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Violência contra crianças dispara em MT: quase 12 mil agressões são registradas em 2026

Entre mulheres, foram contabilizadas 477 denúncias e 2.575 violações no período analisado.

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Mato Grosso registrou 11.959 violações envolvendo crianças e adolescentes nos primeiros sete meses de 2026, segundo dados consolidados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. O número inclui diferentes formas de violência, como maus-tratos, agressões físicas e violência sexual.

No mesmo período, foram contabilizadas 2.016 denúncias relacionadas à população infantojuvenil. A diferença entre os números mostra que uma única denúncia pode reunir diferentes violações ou vítimas, por isso os registros de denúncias e de violações não representam necessariamente a mesma quantidade de ocorrências individuais.

Os dados revelam ainda uma situação preocupante na primeira infância. Entre recém-nascidos de até 1 ano, foram registradas 71 denúncias e 376 violações. Aos 2 anos, foram 103 denúncias e 605 violações.

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O número cresce em algumas faixas etárias e alcança um dos maiores patamares aos 5 anos, quando foram contabilizadas 143 denúncias e 997 violações.

Entre crianças de 6 anos, o painel aponta 96 denúncias e 628 violações. Aos 7 anos, foram 124 denúncias e 785 violações. Já entre as vítimas de 8 anos, são 139 denúncias e 973 violações.

Além das crianças e adolescentes, os dados da Ouvidoria Nacional também mostram números expressivos de violência contra outros grupos vulneráveis em Mato Grosso. Entre idosos, foram 866 denúncias e 5.056 violações. Pessoas com deficiência somaram 745 denúncias e 4.385 violações. Já os registros relacionados a cidadãos, famílias ou comunidades chegaram a 652 denúncias e 3.596 violações.

Entre mulheres, foram contabilizadas 477 denúncias e 2.575 violações no período analisado.

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Casa é principal local de violência

Outro dado que chama atenção está relacionado ao local onde as violações acontecem. O ambiente doméstico aparece entre os principais cenários registrados pelo painel.

Na casa onde vítima e suspeito residem, foram contabilizadas 1.694 denúncias e 13.191 violações. Já na residência da vítima, aparecem 1.202 denúncias e 8.191 violações. Na casa do suspeito, são 200 denúncias e 1.365 violações.

Instituições de ensino também aparecem no levantamento, com 118 denúncias e 655 violações.

Os números reforçam a importância da identificação de sinais de violência e do acionamento da rede de proteção. Conselhos Tutelares, Polícia Civil, Ministério Público e demais órgãos especializados podem atuar a partir de uma denúncia.

O Disque 100 é um dos principais canais nacionais para comunicar suspeitas ou casos de violações de direitos humanos. A denúncia pode ser feita de forma anônima e encaminhada aos órgãos responsáveis pela proteção da vítima.

Em situações de emergência ou flagrante, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar.

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Moto Encontro cresce, entra no calendário oficial e amplia combate à violência contra mulheres

A inclusão representa um reconhecimento institucional de uma iniciativa que vem crescendo a cada edição e que busca utilizar a força de mobilização dos motociclistas para ampliar uma mensagem que ultrapassa o universo das duas rodas.

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A terceira edição do Moto Encontro Agosto Lilás – Diga Não à Violência Contra as Mulheres movimentou Mato Grosso neste domingo (16) e transformou as rodovias entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães em um grande espaço de conscientização. Motociclistas, forças de segurança, moto clubes, entidades e representantes da sociedade civil participaram da mobilização, que levou para as ruas uma mensagem de respeito, prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar.

A concentração começou nas primeiras horas da manhã, no Comando-Geral da Polícia Militar, em Cuiabá. De lá, o comboio seguiu rumo a Chapada dos Guimarães, reunindo participantes de diferentes regiões e reforçando a capacidade de mobilização do segmento motociclístico em torno de uma causa social.

A edição deste ano ganhou um significado ainda maior por marcar a consolidação do evento no calendário oficial de Mato Grosso. O Moto Encontro Agosto Lilás passou a integrar oficialmente o Calendário de Eventos do Estado por meio da Lei Estadual nº 13.260, de 25 de março de 2026, de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani.

A inclusão representa um reconhecimento institucional de uma iniciativa que vem crescendo a cada edição e que busca utilizar a força de mobilização dos motociclistas para ampliar uma mensagem que ultrapassa o universo das duas rodas.

Motociclismo também é cidadania

Mais do que um encontro de motociclistas, a programação reforçou o papel da sociedade na prevenção da violência contra as mulheres. A mobilização reuniu a FECONSEG-MT, Polícia Militar, demais forças de Segurança Pública, Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEGs), moto clubes, moto grupos e motociclistas independentes.

Ao longo da programação, os participantes foram chamados a atuar como multiplicadores da campanha Agosto Lilás, levando para seus grupos, comunidades e cidades informações sobre prevenção, respeito e a importância de denunciar situações de violência.

Para o presidente da FECONSEG-MT, Danillo Moraes, a dimensão alcançada pelo encontro demonstra que o motociclismo pode ocupar também um espaço de responsabilidade social.

“Quando milhares de motociclistas vestem a mesma causa, mostramos que o motociclismo também é cidadania, responsabilidade social e respeito”, destacou.

Evento ganha força a cada edição

O crescimento do Moto Encontro também evidencia a capacidade de mobilização construída ao longo dos últimos anos. Em 2025, a segunda edição reuniu 1.475 motocicletas. Para 2026, a organização trabalhava com a expectativa de chegar a aproximadamente 2 mil motos.

A mobilização deste domingo reforça a proposta de transformar o encontro em uma ação permanente de conscientização, aproximando motociclistas, órgãos públicos, forças de segurança e sociedade civil.

Com a inclusão no calendário oficial de Mato Grosso, o Moto Encontro Agosto Lilás ganha novas possibilidades de expansão e consolida uma agenda que une motociclismo, cidadania e combate à violência contra as mulheres.

A mensagem levada pelas centenas de participantes ao longo do trajeto até Chapada dos Guimarães foi direta: nenhuma forma de violência contra a mulher deve ser normalizada, silenciada ou ignorada.

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Mulheres na política: ocupar espaços sem abrir mão de princípios

Ana Barros é jornalista e atua como assessora de imprensa há mais de 15 anos.

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A presença feminina na política brasileira avançou, mas ainda está longe de representar a força que as mulheres exercem na sociedade, na economia e na vida pública. Mais do que aumentar números nas estatísticas eleitorais, o desafio está em fazer com que mulheres preparadas tenham espaço para disputar, decidir e participar efetivamente da construção das políticas públicas.

Dados das eleições municipais de 2020 ajudam a dimensionar essa mudança. Naquele pleito, 21,2% das candidaturas a vice-prefeita eram de mulheres, contra 17,5% em 2016. O número de mulheres eleitas para o cargo também cresceu, passando de 834 para 927.

Os números mostram avanço, mas também revelam uma desigualdade que não pode ser ignorada. Em 2020, apenas uma pequena parcela das chapas era formada exclusivamente por mulheres, enquanto a maioria ainda era composta por homens nos dois postos principais. Isso demonstra que a participação feminina cresceu, mas o acesso aos espaços de maior poder de decisão continua sendo um desafio.

Para mudar esse cenário, entretanto, não basta defender mulheres na política apenas por serem mulheres. É preciso defender mulheres que tenham preparo, independência, capacidade de gestão e clareza sobre aquilo que pretendem fazer quando chegarem ao poder.

Essa discussão ganha ainda mais importância diante do crescimento do empreendedorismo feminino. Mulheres estão à frente de empresas, propriedades rurais, pequenos negócios, escritórios, indústrias e iniciativas que movimentam a economia. Muitas administram equipes, enfrentam burocracias, gerenciam recursos e tomam decisões diariamente. Essa experiência também pode contribuir para a administração pública.

Uma política comprometida com responsabilidade fiscal, liberdade econômica, geração de empregos e valorização de quem empreende precisa considerar essa participação feminina. A mulher que conhece as dificuldades de abrir e manter um negócio sabe, na prática, o peso dos impostos, da burocracia e da falta de previsibilidade.

Mas a presença feminina na política também precisa alcançar questões que afetam diretamente as famílias.

É necessário discutir políticas públicas capazes de oferecer proteção às mulheres vítimas de violência, fortalecer a atenção básica em saúde, melhorar o atendimento às mães e ampliar mecanismos de prevenção ao feminicídio. Não basta criar estruturas no papel. É preciso que elas funcionem, tenham recursos e sejam acessíveis a quem precisa.

Também é importante reconhecer que mulheres não formam um grupo político homogêneo. Existem diferentes visões sobre economia, segurança, família, educação, saúde e administração pública. A participação feminina não precisa significar uniformidade de pensamento.

Ao contrário, a democracia se fortalece quando mulheres com diferentes experiências, valores e posições conseguem participar do debate público.

Por isso, diante de cada eleição, a discussão deveria ir além do slogan de que “mulher vota em mulher”. O eleitorado feminino é diverso e tem autonomia para escolher seus representantes a partir de suas convicções.

A questão fundamental é outra: por que tantas mulheres preparadas ainda hesitam em ocupar espaços de decisão?

Talvez parte da resposta esteja na própria cultura política brasileira, que muitas vezes transforma a política em ambiente de disputa pessoal, enquanto quem empreende, trabalha e administra uma família prefere manter distância desse universo.

É justamente essa distância que precisa ser repensada.

Mulheres que administram empresas, propriedades, instituições e famílias já exercem liderança todos os dias. Levar essa experiência para a vida pública pode contribuir para uma política mais conectada com a realidade de quem trabalha, produz e sustenta suas famílias.

O objetivo não deve ser substituir homens por mulheres, mas ampliar a participação e garantir que diferentes experiências estejam representadas nas decisões que afetam toda a sociedade.

A mulher não precisa ocupar o lugar de ninguém. Precisa ter condições para ocupar o seu próprio espaço, com liberdade para defender suas ideias, responsabilidade para exercer seus mandatos e coragem para transformar experiência em serviço público.

Mais mulheres na política, portanto, não devem significar apenas mais candidaturas. Devem significar mais preparo, mais diversidade de ideias, mais responsabilidade e representantes verdadeiramente comprometidas com os problemas reais de suas comunidades.

Ana Barros é jornalista e atua como assessora de imprensa há mais de 15 anos.

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Jovem relata momento de pânico após abordagem de policiais dentro de casa

A jovem publicou imagens nas redes sociais nas quais aparece um rastro de sangue que, segundo ela, teria sido provocado pelas agressões.

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A estudante de Direito Thaina Álvares, de 23 anos, afirma que ainda enfrenta um estado de pânico após denunciar uma abordagem de policiais militares dentro de sua residência, em Cuiabá. Segundo o relato, quatro agentes teriam entrado no imóvel durante a madrugada e a agredido enquanto questionavam sobre supostos traficantes da região.

Em entrevista ao MT1, Thaina contou que o episódio deixou marcas físicas e emocionais. Ela afirmou que ainda está tentando lidar com o impacto da situação.

“Me senti completamente devastada, em pânico, e eu ainda estou… É algo que não sei se vai se tornar uma ferida profunda. Foi uma agressão que me feriu não só fisicamente”, relatou.

Segundo a estudante, ela estava em casa com o filho de três anos e a avó, que é acamada, quando ouviu disparos de arma de fogo. Ao verificar o que estava acontecendo, teria visto policiais no quintal da residência.

De acordo com Thaina, os militares teriam aberto a janela da sala e determinado que ela abrisse a porta. Caso contrário, segundo a jovem, os agentes teriam ameaçado arrombá-la.

“Falei que abriria logo, pois estava no banheiro. O policial, em xingamentos e ignorância, falou que, se não abrisse em três segundos, ele iria arrombar minha porta”, relatou.

Jovem diz que teve arma apontada para o rosto

Ainda conforme o relato da estudante, depois que abriu a porta, um dos policiais teria apontado uma arma para seu rosto e atingido o celular que estava em sua mão.

“Quando, de repente, um policial apareceu com uma arma no meu rosto, bateu a mão no meu celular, o qual despedaçou, e falou que queria nomes”, contou.

Thaina afirma que os policiais queriam informações sobre possíveis traficantes e teriam dito que ela poderia ser presa caso não fornecesse os nomes. A jovem também relata ter sido ameaçada com a possibilidade de policiais colocarem drogas dentro de sua residência.

Segundo a versão apresentada pela estudante, ao afirmar que não conhecia nenhum traficante, ela teria sido agredida. Em seu relato publicado nas redes sociais, afirmou que recebeu tapas no rosto e sofreu um corte dentro da boca.

A jovem publicou imagens nas redes sociais nas quais aparece um rastro de sangue que, segundo ela, teria sido provocado pelas agressões.

Filho de três anos teria presenciado abordagem

Thaina também afirmou que o episódio teve impacto sobre o filho, que teria presenciado parte da situação.

“Eu saio de casa às 5h da manhã, chego às 23h e vou cuidar dos que eu tenho responsabilidade, meu filho e minha avó, que é acamada. Eu jamais imaginaria passar por nada disso na minha vida; é um trauma e tanto, não só para mim, mas para o meu filho”, declarou.

A estudante afirmou ainda que pretende buscar responsabilização pelos fatos e que considera o episódio uma experiência traumática.

Corregedoria da PM investiga denúncia

A Polícia Militar de Mato Grosso informou que a Corregedoria-Geral recebeu a denúncia na terça-feira (11) e instaurou um procedimento para identificar os policiais envolvidos e apurar as circunstâncias da ocorrência.

Em nota, a corporação afirmou que não compactua com abuso de autoridade, violência ou qualquer outro tipo de crime cometido por integrantes da instituição.

A investigação deverá esclarecer a dinâmica da abordagem, a atuação dos policiais e as circunstâncias das supostas agressões relatadas pela estudante. As acusações apresentadas por Thaina ainda serão apuradas pelas autoridades responsáveis.

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