O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) usou as redes sociais para criticar duramente uma decisão da Justiça que negou o pagamento de pensão aos dois filhos de Raquel Cattani, assassinada em julho de 2024, em Mato Grosso. Em vídeo publicado no Instagram, o parlamentar classificou a medida como uma “inversão de valores” no Judiciário brasileiro.
Durante o desabafo, Cattani destacou que, enquanto os netos não terão acesso ao benefício, os responsáveis pelo crime — o ex-marido da vítima, Romero Xavier, e o irmão dele, Rodrigo Xavier — continuam tendo direitos assegurados dentro do sistema prisional.
“O tio deles que deu 34 facadas na mãe deles pode receber na cadeia. O pai deles, que mandou fazer isso, também pode receber”, afirmou. Ele ainda ironizou as condições oferecidas aos detentos, citando acesso a alimentação, assistência médica e odontológica.
A decisão judicial envolve o pedido de pensão por morte para os dois filhos menores de Raquel. O benefício foi negado inicialmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a negativa foi mantida pela Justiça Federal. O argumento central é que a vítima não se enquadraria como trabalhadora rural em regime de subsistência, devido à estrutura e ao reconhecimento da produção da chamada “Queijaria Cattani”.
A sentença considerou fatores como o uso de maquinário, tratores e a visibilidade da marca — que ganhou projeção após premiações importantes — como indicativos de uma atividade econômica mais estruturada, o que afastaria o direito ao benefício.
Cattani, no entanto, contesta essa interpretação. Segundo ele, a filha não possuía empresa formalizada em seu nome e foi rotulada como empresária pela imprensa após sua morte. “Não existe um CNPJ em nome da Raquel. Quem criou isso foi a narrativa”, declarou.
Ele também explicou que o registro formal da queijaria foi feito apenas após o assassinato, como forma de manter o legado da filha, sendo atualmente administrado por sua esposa, Sandra Cattani.
Apesar das críticas, o deputado afirmou que não busca se vitimizar e garantiu que continuará oferecendo todo o suporte necessário aos netos.
“Eu vou dar tudo que eu puder dar para eles. Não estou me vitimizando, estou mostrando o que considero uma injustiça”, disse.
O caso
Raquel Cattani foi assassinada em 18 de julho de 2024, em sua propriedade rural no município de Nova Mutum. O crime, que chocou o estado, foi marcado por extrema violência, com mais de 30 golpes de faca.
As investigações da Polícia Civil apontaram que o homicídio foi planejado pelo ex-marido da vítima, Romero Xavier, que não aceitava o fim do relacionamento. Para executar o crime, ele contou com a ajuda do irmão, Rodrigo Xavier, que tentou simular um latrocínio para despistar as autoridades.
Os dois foram presos poucos dias após o crime e, posteriormente, condenados por homicídio triplamente qualificado, somando penas que chegam a mais de 60 anos de prisão.