A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso homologou um Acordo de Não Persecução Penal firmado entre o Ministério Público do Estado de Mato Grosso e o ex-prefeito de Rondonópolis e atual presidente do PL, Ananias Filho, que confessou ter desviado recursos públicos durante sua gestão, em 2012.
Pelo acordo, Ananias deverá pagar R$ 30 mil à Fundação Rachelle Steingruber, em três parcelas mensais de R$ 10 mil, com início neste mês. A entidade atua no atendimento a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Além disso, ele terá que cumprir uma prestação pecuniária de R$ 1 mil no prazo de 30 dias.
Com o cumprimento integral das condições estabelecidas, o ex-prefeito poderá evitar uma condenação criminal. A decisão foi assinada pelo juiz-preparador substituto Eduardo Calmon de Almeida Cézar no dia 2 de abril, com base no artigo 28-A do Código de Processo Penal, que regulamenta esse tipo de acordo.
O Acordo de Não Persecução Penal é aplicado em casos de crimes sem violência ou grave ameaça, com pena mínima inferior a quatro anos. Para sua validação, é necessária a confissão do investigado e a reparação do dano. No caso em questão, o crime atribuído prevê pena mínima de dois anos de reclusão, atendendo aos critérios legais.
Entenda o caso
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público em 2013, a Prefeitura de Rondonópolis realizou, em 2012, uma licitação para aquisição de materiais de expediente, itens gráficos e outros produtos destinados a diversas secretarias, incluindo a de Educação.
Posteriormente, o contrato foi aditivado por determinação do então prefeito, elevando as compras em cerca de R$ 374 mil. Segundo o Ministério Público, a ampliação incluiu quantidades consideradas excessivas, como 16 mil papéis almaço, 18 mil gizes de cera, 10 mil réguas escolares, 3,6 mil cartolinas e 57,6 mil borrachas.
As investigações apontaram que, ao final da gestão, em 2013, os materiais não foram entregues à Secretaria de Educação nem ao município, gerando prejuízo aos cofres públicos. Quando a ação penal foi proposta, em 2017, o valor atualizado do dano já ultrapassava R$ 638 mil.
Outros envolvidos
Além de Ananias, também foram denunciados a ex-secretária municipal de Educação, Marilda Soares Rufino, o ex-gerente de almoxarifado Carlos Alberto da Silva e o empresário Rodolfo Merlin Rocha da Silva, responsável pela empresa vencedora da licitação.
Marilda também firmou acordo com o Ministério Público e deverá pagar R$ 5 mil à mesma fundação, em duas parcelas de R$ 2,5 mil, além de prestação pecuniária de R$ 1 mil.
Com a formalização dos acordos, o processo foi desmembrado. Assim, os demais réus passarão a responder na primeira instância. O caso tramitava anteriormente no tribunal em razão do foro por prerrogativa de função de Ananias à época dos fatos.