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Diversidade e inclusão no marketing e na publicidade: um caminho inadiável

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Cláudio Cordeiro, é consultor de marketing político e eleitoral, CEO da Gonçalves Cordeiro, publicitário e advogado
Cláudio Cordeiro, é consultor de marketing político e eleitoral, CEO da Gonçalves Cordeiro, publicitário, presidente do Sinapro e advogado

Por Cláudio Cordeiro

Nos últimos anos, os conceitos de diversidade e inclusão se tornaram centrais nas discussões sobre marketing e publicidade. Cada vez mais, consumidores exigem que as marcas adotem uma postura clara em relação à valorização das diferenças e ao combate à discriminação. Não se trata mais de uma tendência passageira, mas de um compromisso inadiável com a representatividade e a criação de um mercado mais inclusivo, no qual todos tenham voz e espaço.

O marketing sempre teve o papel de refletir e moldar a sociedade, e as campanhas publicitárias desempenham um papel crucial na forma como vemos e compreendemos o mundo ao nosso redor. Quando falamos de representatividade, estamos nos referindo à presença de diferentes grupos sociais, em termos de gênero, raça, orientação sexual, idade, classe social, entre outros, nas mensagens que as marcas compartilham.

A falta de representatividade no passado criou um vácuo onde muitos consumidores não se viam nas campanhas publicitárias. Esse cenário começou a mudar, com marcas que passaram a incluir pessoas de diferentes origens e histórias em suas estratégias de comunicação. Campanhas inclusivas, que celebram a diversidade em todas as suas formas, têm o potencial de criar conexões emocionais profundas com os consumidores, gerando identificação e lealdade.

Mais do que um reflexo social, diversidade é uma estratégia de negócios. Estudos mostram que consumidores, especialmente os mais jovens, preferem marcas que abraçam a inclusão e que se posicionam em relação a causas sociais importantes. As empresas que investem em campanhas inclusivas não estão apenas fazendo o “politicamente correto”, mas respondendo às demandas de um mercado que valoriza e recompensa a diversidade.

No entanto, inclusão vai além da simples presença de pessoas diversas nas campanhas publicitárias. É necessário garantir que todos os grupos sejam representados de forma digna e autêntica. Não basta apenas incluir uma pessoa negra, uma mulher ou uma pessoa com deficiência em uma peça publicitária se essa inclusão não for acompanhada de uma narrativa genuína e respeitosa. A inclusão é sobre dar espaço para que essas vozes e experiências sejam ouvidas e valorizadas.

Para alcançar isso, é fundamental que as marcas escutem essas vozes. Equipes criativas e de marketing precisam ser compostas por pessoas de diversas origens e perspectivas. Isso não só enriquece o processo criativo, mas também garante que a mensagem da campanha seja inclusiva em sua essência, evitando estereótipos e clichês que podem causar mais mal do que bem.

Campanhas publicitárias têm o poder de influenciar comportamentos e atitudes, e o impacto de uma campanha inclusiva vai além do marketing. Ao promover a diversidade e a inclusão, as marcas ajudam a normalizar o que, muitas vezes, ainda é visto como “diferente” ou “estranho. Quando uma marca exibe em sua comunicação pessoas de diferentes raças, gêneros ou corpos, ela está dizendo ao mundo que todos pertencem e que suas experiências são válidas.

Esse tipo de abordagem não apenas melhora a percepção da marca, mas também contribui para uma sociedade mais inclusiva. Quando consumidores veem a si mesmos ou a pessoas semelhantes a eles em campanhas publicitárias, isso gera um senso de pertencimento, autoestima e empoderamento. As marcas, portanto, têm uma responsabilidade social em suas mãos, e podem escolher ser agentes de mudança ou perpetuadores de um status quo excludente.

Incorporar a diversidade nas estratégias de comunicação vai muito além de campanhas publicitárias isoladas. Trata-se de um compromisso contínuo e presente em todas as ações da marca. É preciso que os princípios de inclusão estejam presentes em cada ponto de contato com o consumidor, seja nas redes sociais, no atendimento ao cliente ou nos eventos de marca.

Além disso, a diversidade deve ser um valor interno da empresa. Marcas que promovem inclusão nas suas campanhas, mas não refletem esses valores dentro de suas equipes, acabam gerando desconfiança e descredibilização. O público está cada vez mais atento à coerência entre o discurso e a prática.

Adotar práticas inclusivas no marketing e na publicidade não é isento de desafios. Em muitos casos, é necessário lidar com resistências internas e externas, assim como ajustar abordagens para evitar erros. Um dos maiores riscos que as marcas enfrentam é o “pinkwashing” ou “greenwashing”, quando se utiliza causas sociais como marketing sem um compromisso real com essas pautas. Para evitar isso, é essencial que a diversidade e a inclusão sejam genuinamente parte da missão e dos valores da marca.

Por outro lado, as oportunidades são imensas. Marcas que conseguem estabelecer uma conexão verdadeira e autêntica com seu público a partir de uma comunicação inclusiva estão criando relações duradouras. Essa conexão emocional transcende o consumo, e consumidores que se identificam com os valores de uma marca tendem a ser mais fiéis e a recomendar essa marca para suas redes de contato.

A diversidade e a inclusão são mais do que imperativos éticos; são elementos centrais para o sucesso de estratégias de marketing no século XXI. As marcas que investem em campanhas publicitárias inclusivas e que verdadeiramente celebram as diferenças estão posicionando-se à frente de um mercado em transformação, onde os consumidores estão cada vez mais conscientes e exigentes.

A valorização da diversidade cria laços emocionais mais fortes, fideliza o consumidor e, ao mesmo tempo, contribui para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Cabe às marcas não apenas seguir essa tendência, mas liderá-la, com autenticidade, respeito e propósito.

Cláudio Cordeiro, é consultor de marketing político e eleitoral, CEO da Gonçalves Cordeiro, publicitário, presidente do Sinapro e advogado.

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Um lembrete de amor, fé e cuidado com a vida

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Nesta última semana de outubro, o Outubro Rosa reforça uma mensagem essencial: a mulher precisa se cuidar e entender que o câncer tem cura quando descoberto cedo.

O diagnóstico precoce salva vidas e deve ser uma prioridade.

O Outubro Rosa é um movimento que convida todas as mulheres a olharem com mais atenção para si mesmas, lembrando da importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero.

Essa é uma causa que vai muito além do laço cor-de-rosa. Representa um chamado à responsabilidade e ao amor-próprio, lembrando que cuidar da saúde é um gesto de força e de esperança.

Falo com o coração de quem já viveu essa experiência. Enfrentei um câncer agressivo e sei o quanto esse momento é difícil. Foram dias de medo e incerteza, mas também de fé e aprendizado.

Hoje, graças a Deus, estou curada e posso afirmar que é possível vencer. Por isso, incentivo todas as mulheres a fazerem seus exames regularmente e a buscarem ajuda médica sempre que algo parecer diferente.

Durante o tratamento, percebi o quanto o apoio do Mauro, dos meus filhos e dos amigos foi fundamental. O amor e o carinho deles me fortaleceram e me ajudaram a superar os dias mais difíceis. Nenhuma mulher deve enfrentar essa luta sozinha.

O Outubro Rosa representa a união entre amor, fé e coragem. Ele nos lembra que cuidar da saúde é um gesto de amor pela vida, e que atitudes simples, como o autoexame e os exames de rotina, podem fazer toda a diferença.

Previna-se. Ame-se. Cuide-se.

A vida é um presente de Deus, e cuidar dela é o gesto mais bonito de amor.

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Charlie Kirk e a lição sobre quando falar — e quando calar

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A morte violenta de Charlie Kirk, ativista conservador norte-americano assassinado na última semana, expôs um dilema comum a empresários, políticos e figuras públicas: em meio a tragédias e polêmicas, o que fazer? Falar, calar ou apenas observar?

Esse é o tipo de decisão que não pode ser tomada por impulso. No universo da comunicação estratégica, cada palavra, cada silêncio e até mesmo a ordem em que as frases aparecem podem se transformar em arma contra quem fala.

O peso das palavras em momentos de crise

O risco de um posicionamento mal conduzido é grande. Uma declaração pública pode ser interpretada de forma completamente diferente da intenção original, principalmente em um ambiente polarizado.

Um empresário que se manifesta de forma fria pode ser tachado de insensível. Um político que fala em excesso pode ser acusado de oportunista. Uma figura pública que tenta ser neutra pode acabar sendo vista como incoerente.

O erro mais comum é falar demais — ou falar errado. Expressões mal colocadas, frases ambíguas ou até mesmo o tom da voz podem transformar uma nota de pesar em polêmica nacional. E quando isso acontece, o estrago é imediato: trending topics, críticas virais, cancelamento e, em alguns casos, desgaste irreversível da reputação.

A função do assessor de imprensa

É nesse ponto que entra o papel crucial da assessoria de imprensa: orientar sobre como falar, quando falar e até se deve falar.

O posicionamento precisa atender a três pilares:

  1. Clareza – sem metáforas, sem floreios. A mensagem precisa ser direta e compreensível para todos.
  2. Empatia – reconhecer a dor da perda de uma vida, sem entrar em disputas ideológicas.
  3. Limite – parar no ponto certo, evitando transformar solidariedade em debate político.

Melhor calar ou se comover?

A pergunta central permanece: é melhor se calar ou se comover?

A resposta é: depende. Se o cliente não tem nenhuma ligação com a vítima ou com o contexto, o silêncio pode ser a escolha mais prudente. Já em casos em que há proximidade — seja política, profissional ou até pública —, o silêncio pode ser interpretado como descaso.

Na maioria dos cenários, a comoção respeitosa é o caminho mais seguro. Um comunicado breve, que expressa condolências e respeita a dor dos envolvidos, preserva a imagem e afasta interpretações negativas.

O que não fazer

  • Jamais transformar tragédia em palanque político.
  • Evitar comparações com outras mortes ou casos.
  • Não usar ironias ou adjetivos que possam acirrar ânimos.

Reputação é ativo de longo prazo

Cuidar da reputação não é apenas apagar incêndios quando eles surgem, mas construir uma imagem sólida que resista às tempestades. A forma como empresários, políticos e personalidades reagem a momentos delicados define como serão lembrados: como pessoas sensíveis e responsáveis ou como oportunistas e insensíveis.

No fim, a lição é simples: em tempos de crise, menos é mais — desde que esse “menos” carregue humanidade, clareza e estratégia.

Ana Barros é jornalista especialista há mais de 15 anos em assessoria de imprensa

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Leucemia pode ser confundida com dengue hemorrágica e atrasar tratamento

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Com o crescimento dos surtos de dengue, nos últimos meses, é preciso cuidado redobrado de pacientes e profissionais da saúde. Como os sintomas da dengue são semelhantes aos da leucemia, o alerta é importante. Afinal, se os sintomas da leucemia são confundidos com os de dengue, pode haver um atraso significativo para o início eficiente do tratamento. As duas doenças podem causar febre, dor de cabeça, fraqueza, manchas pelo corpo, fadiga, sangramentos no nariz, boca e gengiva, além de outras manifestações que precisam ser investigadas rapidamente.
O alerta é fundamental no Fevereiro Laranja, campanha nacional de conscientização sobre a leucemia e a importância do diagnóstico precoce para o tratamento adequado. Esse tipo de câncer afeta a medula óssea, responsável pela produção das células do sangue, incluindo leucócitos, hemácias e plaquetas.

Há relatos de pacientes, com leucemia, que foram diagnosticados inicialmente com dengue hemorrágica por conta dos sintomas. Um desses casos ocorreu em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Uma paciente de 29 anos teve o diagnóstico de suspeita de dengue. Como piorou com o passar dos dias, foram feitos vários exames. Foi, então, descoberto que ela estava com 93% da medula comprometida com leucemia. Estudos apontam que esse equívoco na hora do diagnóstico, além de angustiar pacientes que não melhoram em semanas, atrasa a forma de tratar a doença.

É preciso lembrar, nesse contexto, que a leucemia ocupa a décima posição entre os cânceres mais frequentes no Brasil. As células passam a se multiplicar de forma descontrolada. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre 2023 e 2025, a estimativa é de 11.540 novos casos por ano no Brasil. Geralmente, a doença é diagnosticada em adultos jovens e crianças. A incidência é ligeiramente maior em homens (6.250 casos) do que em mulheres (5.290 casos). Pode afetar desde crianças até idosos, embora alguns tipos sejam mais comuns em determinadas faixas etárias.

Os sintomas da leucemia podem variar conforme o tipo e avanço da doença. Nas leucemias agudas, os sinais costumam ser súbitos e intensos, como fraqueza extrema, palidez, tonturas, taquicardia, sangramentos nas gengivas ou nariz, manchas roxas na pele e infecções recorrentes. No caso das leucemias crônicas, os sintomas podem ser mais sutis, muitas vezes sendo detectados em exames de rotina, como o hemograma.

Os principais tipos de leucemias são: leucemia linfoide aguda – mais comumente observado em crianças e apresenta rápido desenvolvimento; leucemia linfoide crônica – afeta principalmente indivíduos adultos, geralmente a partir dos 50 anos, tem crescimento mais lento e raramente ocorre em crianças; leucemia mielóide aguda – é o tipo mais comum de leucemia em adultos, tem desenvolvimento muito rápido e raramente ocorre em crianças; e leucemia mielóide crônica – caracteriza-se por uma produção excessiva de glóbulos brancos, com uma evolução lenta e acomete em geral pessoas idosas.

A leucemia aguda é mais grave. A medula óssea deixa de produzir células saudáveis. Há uma queda drástica na imunidade, anemia e risco de sangramentos. O tratamento, neste caso, precisa ser iniciado o mais rápido possível. Nas últimas décadas, houve uma evolução nas formas de tratamento. A quimioterapia ainda é a base do tratamento. Há, no entanto, outras estratégias como imunoterapia e o transplante de medula óssea.

É importante ressaltar que a doença exige atenção redobrada, tanto por parte da população quanto dos profissionais de saúde. Afinal, como todo tipo de câncer, quanto mais cedo for identificada a doença, maiores são as chances de tratamento. Ela é diagnosticada por amostras de sangue e medula óssea, que servem para identificar as alterações celulares.

A conscientização feita no Fevereiro Laranja reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos. Com os avanços da medicina, a leucemia é identificada nos estágios iniciais. Por isso, é importante prestar atenção aos sinais do corpo e realizar exames periódicos. Além disso, apoiar campanhas de doação de medula óssea é uma forma de ajudar pacientes que precisam desse procedimento para sobreviver.

Carlos Aburad é médico patologista
Arlindo Aburad é dentista, doutor em Patologia Bucal pela USP

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