagens “de FAB”, mas os dados apresentados na reportagem não comprovam que todos os deslocamentos mencionados tenham ocorrido em aeronaves militares.
“Pai do Fábio”
Outro ponto destacado nas conversas é a maneira como Roberta Luchsinger se referia a Lula.
Em mensagem enviada a uma advogada em 11 de junho de 2025, ela escreveu que estava “na sala do pai do Fábio”. Segundo a reportagem, a expressão era utilizada pela lobista para se referir ao presidente.
Em outra conversa, de outubro de 2023, Roberta afirmou ter estado com Lula e com Lulinha. Na ocasião, um advogado teria pedido que ela tentasse intermediar uma conversa com o presidente sobre o conflito entre Israel e Palestina.
Poucos dias depois, em mensagem enviada em 25 de outubro de 2023, ela escreveu a um contato salvo como Gustavo Oliveira que ainda estava “na casa do pai do Fábio”.
As conversas também registram uma referência ao aniversário de Lula, comemorado em 27 de outubro.
Viagem antecipada após queda de Lula
Em outubro de 2024, a expressão voltou a aparecer em uma conversa.
No dia 22 daquele mês, Roberta teria informado a um contato identificado como “Magalhães” que precisaria antecipar uma viagem a Brasília por causa do “pai do Fábio”.
Na sequência, ela explicou que Lula havia sofrido uma queda durante o banho e que, por isso, teria pedido a antecipação da agenda.
O episódio mencionado ocorreu em 19 de outubro de 2024, quando Lula sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada.
Declaração de Lula
Os relatos atribuídos à lobista ganharam repercussão porque contrastam com uma declaração feita por Lula em entrevista à TV Globo, em 27 de agosto.
Na ocasião, o presidente afirmou que não conhecia Roberta Luchsinger e negou ter tido contato próximo com ela.
“Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”, declarou Lula. Segundo a reportagem, o presidente também chamou a lobista de “pilantra”.
As mensagens divulgadas pelo Metrópoles apresentam, por outro lado, relatos da própria Roberta sobre encontros com Lula, acesso a ambientes ligados ao presidente e deslocamentos que ela descrevia como viagens pela FAB.
Os registros, por si só, documentam o conteúdo das mensagens e os acessos mencionados, mas não estabelecem, isoladamente, as circunstâncias de cada encontro ou viagem.
Investigações no STF
O caso também está relacionado às investigações envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva.
Segundo o Metrópoles, fatos relacionados aos dois são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo apurações sobre suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde.
A divulgação das mensagens acrescenta novos elementos ao debate sobre a relação entre a lobista, Lulinha e pessoas próximas ao presidente, especialmente diante da declaração pública de Lula de que nunca havia visto ou conversado com Roberta Luchsinger.