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Mulheres na política: ocupar espaços sem abrir mão de princípios

Ana Barros é jornalista e atua como assessora de imprensa há mais de 15 anos.

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A presença feminina na política brasileira avançou, mas ainda está longe de representar a força que as mulheres exercem na sociedade, na economia e na vida pública. Mais do que aumentar números nas estatísticas eleitorais, o desafio está em fazer com que mulheres preparadas tenham espaço para disputar, decidir e participar efetivamente da construção das políticas públicas.

Dados das eleições municipais de 2020 ajudam a dimensionar essa mudança. Naquele pleito, 21,2% das candidaturas a vice-prefeita eram de mulheres, contra 17,5% em 2016. O número de mulheres eleitas para o cargo também cresceu, passando de 834 para 927.

Os números mostram avanço, mas também revelam uma desigualdade que não pode ser ignorada. Em 2020, apenas uma pequena parcela das chapas era formada exclusivamente por mulheres, enquanto a maioria ainda era composta por homens nos dois postos principais. Isso demonstra que a participação feminina cresceu, mas o acesso aos espaços de maior poder de decisão continua sendo um desafio.

Para mudar esse cenário, entretanto, não basta defender mulheres na política apenas por serem mulheres. É preciso defender mulheres que tenham preparo, independência, capacidade de gestão e clareza sobre aquilo que pretendem fazer quando chegarem ao poder.

Essa discussão ganha ainda mais importância diante do crescimento do empreendedorismo feminino. Mulheres estão à frente de empresas, propriedades rurais, pequenos negócios, escritórios, indústrias e iniciativas que movimentam a economia. Muitas administram equipes, enfrentam burocracias, gerenciam recursos e tomam decisões diariamente. Essa experiência também pode contribuir para a administração pública.

Uma política comprometida com responsabilidade fiscal, liberdade econômica, geração de empregos e valorização de quem empreende precisa considerar essa participação feminina. A mulher que conhece as dificuldades de abrir e manter um negócio sabe, na prática, o peso dos impostos, da burocracia e da falta de previsibilidade.

Mas a presença feminina na política também precisa alcançar questões que afetam diretamente as famílias.

É necessário discutir políticas públicas capazes de oferecer proteção às mulheres vítimas de violência, fortalecer a atenção básica em saúde, melhorar o atendimento às mães e ampliar mecanismos de prevenção ao feminicídio. Não basta criar estruturas no papel. É preciso que elas funcionem, tenham recursos e sejam acessíveis a quem precisa.

Também é importante reconhecer que mulheres não formam um grupo político homogêneo. Existem diferentes visões sobre economia, segurança, família, educação, saúde e administração pública. A participação feminina não precisa significar uniformidade de pensamento.

Ao contrário, a democracia se fortalece quando mulheres com diferentes experiências, valores e posições conseguem participar do debate público.

Por isso, diante de cada eleição, a discussão deveria ir além do slogan de que “mulher vota em mulher”. O eleitorado feminino é diverso e tem autonomia para escolher seus representantes a partir de suas convicções.

A questão fundamental é outra: por que tantas mulheres preparadas ainda hesitam em ocupar espaços de decisão?

Talvez parte da resposta esteja na própria cultura política brasileira, que muitas vezes transforma a política em ambiente de disputa pessoal, enquanto quem empreende, trabalha e administra uma família prefere manter distância desse universo.

É justamente essa distância que precisa ser repensada.

Mulheres que administram empresas, propriedades, instituições e famílias já exercem liderança todos os dias. Levar essa experiência para a vida pública pode contribuir para uma política mais conectada com a realidade de quem trabalha, produz e sustenta suas famílias.

O objetivo não deve ser substituir homens por mulheres, mas ampliar a participação e garantir que diferentes experiências estejam representadas nas decisões que afetam toda a sociedade.

A mulher não precisa ocupar o lugar de ninguém. Precisa ter condições para ocupar o seu próprio espaço, com liberdade para defender suas ideias, responsabilidade para exercer seus mandatos e coragem para transformar experiência em serviço público.

Mais mulheres na política, portanto, não devem significar apenas mais candidaturas. Devem significar mais preparo, mais diversidade de ideias, mais responsabilidade e representantes verdadeiramente comprometidas com os problemas reais de suas comunidades.

Ana Barros é jornalista e atua como assessora de imprensa há mais de 15 anos.

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Moto Encontro cresce, entra no calendário oficial e amplia combate à violência contra mulheres

A inclusão representa um reconhecimento institucional de uma iniciativa que vem crescendo a cada edição e que busca utilizar a força de mobilização dos motociclistas para ampliar uma mensagem que ultrapassa o universo das duas rodas.

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A terceira edição do Moto Encontro Agosto Lilás – Diga Não à Violência Contra as Mulheres movimentou Mato Grosso neste domingo (16) e transformou as rodovias entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães em um grande espaço de conscientização. Motociclistas, forças de segurança, moto clubes, entidades e representantes da sociedade civil participaram da mobilização, que levou para as ruas uma mensagem de respeito, prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar.

A concentração começou nas primeiras horas da manhã, no Comando-Geral da Polícia Militar, em Cuiabá. De lá, o comboio seguiu rumo a Chapada dos Guimarães, reunindo participantes de diferentes regiões e reforçando a capacidade de mobilização do segmento motociclístico em torno de uma causa social.

A edição deste ano ganhou um significado ainda maior por marcar a consolidação do evento no calendário oficial de Mato Grosso. O Moto Encontro Agosto Lilás passou a integrar oficialmente o Calendário de Eventos do Estado por meio da Lei Estadual nº 13.260, de 25 de março de 2026, de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani.

A inclusão representa um reconhecimento institucional de uma iniciativa que vem crescendo a cada edição e que busca utilizar a força de mobilização dos motociclistas para ampliar uma mensagem que ultrapassa o universo das duas rodas.

Motociclismo também é cidadania

Mais do que um encontro de motociclistas, a programação reforçou o papel da sociedade na prevenção da violência contra as mulheres. A mobilização reuniu a FECONSEG-MT, Polícia Militar, demais forças de Segurança Pública, Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEGs), moto clubes, moto grupos e motociclistas independentes.

Ao longo da programação, os participantes foram chamados a atuar como multiplicadores da campanha Agosto Lilás, levando para seus grupos, comunidades e cidades informações sobre prevenção, respeito e a importância de denunciar situações de violência.

Para o presidente da FECONSEG-MT, Danillo Moraes, a dimensão alcançada pelo encontro demonstra que o motociclismo pode ocupar também um espaço de responsabilidade social.

“Quando milhares de motociclistas vestem a mesma causa, mostramos que o motociclismo também é cidadania, responsabilidade social e respeito”, destacou.

Evento ganha força a cada edição

O crescimento do Moto Encontro também evidencia a capacidade de mobilização construída ao longo dos últimos anos. Em 2025, a segunda edição reuniu 1.475 motocicletas. Para 2026, a organização trabalhava com a expectativa de chegar a aproximadamente 2 mil motos.

A mobilização deste domingo reforça a proposta de transformar o encontro em uma ação permanente de conscientização, aproximando motociclistas, órgãos públicos, forças de segurança e sociedade civil.

Com a inclusão no calendário oficial de Mato Grosso, o Moto Encontro Agosto Lilás ganha novas possibilidades de expansão e consolida uma agenda que une motociclismo, cidadania e combate à violência contra as mulheres.

A mensagem levada pelas centenas de participantes ao longo do trajeto até Chapada dos Guimarães foi direta: nenhuma forma de violência contra a mulher deve ser normalizada, silenciada ou ignorada.

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Jovem relata momento de pânico após abordagem de policiais dentro de casa

A jovem publicou imagens nas redes sociais nas quais aparece um rastro de sangue que, segundo ela, teria sido provocado pelas agressões.

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A estudante de Direito Thaina Álvares, de 23 anos, afirma que ainda enfrenta um estado de pânico após denunciar uma abordagem de policiais militares dentro de sua residência, em Cuiabá. Segundo o relato, quatro agentes teriam entrado no imóvel durante a madrugada e a agredido enquanto questionavam sobre supostos traficantes da região.

Em entrevista ao MT1, Thaina contou que o episódio deixou marcas físicas e emocionais. Ela afirmou que ainda está tentando lidar com o impacto da situação.

“Me senti completamente devastada, em pânico, e eu ainda estou… É algo que não sei se vai se tornar uma ferida profunda. Foi uma agressão que me feriu não só fisicamente”, relatou.

Segundo a estudante, ela estava em casa com o filho de três anos e a avó, que é acamada, quando ouviu disparos de arma de fogo. Ao verificar o que estava acontecendo, teria visto policiais no quintal da residência.

De acordo com Thaina, os militares teriam aberto a janela da sala e determinado que ela abrisse a porta. Caso contrário, segundo a jovem, os agentes teriam ameaçado arrombá-la.

“Falei que abriria logo, pois estava no banheiro. O policial, em xingamentos e ignorância, falou que, se não abrisse em três segundos, ele iria arrombar minha porta”, relatou.

Jovem diz que teve arma apontada para o rosto

Ainda conforme o relato da estudante, depois que abriu a porta, um dos policiais teria apontado uma arma para seu rosto e atingido o celular que estava em sua mão.

“Quando, de repente, um policial apareceu com uma arma no meu rosto, bateu a mão no meu celular, o qual despedaçou, e falou que queria nomes”, contou.

Thaina afirma que os policiais queriam informações sobre possíveis traficantes e teriam dito que ela poderia ser presa caso não fornecesse os nomes. A jovem também relata ter sido ameaçada com a possibilidade de policiais colocarem drogas dentro de sua residência.

Segundo a versão apresentada pela estudante, ao afirmar que não conhecia nenhum traficante, ela teria sido agredida. Em seu relato publicado nas redes sociais, afirmou que recebeu tapas no rosto e sofreu um corte dentro da boca.

A jovem publicou imagens nas redes sociais nas quais aparece um rastro de sangue que, segundo ela, teria sido provocado pelas agressões.

Filho de três anos teria presenciado abordagem

Thaina também afirmou que o episódio teve impacto sobre o filho, que teria presenciado parte da situação.

“Eu saio de casa às 5h da manhã, chego às 23h e vou cuidar dos que eu tenho responsabilidade, meu filho e minha avó, que é acamada. Eu jamais imaginaria passar por nada disso na minha vida; é um trauma e tanto, não só para mim, mas para o meu filho”, declarou.

A estudante afirmou ainda que pretende buscar responsabilização pelos fatos e que considera o episódio uma experiência traumática.

Corregedoria da PM investiga denúncia

A Polícia Militar de Mato Grosso informou que a Corregedoria-Geral recebeu a denúncia na terça-feira (11) e instaurou um procedimento para identificar os policiais envolvidos e apurar as circunstâncias da ocorrência.

Em nota, a corporação afirmou que não compactua com abuso de autoridade, violência ou qualquer outro tipo de crime cometido por integrantes da instituição.

A investigação deverá esclarecer a dinâmica da abordagem, a atuação dos policiais e as circunstâncias das supostas agressões relatadas pela estudante. As acusações apresentadas por Thaina ainda serão apuradas pelas autoridades responsáveis.

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Família inicia campanha para levar ao Maranhão corpo de jovem vítima de feminicídio em Cuiabá

Além do filho de 3 anos, Ana Cristina deixa outro filho, que possui necessidades especiais.

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A família de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, iniciou uma mobilização para conseguir recursos para o translado do corpo da jovem, assassinada neste sábado (15), em Cuiabá. Natural de Viana, no Maranhão, Ana Cristina deverá ser sepultada no Estado de origem.

Familiares estão recorrendo à solidariedade para custear as despesas do transporte. Uma campanha foi divulgada nas redes sociais e recebe contribuições de qualquer valor por meio de Pix.

Ana Cristina foi baleada na nuca dentro da quitinete onde morava, no bairro Alvorada. O crime teria ocorrido durante uma discussão com o namorado, Fabiano Oliveira Borges, conhecido como “Pépi”, que é apontado pela investigação como autor do disparo e está foragido.

Segundo informações da Polícia Civil, a ocorrência foi registrada por volta das 6h30. Moradores relataram ter ouvido um disparo e, posteriormente, viram Fabiano deixando o local em uma motocicleta.

A criança de Ana Cristina, de apenas 3 anos, estava no imóvel no momento do crime. Conforme o relato da ocorrência, após o disparo, o suspeito teria deixado o local e trancado a criança dentro da quitinete junto com a mãe.

Ana Cristina foi encontrada gravemente ferida e encaminhada ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas não resistiu aos ferimentos.

O relacionamento entre a vítima e o suspeito teria cerca de um mês. Fabiano é proprietário de uma assistência técnica localizada no bairro Alvorada.

Além do filho de 3 anos, Ana Cristina deixa outro filho, que possui necessidades especiais.

A Polícia Civil investiga o caso e realiza buscas para localizar o suspeito.

Como ajudar

As pessoas que desejarem contribuir com a família podem realizar doações de qualquer valor por meio do Pix:

Chave Pix: 65993341835
Nome: Itamar de Jesus Matos

Os recursos serão destinados às despesas necessárias para levar o corpo de Ana Cristina ao Maranhão.

ANA CRISTINA PACHECO MATOS

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