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Mato Grosso

MULHERES NO AGRO NÃO SÃO “PESSOAS QUE MENSTRUAM”

FLAVIANE RAMALHO é advogada há 21 anos, com pós-graduações em Direito Agrário, Direito Previdenciário, e Direito do Agronegócio

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Durante séculos, as mulheres lutaram para conquistar direitos que hoje parecem naturais. O direito ao voto, ao estudo, ao trabalho, à participação política e à ocupação de espaços de liderança não foram concessões espontâneas da sociedade, mas resultados de décadas — e até séculos — de luta, perseverança e resistência feminina.

 

No Brasil, a igualdade entre homens e mulheres foi consagrada pela Constituição Federal de 1988, e estabelece que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Entretanto, muito antes da proteção constitucional, milhares de mulheres enfrentaram preconceitos e barreiras para conquistar direitos básicos, inclusive o direito ao divórcio, à autonomia patrimonial, à participação política e à independência profissional.

 

Diversas leis brasileiras foram construídas especificamente para proteger as mulheres em razão de desigualdades historicamente existentes. A Lei Maria da Penha, as políticas de combate à violência doméstica, as cotas de participação política, as normas de proteção à maternidade e as políticas públicas voltadas à saúde da mulher são exemplos de direitos que nasceram justamente do reconhecimento da condição feminina.

 

Hoje, as mulheres estão presentes em todos os setores da sociedade. No agronegócio, um dos pilares da economia brasileira, a presença feminina cresce de forma expressiva. São agricultoras, produtoras rurais, pecuaristas, engenheiras agrônomas, médicas veterinárias, técnicas agrícolas, administradoras, pesquisadoras, tratoristas e advogadas especializadas em Direito Agrário, demonstrando que competência, dedicação e liderança não possuem barreiras.

 

A mulher do campo deixou de ser apenas colaboradora da propriedade rural para assumir funções de gestão, administração, sucessão familiar e liderança empresarial. Muitas propriedades rurais já são conduzidas integralmente por mulheres, que conciliam a produção, a gestão e a participação em entidades representativas do setor.

 

Entretanto, um novo debate vem preocupando muitas mulheres. Em alguns discursos e documentos, a palavra “mulher” vem sendo substituída por expressões como “pessoas que menstruam”, “pessoas que gestam” ou “corpos gestantes”.

 

Para a grande maioria das mulheres, essas terminologias representam um retrocesso. Isso porque a identidade feminina não se resume a uma função biológica. A palavra “mulher” carrega uma construção histórica, jurídica, cultural e social que não pode ser reduzida apenas à capacidade de menstruar ou gestar.

As mulheres não lutaram durante décadas para serem chamadas de “pessoas que menstruam”. Lutaram para serem reconhecidas como mulheres: mulheres que menstruam, mulheres que gestam, mulheres que são mães, profissionais, empreendedoras, produtoras rurais e protagonistas de suas próprias histórias.

 

Defender a palavra “mulher” não significa negar direitos ou desrespeitar outras pessoas. Significa reconhecer que a identidade feminina possui uma trajetória histórica construída ao longo de gerações. As próprias políticas públicas destinadas às mulheres existem porque o Estado reconheceu desigualdades específicas enfrentadas pelas mulheres ao longo da história.

 

No agronegócio, esse reconhecimento é ainda mais importante. As mulheres conquistaram espaço em um setor historicamente masculino e transformaram a realidade do campo brasileiro. Elas produzem alimentos, geram empregos, administram propriedades e contribuem diretamente para o desenvolvimento econômico do país.

 

A evolução da sociedade deve ampliar direitos e promover respeito a todos. Contudo, ampliar direitos não exige apagar a história das mulheres nem substituir uma identidade construída ao longo de séculos de lutas e conquistas.

 

Ademais, a discussão sobre representatividade também se torna sensível quando cargos ou espaços destinados à representação das mulheres são ocupados por pessoas trans. A questão levantada não diz respeito à dignidade ou aos direitos individuais, mas à experiência histórica feminina. Assim como uma pessoa branca não vivencia a história do racismo sofrido pela população negra apenas por se identificar com ela, muitas mulheres entendem que as experiências relacionadas à condição feminina — como a desigualdade histórica, a maternidade, a violência de gênero e as lutas sociais das mulheres — constituem uma trajetória própria, que não pode ser simplesmente transferida ou substituída.

 

Reitero que as mulheres do agro não são “pessoas que menstruam”. São mulheres que produzem, lideram, empreendem, educam, administram, gestam, cuidam e ajudam a alimentar o Brasil e o mundo.

 

A sociedade deve avançar, mas jamais retroceder no reconhecimento da identidade das mulheres e das conquistas alcançadas por gerações de mulheres que abriram caminho para aquelas que hoje ocupam o campo, as empresas, as universidades, os tribunais e todos os espaços da vida pública.

 

Por FLAVIANE RAMALHO – advogada há 21 anos, com pós-graduações em Direito Agrário, Direito Previdenciário, e Direito do Agronegócio, Membro da Comissão de Direito Agrário da OAB/MT, Membro da Academia Brasileira de Direito do Agronegócio – ABRADA, Certificada Quality Brasil, Membro Certificada do LAQI, integrando o modelo de Excelência Latino-Americano, e condecorada internacionalmente “The Lawyer of the Year 2025 – Highly Commended pelo Latin American Quality Institute, e Global Law Firm Quality Certification 2025.

 

 

 

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Mato Grosso

Comunicadores de MT estão na maior obra de marketing eleitoral do país

Os autores revisitam episódios históricos que ficaram conhecidos por erros de projeção eleitoral e discutem fenômenos contemporâneos, como o voto envergonhado, a espiral do silêncio e os impactos das bolhas digitais sobre a formação da opinião pública.

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Humberto Frederico, Claudia Cadore, Kleber Lima e Claudio Cordeiro assinam capítulos na nova obra nacional do CAMP, que reúne mais de 40 especialistas

Lançado nesta terça-feira (23), durante o Compol Brasil, em Florianópolis (SC), o livro Marketing Político no Brasil 2 – Eleições, produzido pelo CAMP (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político) reúne mais de 40 especialistas de todo o país para discutir os desafios e as transformações das campanhas eleitorais. Entre os autores estão os mato-grossenses Humberto Frederico, Claudia Cadore, Kleber Lima e Claudio Cordeiro, que assinam capítulos sobre pré-campanha, pesquisas eleitorais e comunicação digital.

O jornalista e estrategista político Humberto Frederico, aborda um tema que tem ganhado relevância crescente nos processos eleitorais: a profissionalização da pré-campanha. No capítulo, ele defende que o trabalho realizado antes do período oficial de campanha pode ser determinante para o desempenho de candidatos e grupos políticos.

Segundo o autor, planejamento, posicionamento, construção de imagem e definição de equipe são etapas que precisam começar muito antes da disputa eleitoral. A análise mostra como candidatos que estruturam a comunicação de forma antecipada tendem a chegar mais preparados ao período decisivo da campanha.

Outro destaque da publicação é o artigo “Pesquisas em Xeque”, assinado pelos jornalistas e pesquisadores Claudia Cadore e Kleber Lima. O texto analisa os desafios enfrentados pelos institutos de pesquisa em um cenário marcado pela polarização política, pelo crescimento das redes sociais e pelas mudanças no comportamento do eleitor.

Os autores revisitam episódios históricos que ficaram conhecidos por erros de projeção eleitoral e discutem fenômenos contemporâneos, como o voto envergonhado, a espiral do silêncio e os impactos das bolhas digitais sobre a formação da opinião pública.

Já Cláudio Cordeiro, publicitário e estrategista político, assina o capítulo “WhatsApp: o Pulo do Gato na Comunicação Política”. Na análise, ele apresenta o aplicativo como uma das ferramentas mais influentes da comunicação política contemporânea, indo além do uso tradicional para envio de mensagens.

O autor defende que o WhatsApp se consolidou como um ambiente de relacionamento, mobilização e construção de confiança entre lideranças e cidadãos. O capítulo destaca a importância de utilizar a ferramenta com estratégia, ética e respeito à legislação eleitoral, transformando a proximidade digital em conexões reais com o eleitor.

O livro já está disponível na Livraria do COMPOL e, em breve, estará disponível para compras online.

Informações da Assessoria

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Mato Grosso

1º Concurso Qualidade do Café é lançado para reconhecer o valor dos produtores de Mato Grosso

A secretária da Seaf, Andréia Fujioka, destaca que o café mato-grossense terá valor agregado pelo reconhecimento da sua qualidade.

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“O nosso café tem grande potencial, pois trabalhamos com dedicação para produzir com qualidade. Fazemos o controle de pragas e investimos em adubação do solo para que a produção atenda à exigência do mercado consumidor. Eu acredito que o concurso vai nos trazer mais visibilidade e, assim, poderemos acessar novos mercados e aumentar nosso faturamento”, disse Adriana Cristina da Silva, produtora rural e primeira inscrita no ‘1º Concurso Qualidade do Café de Mato Grosso’, sob o tema: valorizando origens, impulsionando negócios.

A iniciativa é resultado da parceria do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT) e do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) e da Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT). O lançamento do concurso ocorreu neste sábado (20.06), em Colniza e contou com cerca de 200 participantes entre produtores rurais da região, autoridades e parceiros. As inscrições do concurso seguem até o dia 31 de julho e podem ser feitas direto pelo site oficial AQUI.

O concurso pretende enaltecer a cafeicultura de Mato Grosso por meio da valorização do processo de origem do produto, incentivo da melhoria da qualidade dos grãos e criação de oportunidades de mercado para os produtores. Wlademir Silva, gerente da regional Noroeste do Sebrae/MT, destaca que a ação inovadora é um sonho que se concretiza com a união de propósitos e a construção que envolve muitas mãos.

“O Sebrae acredita que a parceria de instituições fortalece o pequeno negócio rural. O propósito deste projeto é promover o setor cafeeiro de Mato Grosso e mostrar a força da produção do nosso estado. Acreditamos que o primeiro Concurso da Qualidade do Café vai melhorar e valorizar a agricultura familiar”, disse o gerente.

O concurso é uma das ações que promovem e fortalecem a agricultura familiar e impulsiona a cadeia produtiva do grão, que tem ganhado cada vez mais reconhecimento pela modernização do cultivo e qualidade em diversas regiões de Mato Grosso. A secretária da Seaf, Andréia Fujioka, destaca que o café mato-grossense terá valor agregado pelo reconhecimento da sua qualidade.

“Essa valorização do produto proporcionará abertura de novos mercados e consequentemente aumento na demanda e lucro. Se o produto tem qualidade, o proprietário rural pode ser ainda mais rentabilizado. Os nossos cafeicultores têm muita aptidão para alcançar este marco”, afirma a secretária.

Potencial produtivo

O agricultor de Colniza, à Noroeste do estado, Huber Vinicius Teixeira Gerke, lembra que o município é considerado a Capital do café de Mato Grosso pela sua expressiva produção, mas lembra que outras regiões também abriram suas áreas para a cafeicultura e demonstraram o potencial das terras mato-grossenses para o cultivo do grão.

“O Concurso Qualidade do Café nos incentiva a adotar boas práticas de produção para elevar o nível da entrega que fazemos ao mercado e, com isso, nossa atividade será ainda mais competitiva. Iniciativas como essa mostram para a sociedade a importância destas contribuições no desenvolvimento socioeconômico”, relata.

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Mato Grosso

“Brasil Mais Produtivo” impulsiona ganhos de competitividade e já beneficia mais de 400 indústrias em Mato Grosso

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Impulsionar a produção, reduzir desperdícios e aumentar a competitividade são três dos maiores desafios para a indústria brasileira. Em Mato Grosso, desde 2024, o Governo Federal, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai MT) e diversas instituições, atua por meio do programa “Brasil Mais Produtivo” (B+P), que já atendeu mais de 400 indústrias no estado até o momento.

Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e executado por instituições como: Senai MT, Sebrae, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES, o programa tem como objetivo fortalecer a produtividade e a competitividade das micro, pequenas e médias empresas industriais por meio de consultorias especializadas, diagnósticos técnicos e implementação de melhorias voltadas à eficiência operacional e eficiência energética. Neste ano, a meta do programa é atender 275 indústrias.

Dentre as modalidades executadas pelo Senai MT, está a consultoria em “Manufatura Enxuta (Lean Manufacturing)”. A metodologia atua diretamente na eliminação de desperdícios, otimização de fluxos produtivos, reorganização de processos e melhoria da gestão operacional.

Exemplo

A Rico Nutrição Animal é uma das indústrias atendidas pelo programa. De acordo com o diretor Rodrigo Ontiveros, um estudo interno constatou que a empresa não atingia as metas de produção e, por esse motivo, buscou a consultoria.

“Ficávamos no escuro. Eu tinha ideia da produtividade do equipamento, por tipo de produção, mas não alcançávamos aquele número. Existia muita perda de tempo e de produtividade, sem que pudéssemos identificar o porquê. Um dos motivos, é porque não tínhamos dados suficientes do que estava acontecendo”, revela.

Os números demonstram a efetividade da iniciativa. As empresas participantes registraram aumento médio de 40% na produtividade e retorno médio do investimento em até seis meses, além de melhorias significativas na organização dos processos, redução de perdas, aumento da capacidade produtiva e maior previsibilidade das operações.

“O Senai, desde sempre, buca nos aproximar às oportunidades que a tecnologia tem a oferecer. Inicialmente, eu via uma barreira na implementação das soluções apresentadas, mas o Senai foi fundamental para desmistificar isso. Considero que o maior ganho foi o planejamento: o sistema de medições diárias e os relatórios que extraímos durante a semana quando implantamos a metodologia mostra que conseguimos dobrar nossa produção”, ressalta Ontiveros.

Produtividade

Para a diretora do Senai MT, Fernanda Campos, resultados como a da Rico Nutrição Animal demonstram que a produtividade é um dos principais caminhos para fortalecer a indústria.

“A competitividade da indústria está diretamente ligada à sua capacidade de produzir melhor, com mais eficiência e menos desperdícios. O ‘Brasil Mais Produtivo’ tem mostrado que, independentemente do porte da empresa, sempre existem oportunidades de melhoria capazes de gerar resultados expressivos. Quando levamos conhecimento técnico para dentro das indústrias, estamos contribuindo não apenas para o crescimento delas, mas também para o fortalecimento da economia de Mato Grosso como um todo”, destaca.

Além dos ganhos operacionais, o programa contribui para a sustentabilidade financeira dos negócios, melhora a capacidade de resposta às demandas do mercado e cria condições para novos investimentos e expansão das atividades produtivas.

A gerente executiva de Tecnologia e Inovação do Senai MT, Naiara Galliani, pontua que o diferencial da iniciativa está na aplicação prática das soluções dentro da realidade de cada empresa.

“O programa trabalha com resultados concretos. As consultorias são construídas a partir das necessidades identificadas em cada indústria, considerando suas características, desafios e potencialidades. Isso faz com que as melhorias implementadas gerem impactos mensuráveis e sustentáveis ao longo do tempo, fortalecendo a cultura da melhoria contínua dentro das organizações”, afirma.

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