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“Nosso coração”: Limp Bizkit confirma morte de Sam Rivers
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Da Redação
O baixista Sam Rivers, integrante fundador da banda norte-americana Limp Bizkit, morreu aos 48 anos. A informação foi confirmada neste sábado (18) por meio de um comunicado publicado nas redes oficiais do grupo. A causa da morte não foi divulgada.
“Hoje perdemos nosso irmão. Nosso companheiro de banda. Nosso coração. Sam Rivers não era apenas nosso baixista — ele era pura magia. A pulsação por trás de cada música, a calma no caos, a alma no som”, diz o texto de homenagem publicado no Instagram oficial do Limp Bizkit.
O grupo destacou a importância do músico para a identidade sonora da banda: “Desde a primeira nota que tocamos juntos, Sam trouxe uma luz e um ritmo que nunca poderiam ser substituídos. Seu talento era natural, sua presença inesquecível, seu coração enorme.”
Rivers integrou a formação original do Limp Bizkit, ao lado do vocalista Fred Durst e do baterista John Otto, desde a criação da banda, em 1994, na Flórida (EUA). Pouco tempo depois, o guitarrista Wes Borland e o DJ Lethal se juntaram ao grupo, completando a formação que marcou o auge do nu metal no fim dos anos 1990 e início dos 2000.
Entre os maiores sucessos do Limp Bizkit estão “Behind Blue Eyes”, “Break Stuff”, “Rollin’” e “Take a Look Around”, esta última parte da trilha sonora do filme Missão: Impossível 2 (2000).
A publicação encerra com uma mensagem de despedida: “Nós te amamos, Sam. Nós te carregaremos conosco, sempre. Descanse em paz, irmão. Sua música nunca acaba.”
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Como foi a morte de Jesus, segundo a ciência
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03/04/2026 - 09:56Por
da Redação
Religiosidade à parte, poucos duvidam que tenha vivido há 2 mil anos um homem chamado Jesus, em parte do que hoje é Israel.
E que ele foi um judeu dissidente que acabou liderando um grupo de seguidores. Sua atuação acabou incomodando o Império Romano. E, às vésperas da Páscoa judaica, ele acabou condenado, torturado e morto por crucificação — uma prática de pena capital comum na época.
Depois de sua morte, seguidores se encarregaram de espalhar seus ensinamentos. Terminava a história e começava o mito, a religião, a teologia.
Essa transição ocorreu principalmente graças a um profícuo escritor da época, pioneiro da Igreja Cristã e autor de muitos textos que hoje estão na Bíblia: Paulo de Tarso (c. 5-67). Na década de 50 do primeiro século da nossa era, cerca de 20 anos depois da morte de Jesus, ele produziu sete cartas cujos textos sobreviveram ao tempo.
“Nessas cartas reparamos que há uma mudança de enfoque. Paulo não mais trabalha com o Jesus histórico, ele trabalha com o Jesus da fé”, explica o historiador André Leonardo Chevitarese, autor de, entre outros, Jesus de Nazaré: Uma Outra História, e professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Diante disso, a primeira conclusão é que, desconsiderando a religiosidade decorrente da figura de Jesus, ele foi um condenado político.
“Jesus histórico conheceu uma morte política. Religião e política são coisas muito unidas, principalmente quando estamos tratando de uma liderança popular”, acrescenta Chevitarese.
“Não há como separar as andanças [de Jesus] como algo só político ou só religioso. As fronteiras são muito fluidas. E isso acaba sendo chave para compreender o movimento de Jesus com Jesus [ainda vivo] e o movimento de Jesus sem Jesus [depois da morte dele, com as pregações dos primeiros seguidores].”
Paixão e morte
A morte na cruz, cujo simbolismo acabou se confundindo com a própria religiosidade cristã, não era um acontecimento raro naquela época.
“A crucificação era a pena de morte usada pelos romanos desde o ano 217 a.C. para escravos e todos aqueles que não eram cidadãos do Império”, explica o cientista político, historiador especializado em Oriente Médio e escritor italiano Gerardo Ferrara, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma.
“Era uma tortura tão cruel e humilhante que não era reservada a um cidadão romano. Era precedida pelo açoite, infligido com vários instrumentos, conforme a origem e a proveniência social dos condenados.”
“A crucificação não foi invenção romana mas estava amplamente disseminada no Império Romano. Fazia parte de uma rotina dentro dos territórios que hoje chamamos de Israel”, pontua Chevitarese. “Mais ou menos uns 40 anos depois da morte de Jesus, quando houve a tomada de Jerusalém, milhares de judeus foram crucificados.”

Domínio Público / A crucificação não foi invenção romana mas estava amplamente disseminada no Império Romano, diz pesquisador. Acima, obra de Jesus sendo erguido na cruz, de Rubens
Os Evangelhos dedicam-se também a narrar as últimas horas de Jesus, detalhando seu sofrimento. De acordo com as escrituras sagradas, ele teria sido levado de uma instância a outra nessas horas de julgamento, com certa hesitação entre as autoridades. Chevitarese diz que historicamente isso não pode ser verdade.
Isto porque, a julgar pelos relatos, Jesus foi morto na antevéspera da Páscoa judaica. “A festa da Páscoa é uma festa política, pois é quando se celebra a passagem da escravidão para a liberdade, a saída do povo hebreu do Egito para a ‘terra onde corre o leite e o mel'”, lembra o historiador.
“Então imaginemos: uma cidade abarrotada de judeus, como a autoridade romana vai botar um judeu para carregar uma cruz pela cidade, no meio de tantos judeus? Seria um convite à rebelião. Com uma pessoa como Jesus ninguém poderia perder tempo. Foi pego e imediatamente crucificado.”
Para Chevitarese, os relatos que existem dando conta de acontecimentos entre a prisão de Jesus, na madrugada de quinta para sexta, e sua crucificação, horas mais tarde, não são históricos; são teologia.
Alguns dias antes, no que acabou se eternizando como Domingo de Ramos, Jesus tinha entrado em Jerusalém. Foi uma rara aparição dele em uma grande cidade, o que teria transformado-o em alvo fácil das autoridades.
Mas por que ele incomodava? Porque liderava um grupo justamente proclamando um novo reino, o Reino dos Céus, ou reino de seu pai. E seu discurso era de um reino diametralmente oposto ao Império Romano, segundo quatro pilares básicos. “Ele se torna messias por conta dessa ideia”, defende Chevitarese.
O primeiro pilar do reo defendido por Jesus era a justiça. Não qualquer justiça, mas a justiça divina. “E ele se referia a Deus como papai, seu pai celestial. Essa justiça tão equilibrada, era claro, se opunha a outro reino, aquele que já estava instalado e que controlava a Judeia: o dos romanos”, compara o historiador. “Ele está dizendo: aqui no meu reino tem justiça; o do César é o reino da injustiça.”
O segundo ponto é que Jesus proclamava um reino de paz, também em oposição ao estado bélico do governo imposto pelos romanos, um império que avançava sobre outros povos.
O terceiro pilar é comensalidade: comida, bebida, fartura na mesa dos pobres, dos camponeses. “O grupo que acompanhava Jesus ouvia sua pregação e, de alguma maneira, achava interessante o que ele estava dizendo”, diz Chevitarese. Por fim, Jesus falava de um reino de igualdade, com a coparticipação de todos. “O ministério de Jesus é de homens e mulheres, iguais”, nota o historiador.
“O importante é que [nesses discursos] política, religião, economia, sociedade, tudo isso se inseria num programa messiânico. Não estava claro onde começava a política e terminava a religião, nem onde terminava a religião e começavam as questões sociais. Tudo estava interligado”, completa.
“Jesus morre por causa de um reino, o reino de Deus. Esse é o movimento de Jesus com Jesus. A geração seguinte, o movimento de Jesus sem Jesus, ressignifica a morte dele como uma morte sacrificial, que ganha dimensão estritamente religiosa.”
As autoridades romanas que serviam na região já estavam mapeando os movimentos de Jesus. E encontraram a oportunidade perfeita quando ele resolveu entrar em Jerusalém. “Viram-no criando confusão no templo, às vésperas da Páscoa, com a cidade cheia de judeus vindos das mais diferentes regiões e pensaram: rapidamente esse homem tem de ser preso, crucificado”, diz o historiador.
“Todos os evangelistas concordam em situar a morte de Jesus em uma sexta-feira, dentro do feriado da Páscoa”, comenta Ferrara. Autor do livro Vita di Gesù Cristo, o padre, biblista e arqueólogo italiano Giuseppe Ricciotti (1890-1964) reuniu várias informações históricas, cruzou-as e concluiu que o mais provável é que a execução tenha ocorrido no equivalente ao 7 de abril do ano 30.
A morte na cruz
Eram três as maneiras de se executar um condenado na Roma antiga. Segundo explica Chevitarese, um objetivo as unia: não permitir a preservação de vestígios de memória — em outras palavras, impossibilitar que restos mortais fossem sepultados.
Geralmente aos circos romanos eram destinados os condenados por crimes como assassinato, parricídio, crimes contra o Estado e estupros. Na arena, esses criminosos enfrentavam feras até a morte — seus restos eram devorados pelos bichos. Uma segunda forma de execução era a fogueira, que também não deixava muitos resíduos do corpo.
A crucificação era a pena destinada a escravos que atentavam contra a vida dos seus senhores e aqueles que se envolviam em rebeliões. Além de todos os que não eram cidadãos romanos, caso de Jesus. “Ainda vivos, na cruz, aves de rapina já começavam a comer o condenado. Três ou quatro dias depois, a carne desse indivíduo, apodrecendo, caía da cruz e cães e outros animais terminavam de fazer o serviço”, contextualiza Chevitarese.
No início dos anos 2000, o médico legista norte-americano Frederick Thomas Zugibe (1928-2013), professor da Universidade de Columbia e ex-patologista-chefe do Instituto Médico Legal, fez uma série de experimentos com voluntários para monitorar os efeitos que uma crucificação teria sobre o corpo humano. Os resultados foram publicados no livro The Crucifixion of Jesus: A Forensic Inquiry (A crucificação de Jesus: uma investigação forense, em tradução livre).
Para seus estudos, ele utilizou uma cruz de madeira com 2,34 metros na vertical e 2 metros na horizontal. Indivíduos — todos adultos jovens, na faixa dos 30 anos — foram suspensos nela e tiveram suas reações monitoradas eletronicamente, com eletrocardiograma, medição de pulsação e aferição de pressão sanguínea.
Atados assim, os voluntários não conseguiam encostar as costas na cruz e relataram fortes cãibras causadas pelo desconforto da posição, além de formigamentos constantes nas panturrilhas e nas coxas.
Na época de Jesus diferentes formas de cruz eram utilizadas nas execuções. As principais eram a em forma de T e a em forma de punhal. Não há consenso entre pesquisadores sobre qual teria sido a utilizada por Jesus. Ferrara acredita que teria sido a segunda.
Para o médico Zugibe, Jesus carregou, em seu caminho até o local da execução, apenas a parte horizontal. Ele escreveu que a estaca vertical costumava ser mantida no local das crucificações, fora da cidade.
E baseou-se no fato de que a parte horizontal pesava cerca de 22 quilos. A soma de ambas as partes tinha entre 80 e 90 quilos, o que tornaria impossível de ser carregada em uma longa caminhada — que, conforme seus estudos, teria sido de 8 quilômetros no caso de Jesus.
“Detalhes da punição são confirmados pelo uso romano e por documentos históricos: os condenados eram amarrados ou pregados no patíbulo com os braços estendidos e erguidos no mastro vertical já fixado”, esclarece Ferrara.
“Os pés eram amarrados ou pregados, por outro lado, ao poste vertical, sobre o qual uma espécie de assento de apoio se projetava na altura das nádegas. A morte era lenta, muito lenta, e acompanhada por um sofrimento terrível. A vítima, levantada do solo a não mais de meio metro, estava completamente nua e podia ficar pendurada por horas, senão dias, sacudida por espasmos de dor, náuseas e a impossibilidade de respirar corretamente, já que o sangue nem sequer podia fluir para os membros que estavam tensos a ponto de exaustão.”
O que é um entendimento quase unânime entre os pesquisadores é que as cravas eram pregadas nos pulsos, e não nas palmas das mãos — por conta da compleição óssea, as mãos “se rasgariam” com o peso do corpo. “A estrutura das mãos e a ausência de ossos importantes impediriam o suporte de um peso tão grande e a carne das mãos seria dilacerada”, ressalta Ferrara.
O médico Zugibe concluiu que os pregos tinham 12,5 centímetros de comprimento. Ele defendia que Jesus tinha sido pregado, sim, nas mãos, mas não no centro da palma e sim pouco abaixo do polegar. Já suspenso na cruz, os pés de Jesus também foram fixados com cravas — segundo o médico, um ao lado do outro, e não sobrepostos como o imaginário consagrou. Essas perfurações, por atingirem nervos importantes, teriam sido causadoras de dores insuportáveis e contínuas.
“Quanto tempo um indivíduo leva para morrer assim? Morre-se de cãibra, que vai atrofiando seus músculos e levando-o a morrer por falta de ar, com muitas dores, dores gigantescas no corpo todo”, narra Chevitarese. Ferrara, por sua vez, defende que Jesus tenha morrido por infarto do miocárdio, em decorrência do esforço exaustivo.
Por meio de seus experimentos, Zugibe analisou as três hipóteses mais aceitas para a morte de Jesus: asfixia, ataque cardíaco e choque hemorrágico. Sua conclusão é que Jesus teve parada cardíaca em virtude da hipovolemia, ou seja, a diminuição considerável do volume sanguíneo depois de toda a tortura e das horas pregado na cruz. Teria morrido, portanto, de choque hemorrágico.
“[A morte na cruz] é uma morte de violência física absurda. O tempo dependia das condições físicas em que se encontrava o crucificado. Se a tortura anterior tivesse sido muito intensa, isso de certa forma poderia fazer com que ele morresse mais rápido”, diz Chevitarese. Ferrara acredita que “a agonia de Jesus não tenha durado mais do que algumas horas, talvez até menos do que duas, provavelmente devido à enorme perda de sangue devido à flagelação [anterior]”.
Torturas
Se o condenado à morte de cruz era visto pelos romanos como parte de uma “escória”, um não cidadão considerado criminoso e oriundo dos estratos sociais mais baixos, é de se supor que os carrascos não poupassem esses indivíduos de toda sorte de agressões. Para tanto, o instrumento utilizado na tortura era um chicote específico chamado de azorrague.
No caso de Jesus, Ferrara acredita que tenha sido utilizado um com bolas de metal com pontas feitas de osso, capaz de rasgar a pele e arrancar pedaços de carne. “Justamente por ele ser um ‘criminoso’ de baixa classe social e de origem não nobre, no caso um judeu de pequena província oriental do império”, justifica ele.
De acordo com as pesquisas realizadas pelo médico Zugibe, o modelo de chicote utilizado para o açoitamento de Jesus era feito com três tiras. Condenados assim costumavam receber 39 golpes com o instrumento — na prática, portanto, era como se fossem 117 chibatadas, já que essas pontas feitas de osso de carneiro funcionavam como objetos perfurocortantes.
Isso, segundo explicações do médico, resultaria em tremores e até desmaios, e um quadro de hemorragias intensas, danos no fígado e no baço e acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões.
No caminho até o local de crucificação, não havia limites para as torturas. Eram espancados, ridicularizados, vítimas de intensa violência. Relatos bíblicos afirmam que, por sarcasmo, uma coroa de espinhos teria sido cravada na cabeça de Jesus.
Zugibe queria descobrir qual era a planta utilizada para a tal coroa. Depois de entrevistar botânicos e estudiosos de biomas do Oriente Médio, chegou a duas possíveis espécies que seriam capazes de fornecer espinhos grandes o suficiente. Conseguiu as sementes e cultivou ele próprio as árvores para, depois, analisá-las.
Acabou concluindo que foram utilizados ramos de uma árvore conhecida como espinheiro-de-cristo-sírio. Segundo o legista, os ferimentos causados por esse espinho na cabeça seriam capazes de, mais do que provocar intenso sangramento na face e no couro cabeludo, atingir nervos da cabeça — causando dores imensas.
Sepultamento
Chevitarese defende que a crucificação de Jesus, ao contrário do que narra a Bíblia, tenha ocorrido longe de testemunhas oculares, justamente porque tudo teria sido feito rapidamente e de modo a não provocar uma revolta da população.
E que, também ao contrário do relato religioso, não houve sepultamento de Jesus, tampouco restos mortais preservados. “Crucificados não eram enterrados. Ficavam na cruz e, ainda vivos, aves de rapina já sabiam que eles não podiam se mexer. E comiam olhos, nariz, bochecha, aquilo ficava abarrotado de aves de rapina comendo o corpo ainda vivo”, explica ele.
“[O corpo] passava alguns dias ali, quatro, cinco dias, pendurado. A carne começava a apodrecer. Caía. Despencava. Cães e outros animais se aproveitavam desses restos humanos para fazer seu banquete”, relata.
Para ele, o que prova essa tese é que milhares de escravos foram crucificados no período e não há registros de cemitérios ou mesmo de ossadas descobertas dos mesmos. “Historicamente, crucificado não era enterrado”, crava. “Teologicamente, é claro que Jesus precisava ser enterrado — para depois ressuscitar.”
Esta reportagem foi publicada originalmente em abril de 2021 e republicada em março de 2026
*Via BBC News Brasil
Geral
Redes sociais espalham mito perigoso sobre micropênis e confundem famílias
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5 horas atrásem
03/04/2026 - 08:26Por
da Redação
“Mães e pais de meninos, vocês já mediram o tamanho do pênis do seu filho? Eu também não sabia da importância disso, mas estamos tendo uma geração de meninos com micropênis.” São com essas frases que uma influenciadora digital que fala sobre maternidade começa um vídeo na rede Tik Tok.
Na sequência ela, explica como supostamente fazer a medição do órgão genital e divulga uma tabela com os tamanhos de pênis considerados normais para cada fase da vida dos meninos.
Vídeos como esse vêm ganhando atenção nos últimos meses e se multiplicam nas redes sociais. As publicações, muitas vezes com tom alarmista, sugerem que o Brasil está vivendo uma “epidemia de micropênis” e sugerem intervenções precoces, como o uso de testosterona, como solução para o problema.
Tal desinformação em massa levou quatro importantes entidades médicas a se manifestarem sobre o tema: a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica.
Em nota conjunta divulgada em 25 de março, elas classificam o movimento como preocupante e alertam para os riscos de tratamentos hormonais sem necessidade e com base em informações incorretas.
Segundo os especialistas, não há qualquer evidência científica de aumento nos casos da condição, que, embora exista, é considerada rara. A prevalência estimada dessa malformação é de cerca de 0,06% dos meninos, o que está muito distante de qualquer cenário que possa ser descrito como “epidemia”.
“Essa condição acomete um em cada 20 a 30 mil recém-nascidos vivos, o que a torna rara. Não existe nenhuma epidemia e nem nenhum aumento do número de casos de micropênis no país”, diz Crésio de Aragão Dantas Alves, presidente do Departamento de Endocrinologia da SBP.
O que é micropênis
O micropênis é uma condição médica definida por critérios técnicos rigorosos, que levam em conta a idade da criança e medições padronizadas feitas por profissionais de saúde. O critério de diagnóstico é definido como um pênis com comprimento inferior a 2,5 desvios-padrão da média para a idade e etnia da população.
Não se trata de uma avaliação subjetiva ou apenas visual, o desenvolvimento genital infantil apresenta variações naturais, e muitos casos que geram preocupação nos pais estão, na realidade, dentro da normalidade.
Fatores como o acúmulo de gordura na região pubiana ou diferenças individuais de crescimento e desenvolvimento podem influenciar a percepção de tamanho sem indicar qualquer problema de saúde.
Um dos principais pontos de alerta das entidades médicas é a prática, incentivada por esses vídeos virais, de pais medirem o pênis de seus filhos em casa usando uma fita métrica ou régua. Os especialistas ouvidos pela reportagem da DW Brasil, são unânimes em dizer que essa abordagem é inadequada porque a medição correta exige técnica específica e interpretação baseada em tabelas clínicas. Quando feita de forma incorreta, pode levar a conclusões equivocadas.
Além disso, há uma preocupação ética e psicológica: expor a criança a esse tipo de avaliação sem necessidade clínica pode causar constrangimento.
“É importante saber que o pênis se forma na base do osso do púbis e não adianta medir apenas o que você olha e acha que tem lá. Há pênis que estão embutidos embaixo da gordura e tem uma banda ventral. Se a criança já foi submetida a uma cirurgia de fimose, o pênis pode ter ficado preso dentro de uma cicatriz, são os pênis embutidos. A maioria das pessoas desconhecem essas variações anatômicas que são normais e o que você olha e vê não é o tamanho real. Então, uma falsa medida pode levar a uma ansiedade”, detalha Veridiana Andrioli, coordenadora do Departamento de Urologia Pediátrica da SBU.
Outro elemento central da desinformação que circula nas redes sociais é a ideia de que existe uma “janela de oportunidade” limitada entre os 6 e 11 anos para o tratamento hormonal com testosterona, e que, caso ela não seja aproveitada, o menino terá consequências irreversíveis na vida adulta. As sociedades médicas contestam essa narrativa e explicam que embora o tratamento hormonal seja indicado em algumas situações, isso deve ser feito apenas após diagnóstico médico.
O crescimento do pênis não é contínuo e ocorre em fases específicas da vida. Esse desenvolvimento acontece no período intrauterino, entre o terceiro e sexto mês de vida, fase conhecida como “minipuberdade” em que há estímulo hormonal natural do corpo e, depois, a partir dos 12 ou 13 anos, quando o menino entra na puberdade.
Uso de hormônios precisa de acompanhamento
O hormônio testosterona só é indicado para tratar micropênis em crianças quando há confirmação do diagnóstico ou comprovação de deficiência hormonal, após avaliação médica de cada caso. As entidades esclarecem que a reposição hormonal é segura, mas só quando existe a comprovação de uma deficiência.
O uso indiscriminado de testosterona, sem avaliação adequada, pode trazer riscos à saúde dos meninos. Entre eles estão alterações hormonais permanentes, impactos no crescimento, risco de infertilidade na vida adulta e até mesmo efeitos comportamentais. Por isso, os especialistas afirmam que não há qualquer justificativa para iniciar tratamento por conta própria ou com base em informações de redes sociais.
“O uso de testosterona numa criança que não necessita, pode fazer com que haja uma fusão, um fechamento precoce da cartilagem de crescimento, fazendo com que esse indivíduo termine com a altura menor do que a esperada. Esse menino também pode ter aumento de agressividade, fazendo com que ele fique mais irritado, podendo se envolver em brigas e em confusões. Ele pode também ter aumento do peito, que nós chamamos de ginecomastia, pode ter edema de tornozelos, alterações do colesterol, das triglicérides, ou seja, o tratamento do micropênis, quando feito de forma não correta, ele pode levar a várias complicações”, acrescenta Alves.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico de micropênis é feito por meio de uma análise clínica criteriosa que inclui uma bateria de testes e o envolvimento de médicos de diferentes especialidades. Por exemplo, essa avaliação deve englobar exame físico adequado, análise do histórico de saúde da criança, avaliação do desenvolvimento puberal e, quando indicado, exames laboratoriais e genéticos.
“Podemos ter condições genéticas que levam a um distúrbio na formação do órgão genital do menino e pode fazer com que realmente o pênis seja bem menor do que deveria. Geralmente, quando isso acontece, nós temos outras alterações hormonais e os testículos também são comprometidos. Existe uma série de outras alterações que acompanham o micropênis.
As causas genéticas também podem estar por trás, assim como as deficiências de alguns hormônios durante a gestação. Então as causas são várias e sempre é preciso investigá-las”, acrescenta o endocrinologista pediátrico Luiz Cláudio Gonçalves de Castro, coordenador do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da SBEM.

Desinformação deu origem a estudo
A disseminação de desinformação sobre uma “epidemia de micropênis” chegou aos consultórios médicos, segundo Andrioli. Ela afirma que nos últimos meses cresceu o número de pais que pediram para que o órgão genital dos filhos fosse medido durante a consulta sob a suspeita de que ele estaria menor do que o “ideal” para a idade. Situação que fez com que ela fizesse um estudo sobre o tema.
A pesquisa avaliou como os pais de 99 meninos percebem o tamanho do órgão sexual do filho durante atendimentos do mutirão Novembrinho Azul, em Florianópolis (SC). Embora 48% dos participantes considerassem o tamanho dentro da normalidade, cerca de 24% acreditavam que estava abaixo da média.
Os especialistas identificaram que, em geral, as medições feitas pelos cuidadores não eram corretas e o comprimento peniano ficava entre 2,5 a 3 centímetros menor do que o tamanho real.
Outro dado do levantamento é que quanto maior o peso, a idade e a circunferência abdominal da criança, maior a tendência de os pais avaliarem o pênis como menor do que realmente é.
“É preferível não medir, principalmente nessas questões de variações anatômicas para não criar uma ansiedade ou um falso diagnóstico. Então, se há uma suspeita, leva a um profissional”, diz Andrioli.
Entre todas as crianças examinadas, nenhuma apresentava micropênis. O levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia foi realizado no final de 2025 e apresentado durante o 40º Congresso Brasileiro de Urologia.

Percepções sobre o tamanho do pênis
Um estudo publicado na revista PLOS Biology trouxe novas evidências sobre como o tamanho do pênis influencia percepções sociais e sexuais. De acordo com a pesquisa, homens tendem a interpretar essa característica como um sinal de dominância física e sexual, utilizando-a como referência ao avaliar possíveis rivais. Já entre as mulheres, o fator também impacta a atratividade, mas tem peso menor quando comparado a outros atributos físicos.
A investigação foi conduzida com o uso de modelos masculinos em 3D, que variavam em altura, formato corporal e tamanho do órgão genital. Os resultados indicaram que mulheres consideram mais atraentes homens mais altos, com corpo em formato de “V” e com pênis maior. No entanto, esse efeito apresenta um limite, já que aumentos além de determinado ponto não geram ganhos significativos na percepção de atratividade.
Entre os homens, a resposta foi diferente. Indivíduos com pênis maiores foram avaliados como mais ameaçadores, tanto do ponto de vista físico quanto sexual, sem que houvesse um limite claro para essa percepção. Isso sugere que homens atribuem maior importância ao fator, relacionando-o não apenas à atratividade, mas também à competitividade.
Os pesquisadores apontam ainda uma possível explicação evolutiva para o fenômeno. Em períodos ancestrais, quando o corpo humano não era coberto por roupas, o órgão genital poderia funcionar como um sinal visível associado à seleção sexual e às relações sociais, influenciando tanto a escolha de parceiros quanto a avaliação entre indivíduos do mesmo sexo.
*Via DW
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Unha postiça causa morte de bebê e caso é investigado na Argentina
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03/04/2026 - 08:12Por
da Redação
Uma tragédia envolvendo uma criança de cerca de um ano chocou moradores de Los Polvorines após a morte do menino Dante Valentín Bermudes Rumi, vítima de asfixia acidental.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, o bebê se engasgou com uma unha postiça enquanto era trocado pela mãe, Aylin Saucedo, manicure profissional. Ao perceber a situação, ela tentou agir rapidamente e buscou ajuda de vizinhos e familiares, mas não conseguiu evitar que a criança engolisse o objeto.
O menino foi levado às pressas para uma unidade de saúde, mas já chegou sem vida. A autópsia confirmou que a causa da morte foi asfixia, provocada pela obstrução das vias aéreas.
O caso segue sob investigação na Argentina, com autoridades buscando esclarecer as circunstâncias do ocorrido e determinar se houve negligência ou se o episódio foi, de fato, um acidente doméstico.
A tragédia ganhou contornos ainda mais delicados após um conflito familiar envolvendo o funeral da criança. Segundo relatos, o pai do menino teria se envolvido em uma confusão no hospital, agredindo o atual companheiro da mãe e um familiar.
Posteriormente, ele teria contratado os serviços funerários sem o conhecimento de Aylin. A mãe afirma que foi impedida de acompanhar os detalhes da cerimônia e teve apenas cerca de 45 minutos para se despedir do filho, que acabou sendo sepultado sem sua presença.
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