Os geossítios presentes em Chapada dos Guimarães são mais do que simples formações naturais, eles são verdadeiros ícones na produção audiovisual brasileira. Este notável destino, no coração de Mato Grosso, a apenas 65 km de sua capital Cuiabá, tem sido destaque nacional ao ser escolhido para variadas produções audiovisuais, e já faz tempo esse sucesso.
Basta relembrar a abertura da novela “Fera Ferida”, da Rede Globo. “A abertura da novela foi desenvolvida pelo designer Hans Donner e sua equipe. Uma onça, representada por uma câmera virtual e uma sombra, percorria campos, grutas, cavernas e Chapada. Durante a corrida da onça, a câmera descia e subia, como se o olho do telespectador fosse o do animal. Os créditos passavam voando, como se fossem levados pela velocidade da fera. Todos os movimentos eram sincronizados com a canção ‘Fera Ferida’, de Roberto Carlos, interpretada por Maria Bethânia. Ao final, os olhos brilhantes e os longos dentes da onça apareciam sobre o nome da novela”, diz trecho do Memorial da TV Globo.
Dois anos antes da equipe Hans Donner desembarcar em Mato Grosso e subir a estrada de Chapada, a MT-251, para captar as cenas que iriam hipnotizar espectadores de todo o Brasil, outro grande acontecimento já havia agitado a pacata cidade. “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, novela épica e belíssima da Rede Manchete, mostrou Chapada dos Guimarães para o Brasil.
Escrita por Marcos Caruso e Rita Buzzar, com a colaboração de Jandira Martini, foi idealizada e dirigida por Jayme Monjardim. O elenco era formado por grandes e estrelas como Almir Sater, Ingra Liberato, Paulo Gorgulho, Micaela Góes, Carlos Gregório, Giuseppe Oristânio que passaram meses gravando em diversos cenários do município, como Vale do Rio Claro, Mirante, e até mesmo no centro da cidade.
A História de Ana Raio e Zé Trovão é uma telenovela brasileira produzida pela extinta Rede Manchete e exibida originalmente de 12 de dezembro de 1990 a 13 de outubro de 1991 às 21h30, em 251 capítulos. Foi a segunda telenovela mais longa da Rede Manchete e boa parte dela foi gravada em Chapada dos Guimarães. Inclusive a renomada artista Anna Amélia Marimon desenhou, fabricou artesanalmente e forneceu roupas e acessórios feitos em couro para toda a produção do filme, por meio do ateliê Marimon Stephan, de Cuiabá. “Capas de revistas, capa dos discos, fotos oficiais na novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, Almir Sater, Ingra Lyberato vestiam nossas criações”, disse Anna Amélia a reportagem.
Mais recentemente, em 2006, a telenovela Bicho do Mato produzida e exibida pela Rede Record, era pra ser gravada em Mato Grosso do Sul, mas o roteiro foi transferido para Mato Grosso, tendo cenas gravadas em Chapada dos Guimarães. Em 2009, a Rede Globo voltou a gravar em Chapada, com a novela Paraíso, estrelada por Eriberto Leão e Natália Dill.
Além da teledramaturgia, há um apelo dos cineastas, que têm Chapada como um dos sets preferidos em Mato Grosso. Diversos filmes longas metragens são gravados no município, como o longa Beatriz Vira Folhas, Memória de Elefante, a série Portão do Inferno – Casos Arquivados, entre tantos outros.
Chapada dos Guimarães conta ainda com o privilégio de ter em sua comunidade grandes artistas do audiovisual, como Luiz Borges, cineasta cuiabano, residente há mais de 30 anos no bairro Aldeia Velha, sendo reconhecido por suas obras que exploram temas da histórias e elementos visuais que são ligados à região de Mato Grosso. Amauri Tangará, diretor, ator e dramaturgo, nascido no Paraná, reside há décadas em Chapada, e possui também vasta experiência em teatro, atividade a que se dedica há 40 anos, com a Cia D’Artes do Brasil.
Geossítios – sets perfeitos
No coração desse potencial estão os geossítios do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que combinam beleza cênica, relevância científica e valor histórico. Entre os destaques está a Cachoeira Véu de Noiva, principal cartão-postal da região, com acesso por trilha leve até um mirante com vista privilegiada do vale do córrego Coxipózinho. Outro ponto de grande importância é a Casa de Pedra, formação geológica resultante de processos erosivos e que também possui relevância histórica, com registros de uso como abrigo durante a Coluna Prestes e presença de inscrições rupestres.
O Circuito das Cachoeiras e a Trilha dos Fósseis integram turismo e ciência em um percurso de aproximadamente 8 quilômetros, onde é possível observar fósseis marinhos, estruturas geológicas e a diversidade do cerrado. Já a Cidade de Pedra se destaca pelos paredões esculpidos ao longo de milhões de anos, sendo um dos cenários mais emblemáticos da Chapada e frequentemente utilizado em produções audiovisuais.
Outros atrativos como o Morro São Jerônimo, a Crista do Galo e as Cachoeiras dos Namorados e Cachoeirinha completam o conjunto de geossítios que fazem do parque um verdadeiro laboratório a céu aberto.
Chapada dos Guimarães continua a encantar e inspirar, seja por sua beleza natural ou por seu papel significativo na cultura popular. Este reconhecimento nacional e internacional reafirma o valor inestimável de Chapada dos Guimarães, não apenas como um destino turístico, mas também como um patrimônio cultural que enriquece a identidade brasileira.