O tradicional copo de leite servido no café da manhã já não resume a relação da Geração Z com esse alimento. O leite fluido com sabor, como os achocolatados, representa quase 50% das escolhas de lácteos entre brasileiros de 12 a 26 anos, aponta uma pesquisa publicada no Anuário Leite, realizada pela Embrapa Gado de Leite, O estudo também aponta que, quando somados o leite tradicional e com sabor, a Geração Z é a que mais consome o lácteo no Brasil.
O comportamento ganha ainda mais relevância quando se considera o tamanho desse público. De acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Geração Z representa cerca de 22% da população brasileira, influenciando tendências de consumo e impulsionando mudanças na indústria de alimentos.
O novo formato de consumo marca o início da campanha “Leite: do jeito da sua geração”, lançada pela Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (MT Leite).
Os jovens passaram a incorporar o leite a novas experiências. Cafés gelados, shakes proteicos, smoothies, sobremesas, receitas rápidas, iogurtes e queijos dividem espaço com o tradicional leite do café da manhã, acompanhando uma rotina marcada pela praticidade, pelo sabor e pela diversidade de escolhas.
A social media Maria Eduarda Almeida Dias, de 23 anos, é um exemplo dessa transformação. Embora mantenha o hábito de consumir leite diariamente no café da manhã, ela conta que o alimento também aparece em diferentes momentos da rotina, principalmente por meio de bebidas e derivados.
“Meu maior consumo é com café ou achocolatado, por costume mesmo, porque tomo desde criança. Mas também gosto de alimentos derivados, como milkshake e pudim “, conta.
Para ela, o sabor é o principal fator na escolha dos alimentos. E, ao contrário da percepção de que os jovens deixaram de consumir leite, Maria Eduarda acredita que a geração apenas encontrou novas formas de incluí-lo na alimentação.
“Hoje existem muitas cafeterias que oferecem bebidas à base de leite e são muito atrativas para os jovens. Acho que o consumo continua, só mudou a forma”, disse.
Mudança está no hábito
A nutricionista Marina Portela explica que a impressão de queda no consumo está relacionada muito mais à mudança dos hábitos alimentares do que ao abandono do leite.
“O que eu percebo é mais uma mudança na forma de consumo do que um abandono real. O leite deixou de ser consumido ‘puro’, como no copo tradicional do café da manhã, e passou a aparecer em outras preparações. O consumo fica mais distribuído e menos visível, o que cria essa impressão de queda”, afirmou.
Segundo a especialista, essa mudança acompanha uma geração que busca praticidade e variedade, sem abrir mão do sabor e da funcionalidade dos alimentos.
“Os nutrientes permanecem estáveis mesmo quando o leite é misturado a outros ingredientes ou passa por processos como bater, gelar ou aquecer moderadamente. O leite continua sendo uma das fontes mais completas e acessíveis de cálcio, proteína de alto valor biológico, fósforo, potássio, vitamina B12 e, quando fortificado, vitamina D. O que muda é o valor nutricional da preparação, dependendo dos ingredientes adicionados”. Explicou.
Marina ressalta que esses nutrientes são fundamentais justamente na adolescência e no início da vida adulta, período em que ocorre a consolidação da massa óssea e o desenvolvimento muscular.
Novo olhar sobre o consumo de leite
A campanha da MT Leite pretende mostrar como o leite acompanha as transformações no comportamento alimentar dos brasileiros, abordando temas como inovação, sustentabilidade, tecnologia, nutrição e novas formas de consumo.
Para o presidente da Associação, Antônio Carlos Carvalho de Sousa, compreender esse movimento é essencial para aproximar a cadeia leiteira das novas gerações.
“Existe a percepção de que os jovens deixaram de consumir leite, mas os dados mostram uma realidade diferente. O leite continua presente na rotina da Geração Z, apenas em formatos que acompanham seu estilo de vida. Hoje ele está nas receitas rápidas, nas sobremesas e nos derivados. Isso demonstra a versatilidade do alimento e sua capacidade de se adaptar às mudanças de comportamento sem perder seu valor nutricional”, destacou.
Segundo Antônio Carlos, a campanha busca ampliar esse diálogo com a sociedade.
“A intenção é levar informações baseadas em evidências científicas e mostrar que a cadeia leiteira também evolui para atender às expectativas do consumidor moderno”, explicou.