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Fraude milionária, vazamento ilegal de dados e suposta armação policial escancara escândalo que abala condomínio de luxo
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Uma denúncia anônima aponta que o caso envolvendo o condomínio Brasil Beach Home Resort, em Cuiabá, teria origem na descoberta de um suposto esquema de desvio financeiro interno. Segundo o relato, o advogado Rodrigo da Costa Ribeiro identificou indícios de superfaturamento de contratos, cobranças indevidas, falhas na execução de serviços e outras irregularidades administrativas que teriam causado prejuízo superior a R$ 600 mil aos moradores. A pressão gerada pela situação teria levado à renúncia da então síndica, identificada como uma policial rodoviária federal, que administrava o condomínio à época dos fatos.
Supostamente, mesmo após o afastamento formal, a ex-síndica teria mantido acesso aos sistemas internos do condomínio, incluindo plataformas de controle de entrada e saída de moradores, visitantes e prestadores de serviço. Essa informação é corroborada por resposta oficial da atual gestão, que afirma que, no período entre março e junho de 2025, a então gestora licenciada ainda possuía acesso integral aos sistemas informatizados. O documento também relata que, mesmo após a renúncia em julho de 2025, esse acesso permaneceu ativo devido a falhas na gestão dos sistemas, que eram operados por empresa terceirizada, sendo bloqueado apenas posteriormente.
A partir desse contexto, o advogado sustenta que dados sigilosos de frequentadores de seu apartamento, localizado na unidade 603B, torre 02, no próprio condomínio, onde também funciona seu escritório profissional Costa & Ribeiro Advocacia & Consultoria Jurídica, foram fornecidos à Polícia Civil sem autorização judicial. Em notificação extrajudicial fundamentada na Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), na Constituição Federal (artigo 5º, incisos X e XII) e no Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/1994), Rodrigo questiona formalmente o condomínio sobre o fornecimento dessas informações.
Na resposta, assinada pela atual síndica Laura Campos, o condomínio afirma expressamente que não houve qualquer ordem judicial, mandado ou requisição administrativa formal que justificasse o compartilhamento de dados pessoais de moradores ou visitantes. A gestão também declara que eventual fornecimento de informações deve ter ocorrido no âmbito da administração anterior, não podendo ser atribuído à atual administração, que afirma ter adotado medidas para restringir acessos e reforçar a segurança das informações.
Segundo o advogado, essas informações teriam sido utilizadas como base para a construção de uma investigação criminal que resultou na sua prisão durante a Operação Efetá. O caso está vinculado ao processo nº 1018599-84.2025.8.11.0042, que tramita no Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, sob sigilo. O procedimento envolve apurações relacionadas a crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e organização criminosa, tendo como partes o Ministério Público do Estado de Mato Grosso e a Polícia Judiciária Civil.
Nos autos, o advogado aparece como investigado ao lado de outros nomes, como Washington Oliveira Santos, Kanandha Kyrian Cruz Maciel, Augusto Domingos Barbosa, Leandro Firmino da Silva, Edimar Henrique de Oliveira, Gilberto Silvio Anjos e Lindaray Nayann da Costa, entre outros. Relatórios da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (DENARC) apontam que Washington teria acesso frequente ao apartamento do advogado, sendo inclusive cadastrado no condomínio como “funcionário”, embora não tenham sido encontrados vínculos formais em bases oficiais de trabalho.
Outro ponto citado na investigação envolve a prisão de Kanandha Kyrian Cruz Maciel, ocorrida em 6 de julho de 2022, no município de Primavera do Leste, quando foi flagrada transportando drogas em um ônibus. A investigação aponta supostos vínculos entre ela e o advogado, além da presença de outros frequentadores do imóvel que seriam associados a facções criminosas.
Apesar disso, Rodrigo sustenta que todos os indivíduos citados eram seus clientes, atendidos no exercício regular da advocacia criminal, e que a utilização dessas relações profissionais como elemento de prova viola o sigilo garantido por lei. Ele também questiona trechos do inquérito que, segundo sua defesa, indicariam tentativa de construção de narrativa para vinculá-lo às atividades ilícitas investigadas.
O texto sustenta ainda que o delegado André Rigonato, da DENARC/PJC-MT, não atuou como autoridade imparcial, mas como instrumento de uma suposta organização criminosa liderada por Thauana Nawa, utilizando a estrutura policial para conferir aparência de legalidade a uma investigação direcionada à perseguição do denunciante. De acordo com essa versão, a origem da apuração já seria ilícita, uma vez que, ainda em 2022, o delegado teria requisitado dados pessoais sem autorização judicial, obtendo-os diretamente da própria síndica à época, apontada como alvo das denúncias, o que indicaria possível conluio.
Ainda segundo o conteúdo, a Operação Efetá, deflagrada em dezembro de 2025, teria sido construída com base em uma narrativa previamente estruturada por outro delegado, indicando uma suposta ligação do denunciante com organização criminosa, o que reforçaria a tese de atuação coordenada. No entanto, essa linha investigativa não se sustentou no Judiciário: o Ministério Público não acolheu a acusação de organização criminosa, a prisão preventiva foi negada por ausência de requisitos legais e a sentença final fixou pena mínima, apesar de o advogado ter permanecido preso por 79 dias.
O texto também aponta indícios de irregularidades no cumprimento de mandados de busca e apreensão, destacando que munições teriam sido localizadas fora do escopo autorizado judicialmente, o que levanta suspeitas sobre possível fraude processual. Nesse contexto, a narrativa apresentada indica que o conjunto de medidas adotadas pode envolver obtenção ilegal de dados, uso de provas ilícitas e tentativa de justificar medidas cautelares sem base legal, caracterizando, segundo a tese defendida, uma atuação direcionada à perseguição e ao silenciamento do denunciante.
Paralelamente à investigação criminal, o caso também envolve a tentativa de apuração interna das irregularidades financeiras no condomínio. Moradores chegaram a convocar assembleia para aprovar a contratação de auditoria independente, que analisaria o suposto rombo milionário. No entanto, o processo foi interrompido após um episódio de agressão durante reunião.
O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Gustavo Garcia Francisco, é investigado por empurrar um advogado durante o encontro. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento da agressão. Segundo relato da vítima, além do empurrão, houve ameaça. O delegado afirmou que irá prestar esclarecimentos e contestou parte das acusações. O episódio contribuiu para o esvaziamento da auditoria que poderia aprofundar a análise das contas do condomínio.
O advogado também aponta que, nos dias que antecederam sua prisão, teria sido alvo de campanha de desgaste público. No documento, cita o médico Rubens Carvalho de Oliveira, ex-diretor da Unimed, como responsável por disseminar conteúdos negativos em grupos de moradores e redes sociais. Segundo a denúncia, a atuação teria contribuído para fragilizar sua imagem pública. Rubens já foi investigado na operação Short Code, deflagrada em fevereiro, que apurou crimes cibernéticos e contra a honra, incluindo criação de site falso e envio de mensagens em massa.
Ao final do processo relacionado à Operação Efetá, Rodrigo da Costa Ribeiro foi condenado a 79 dias de prisão domiciliar por porte ilegal de munição, não havendo condenação por organização criminosa ou tráfico de drogas. Para a defesa, esse desfecho reforça a tese de que a investigação foi construída de forma indevida, com base em dados obtidos sem respaldo legal e em interpretações distorcidas de sua atuação profissional.
As denúncias apresentadas seguem sob análise da Polícia Federal e do Ministério Público. O caso reúne elementos que levantam questionamentos sobre possível corrupção em gestão condominial, violação de dados pessoais, abuso de autoridade e uso de estruturas institucionais em disputas privadas. Em meio a versões conflitantes e documentos sob sigilo, o episódio permanece em aberto, com potencial para novos desdobramentos.
Assessoria de imprensa: Ana Carolina Guerra
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Prefeitura libera transporte sem tarifa e amplia acesso à programação de 307 anos
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03/04/2026 - 10:37Por
da Redação
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública anunciou que o transporte coletivo será gratuito em sete dias ao longo deste início de abril. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 11.897, assinado pelo prefeito Abilio Brunini e publicado no dia 2.
A gratuidade será aplicada em datas específicas, incluindo a Sexta-feira Santa, além dos dias 6, 7, 8, 9 e 10 de abril, com horários diferenciados em algumas datas. Aos domingos, como já ocorre desde o ano passado, o benefício também segue mantido. A medida não se estende ao transporte intermunicipal.
Segundo a prefeitura, o objetivo é ampliar o acesso da população ao transporte público em períodos de maior circulação, como feriados e pontos facultativos. A iniciativa busca facilitar deslocamentos para atividades de lazer, encontros familiares e participação em eventos, além de incentivar o uso do transporte coletivo como alternativa ao veículo particular.
Para garantir o funcionamento do serviço, as empresas responsáveis pela operação foram notificadas a manter a oferta regular de ônibus. Em feriados, a frota costuma operar com redução, em média de 60 por cento dos veículos, semelhante ao modelo aplicado aos domingos.
A prefeitura reforça que, para utilizar o benefício, é necessário que o passageiro possua o cartão transporte, que deve ser apresentado na catraca para registro da passagem gratuita. A fiscalização ficará sob responsabilidade da secretaria responsável pela mobilidade urbana.
programação de aniversário
Cuiabá celebra 307 anos com uma programação cultural de quatro dias no Parque das Águas, entre os dias 7 e 10 de abril. O evento reúne atrações nacionais e regionais, destacando diferentes ritmos e manifestações culturais.
A abertura, no dia 7, contará com apresentações regionais, incluindo violada e roda de samba, além de shows de Dilsinho e da dupla César Menotti & Fabiano. No dia 8, feriado, a programação inclui manifestações tradicionais como siriri e cururu, apresentações gospel e show da Banda Morada.
No dia 9, o destaque será o rasqueado cuiabano, com artistas regionais e participação do Boca Nervosa. O encerramento, no dia 10, será dedicado ao lambadão, com diversas bandas locais.
Durante todos os dias de festa, o público também poderá visitar a Feira Cultural Herança Cuiabana e o Festival do Baguncinha, eventos que reforçam a valorização da cultura, da gastronomia e da produção artística regional.
Geral
Como foi a morte de Jesus, segundo a ciência
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03/04/2026 - 09:56Por
da Redação
Religiosidade à parte, poucos duvidam que tenha vivido há 2 mil anos um homem chamado Jesus, em parte do que hoje é Israel.
E que ele foi um judeu dissidente que acabou liderando um grupo de seguidores. Sua atuação acabou incomodando o Império Romano. E, às vésperas da Páscoa judaica, ele acabou condenado, torturado e morto por crucificação — uma prática de pena capital comum na época.
Depois de sua morte, seguidores se encarregaram de espalhar seus ensinamentos. Terminava a história e começava o mito, a religião, a teologia.
Essa transição ocorreu principalmente graças a um profícuo escritor da época, pioneiro da Igreja Cristã e autor de muitos textos que hoje estão na Bíblia: Paulo de Tarso (c. 5-67). Na década de 50 do primeiro século da nossa era, cerca de 20 anos depois da morte de Jesus, ele produziu sete cartas cujos textos sobreviveram ao tempo.
“Nessas cartas reparamos que há uma mudança de enfoque. Paulo não mais trabalha com o Jesus histórico, ele trabalha com o Jesus da fé”, explica o historiador André Leonardo Chevitarese, autor de, entre outros, Jesus de Nazaré: Uma Outra História, e professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Diante disso, a primeira conclusão é que, desconsiderando a religiosidade decorrente da figura de Jesus, ele foi um condenado político.
“Jesus histórico conheceu uma morte política. Religião e política são coisas muito unidas, principalmente quando estamos tratando de uma liderança popular”, acrescenta Chevitarese.
“Não há como separar as andanças [de Jesus] como algo só político ou só religioso. As fronteiras são muito fluidas. E isso acaba sendo chave para compreender o movimento de Jesus com Jesus [ainda vivo] e o movimento de Jesus sem Jesus [depois da morte dele, com as pregações dos primeiros seguidores].”
Paixão e morte
A morte na cruz, cujo simbolismo acabou se confundindo com a própria religiosidade cristã, não era um acontecimento raro naquela época.
“A crucificação era a pena de morte usada pelos romanos desde o ano 217 a.C. para escravos e todos aqueles que não eram cidadãos do Império”, explica o cientista político, historiador especializado em Oriente Médio e escritor italiano Gerardo Ferrara, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma.
“Era uma tortura tão cruel e humilhante que não era reservada a um cidadão romano. Era precedida pelo açoite, infligido com vários instrumentos, conforme a origem e a proveniência social dos condenados.”
“A crucificação não foi invenção romana mas estava amplamente disseminada no Império Romano. Fazia parte de uma rotina dentro dos territórios que hoje chamamos de Israel”, pontua Chevitarese. “Mais ou menos uns 40 anos depois da morte de Jesus, quando houve a tomada de Jerusalém, milhares de judeus foram crucificados.”

Domínio Público / A crucificação não foi invenção romana mas estava amplamente disseminada no Império Romano, diz pesquisador. Acima, obra de Jesus sendo erguido na cruz, de Rubens
Os Evangelhos dedicam-se também a narrar as últimas horas de Jesus, detalhando seu sofrimento. De acordo com as escrituras sagradas, ele teria sido levado de uma instância a outra nessas horas de julgamento, com certa hesitação entre as autoridades. Chevitarese diz que historicamente isso não pode ser verdade.
Isto porque, a julgar pelos relatos, Jesus foi morto na antevéspera da Páscoa judaica. “A festa da Páscoa é uma festa política, pois é quando se celebra a passagem da escravidão para a liberdade, a saída do povo hebreu do Egito para a ‘terra onde corre o leite e o mel'”, lembra o historiador.
“Então imaginemos: uma cidade abarrotada de judeus, como a autoridade romana vai botar um judeu para carregar uma cruz pela cidade, no meio de tantos judeus? Seria um convite à rebelião. Com uma pessoa como Jesus ninguém poderia perder tempo. Foi pego e imediatamente crucificado.”
Para Chevitarese, os relatos que existem dando conta de acontecimentos entre a prisão de Jesus, na madrugada de quinta para sexta, e sua crucificação, horas mais tarde, não são históricos; são teologia.
Alguns dias antes, no que acabou se eternizando como Domingo de Ramos, Jesus tinha entrado em Jerusalém. Foi uma rara aparição dele em uma grande cidade, o que teria transformado-o em alvo fácil das autoridades.
Mas por que ele incomodava? Porque liderava um grupo justamente proclamando um novo reino, o Reino dos Céus, ou reino de seu pai. E seu discurso era de um reino diametralmente oposto ao Império Romano, segundo quatro pilares básicos. “Ele se torna messias por conta dessa ideia”, defende Chevitarese.
O primeiro pilar do reo defendido por Jesus era a justiça. Não qualquer justiça, mas a justiça divina. “E ele se referia a Deus como papai, seu pai celestial. Essa justiça tão equilibrada, era claro, se opunha a outro reino, aquele que já estava instalado e que controlava a Judeia: o dos romanos”, compara o historiador. “Ele está dizendo: aqui no meu reino tem justiça; o do César é o reino da injustiça.”
O segundo ponto é que Jesus proclamava um reino de paz, também em oposição ao estado bélico do governo imposto pelos romanos, um império que avançava sobre outros povos.
O terceiro pilar é comensalidade: comida, bebida, fartura na mesa dos pobres, dos camponeses. “O grupo que acompanhava Jesus ouvia sua pregação e, de alguma maneira, achava interessante o que ele estava dizendo”, diz Chevitarese. Por fim, Jesus falava de um reino de igualdade, com a coparticipação de todos. “O ministério de Jesus é de homens e mulheres, iguais”, nota o historiador.
“O importante é que [nesses discursos] política, religião, economia, sociedade, tudo isso se inseria num programa messiânico. Não estava claro onde começava a política e terminava a religião, nem onde terminava a religião e começavam as questões sociais. Tudo estava interligado”, completa.
“Jesus morre por causa de um reino, o reino de Deus. Esse é o movimento de Jesus com Jesus. A geração seguinte, o movimento de Jesus sem Jesus, ressignifica a morte dele como uma morte sacrificial, que ganha dimensão estritamente religiosa.”
As autoridades romanas que serviam na região já estavam mapeando os movimentos de Jesus. E encontraram a oportunidade perfeita quando ele resolveu entrar em Jerusalém. “Viram-no criando confusão no templo, às vésperas da Páscoa, com a cidade cheia de judeus vindos das mais diferentes regiões e pensaram: rapidamente esse homem tem de ser preso, crucificado”, diz o historiador.
“Todos os evangelistas concordam em situar a morte de Jesus em uma sexta-feira, dentro do feriado da Páscoa”, comenta Ferrara. Autor do livro Vita di Gesù Cristo, o padre, biblista e arqueólogo italiano Giuseppe Ricciotti (1890-1964) reuniu várias informações históricas, cruzou-as e concluiu que o mais provável é que a execução tenha ocorrido no equivalente ao 7 de abril do ano 30.
A morte na cruz
Eram três as maneiras de se executar um condenado na Roma antiga. Segundo explica Chevitarese, um objetivo as unia: não permitir a preservação de vestígios de memória — em outras palavras, impossibilitar que restos mortais fossem sepultados.
Geralmente aos circos romanos eram destinados os condenados por crimes como assassinato, parricídio, crimes contra o Estado e estupros. Na arena, esses criminosos enfrentavam feras até a morte — seus restos eram devorados pelos bichos. Uma segunda forma de execução era a fogueira, que também não deixava muitos resíduos do corpo.
A crucificação era a pena destinada a escravos que atentavam contra a vida dos seus senhores e aqueles que se envolviam em rebeliões. Além de todos os que não eram cidadãos romanos, caso de Jesus. “Ainda vivos, na cruz, aves de rapina já começavam a comer o condenado. Três ou quatro dias depois, a carne desse indivíduo, apodrecendo, caía da cruz e cães e outros animais terminavam de fazer o serviço”, contextualiza Chevitarese.
No início dos anos 2000, o médico legista norte-americano Frederick Thomas Zugibe (1928-2013), professor da Universidade de Columbia e ex-patologista-chefe do Instituto Médico Legal, fez uma série de experimentos com voluntários para monitorar os efeitos que uma crucificação teria sobre o corpo humano. Os resultados foram publicados no livro The Crucifixion of Jesus: A Forensic Inquiry (A crucificação de Jesus: uma investigação forense, em tradução livre).
Para seus estudos, ele utilizou uma cruz de madeira com 2,34 metros na vertical e 2 metros na horizontal. Indivíduos — todos adultos jovens, na faixa dos 30 anos — foram suspensos nela e tiveram suas reações monitoradas eletronicamente, com eletrocardiograma, medição de pulsação e aferição de pressão sanguínea.
Atados assim, os voluntários não conseguiam encostar as costas na cruz e relataram fortes cãibras causadas pelo desconforto da posição, além de formigamentos constantes nas panturrilhas e nas coxas.
Na época de Jesus diferentes formas de cruz eram utilizadas nas execuções. As principais eram a em forma de T e a em forma de punhal. Não há consenso entre pesquisadores sobre qual teria sido a utilizada por Jesus. Ferrara acredita que teria sido a segunda.
Para o médico Zugibe, Jesus carregou, em seu caminho até o local da execução, apenas a parte horizontal. Ele escreveu que a estaca vertical costumava ser mantida no local das crucificações, fora da cidade.
E baseou-se no fato de que a parte horizontal pesava cerca de 22 quilos. A soma de ambas as partes tinha entre 80 e 90 quilos, o que tornaria impossível de ser carregada em uma longa caminhada — que, conforme seus estudos, teria sido de 8 quilômetros no caso de Jesus.
“Detalhes da punição são confirmados pelo uso romano e por documentos históricos: os condenados eram amarrados ou pregados no patíbulo com os braços estendidos e erguidos no mastro vertical já fixado”, esclarece Ferrara.
“Os pés eram amarrados ou pregados, por outro lado, ao poste vertical, sobre o qual uma espécie de assento de apoio se projetava na altura das nádegas. A morte era lenta, muito lenta, e acompanhada por um sofrimento terrível. A vítima, levantada do solo a não mais de meio metro, estava completamente nua e podia ficar pendurada por horas, senão dias, sacudida por espasmos de dor, náuseas e a impossibilidade de respirar corretamente, já que o sangue nem sequer podia fluir para os membros que estavam tensos a ponto de exaustão.”
O que é um entendimento quase unânime entre os pesquisadores é que as cravas eram pregadas nos pulsos, e não nas palmas das mãos — por conta da compleição óssea, as mãos “se rasgariam” com o peso do corpo. “A estrutura das mãos e a ausência de ossos importantes impediriam o suporte de um peso tão grande e a carne das mãos seria dilacerada”, ressalta Ferrara.
O médico Zugibe concluiu que os pregos tinham 12,5 centímetros de comprimento. Ele defendia que Jesus tinha sido pregado, sim, nas mãos, mas não no centro da palma e sim pouco abaixo do polegar. Já suspenso na cruz, os pés de Jesus também foram fixados com cravas — segundo o médico, um ao lado do outro, e não sobrepostos como o imaginário consagrou. Essas perfurações, por atingirem nervos importantes, teriam sido causadoras de dores insuportáveis e contínuas.
“Quanto tempo um indivíduo leva para morrer assim? Morre-se de cãibra, que vai atrofiando seus músculos e levando-o a morrer por falta de ar, com muitas dores, dores gigantescas no corpo todo”, narra Chevitarese. Ferrara, por sua vez, defende que Jesus tenha morrido por infarto do miocárdio, em decorrência do esforço exaustivo.
Por meio de seus experimentos, Zugibe analisou as três hipóteses mais aceitas para a morte de Jesus: asfixia, ataque cardíaco e choque hemorrágico. Sua conclusão é que Jesus teve parada cardíaca em virtude da hipovolemia, ou seja, a diminuição considerável do volume sanguíneo depois de toda a tortura e das horas pregado na cruz. Teria morrido, portanto, de choque hemorrágico.
“[A morte na cruz] é uma morte de violência física absurda. O tempo dependia das condições físicas em que se encontrava o crucificado. Se a tortura anterior tivesse sido muito intensa, isso de certa forma poderia fazer com que ele morresse mais rápido”, diz Chevitarese. Ferrara acredita que “a agonia de Jesus não tenha durado mais do que algumas horas, talvez até menos do que duas, provavelmente devido à enorme perda de sangue devido à flagelação [anterior]”.
Torturas
Se o condenado à morte de cruz era visto pelos romanos como parte de uma “escória”, um não cidadão considerado criminoso e oriundo dos estratos sociais mais baixos, é de se supor que os carrascos não poupassem esses indivíduos de toda sorte de agressões. Para tanto, o instrumento utilizado na tortura era um chicote específico chamado de azorrague.
No caso de Jesus, Ferrara acredita que tenha sido utilizado um com bolas de metal com pontas feitas de osso, capaz de rasgar a pele e arrancar pedaços de carne. “Justamente por ele ser um ‘criminoso’ de baixa classe social e de origem não nobre, no caso um judeu de pequena província oriental do império”, justifica ele.
De acordo com as pesquisas realizadas pelo médico Zugibe, o modelo de chicote utilizado para o açoitamento de Jesus era feito com três tiras. Condenados assim costumavam receber 39 golpes com o instrumento — na prática, portanto, era como se fossem 117 chibatadas, já que essas pontas feitas de osso de carneiro funcionavam como objetos perfurocortantes.
Isso, segundo explicações do médico, resultaria em tremores e até desmaios, e um quadro de hemorragias intensas, danos no fígado e no baço e acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões.
No caminho até o local de crucificação, não havia limites para as torturas. Eram espancados, ridicularizados, vítimas de intensa violência. Relatos bíblicos afirmam que, por sarcasmo, uma coroa de espinhos teria sido cravada na cabeça de Jesus.
Zugibe queria descobrir qual era a planta utilizada para a tal coroa. Depois de entrevistar botânicos e estudiosos de biomas do Oriente Médio, chegou a duas possíveis espécies que seriam capazes de fornecer espinhos grandes o suficiente. Conseguiu as sementes e cultivou ele próprio as árvores para, depois, analisá-las.
Acabou concluindo que foram utilizados ramos de uma árvore conhecida como espinheiro-de-cristo-sírio. Segundo o legista, os ferimentos causados por esse espinho na cabeça seriam capazes de, mais do que provocar intenso sangramento na face e no couro cabeludo, atingir nervos da cabeça — causando dores imensas.
Sepultamento
Chevitarese defende que a crucificação de Jesus, ao contrário do que narra a Bíblia, tenha ocorrido longe de testemunhas oculares, justamente porque tudo teria sido feito rapidamente e de modo a não provocar uma revolta da população.
E que, também ao contrário do relato religioso, não houve sepultamento de Jesus, tampouco restos mortais preservados. “Crucificados não eram enterrados. Ficavam na cruz e, ainda vivos, aves de rapina já sabiam que eles não podiam se mexer. E comiam olhos, nariz, bochecha, aquilo ficava abarrotado de aves de rapina comendo o corpo ainda vivo”, explica ele.
“[O corpo] passava alguns dias ali, quatro, cinco dias, pendurado. A carne começava a apodrecer. Caía. Despencava. Cães e outros animais se aproveitavam desses restos humanos para fazer seu banquete”, relata.
Para ele, o que prova essa tese é que milhares de escravos foram crucificados no período e não há registros de cemitérios ou mesmo de ossadas descobertas dos mesmos. “Historicamente, crucificado não era enterrado”, crava. “Teologicamente, é claro que Jesus precisava ser enterrado — para depois ressuscitar.”
Esta reportagem foi publicada originalmente em abril de 2021 e republicada em março de 2026
*Via BBC News Brasil
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LabFilmes Roo vai oportunizar formação gratuita em audiovisual em Rondonópolis
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03/04/2026 - 08:41
Profissionais que atuam ou pretendem atuar com audiovisual em Mato Grosso terão oportunidade de participar de uma série de cursos gratuitos que serão disponibilizados pelo Laboratório de Cinema e Publicidade de Rondonópolis, o LabFilmes Roo. O lançamento oficial será no dia 10 de abril de 2026, a partir das 18h, no Hotel Nacional Inn, em Rondonópolis. O evento é gratuito e aberto ao público e marca o início de uma programação de cursos e atividades de formação voltadas à qualificação de profissionais e interessados no setor audiovisual.
A abertura ao público está prevista para as 18h, com coffee. Na sequência, serão exibidos os curta-metragens “As Memórias Que Eu Não Queria Ter” e “Yanumakalu”, seguidos do documentário “Casa Xingu”. A partir das 19h, será o anúncio oficial do projeto e a abertura da mesa de convidados.
A programação inclui palestras sobre comunicação, mercado e produção audiovisual no interior do Estado e contará com explanações da jornalista Ana Sampaio, que vai falar sobre as expectativas do agronegócio em relação à imprensa e à publicidade em Mato Grosso. Em seguida, o diretor de fotografia Marcelo Biss vai abordar os rumos do audiovisual no Estado e as conexões entre capital e interior. Já o diretor e roteirista Wanderson Lana discutirá os desafios e potencialidades de se fazer cinema nacional no interior de Mato Grosso.
O encerramento da programação de palestras terá participação nacional com Anna Andrade, da Tarrafa Filmes, com explanação sobre o que plataformas de streaming e canais de TV buscam em produções brasileiras.
O coordenador pedagógico do projeto, Cassyo Anders, afirma que a iniciativa busca ampliar oportunidades no setor audiovisual. “Realizar um projeto dessa magnitude em Rondonópolis é a realização de um sonho e de muitos anos de trabalho de artistas e coletivos da cidade e de Mato Grosso. O nosso projeto vai ofertar formação teórica e prática com objetivo de preparar e conectar profissionais do audiovisual com possibilidade de ingressar no mercado do trabalho, ações autorais ou projetos independentes dos participantes”, declarou.
Um dos idealizadores da LabFilmes Roo, Paulo Yoshihara, da Rocky Filmes, destaca que a proposta é aproximar os participantes da realidade de grandes produções. “A ideia é tentar trazer um pouco do set de uma grande produção, a experiência dessas produções grandes e qualificar os profissionais de cada área dentro do set, desde um roteirista, maquiador, diretor de fotografia, gaffer, maquinista e profissionais de produção”, disse.
Além do lançamento, a LabFilmes Roo ofertará cursos e workshops ao longo de 2026, com temas como roteiro, atuação, produção, direção de arte, som direto, maquiagem e figurino, direção de fotografia, produção para mídias digitais, elaboração de projetos e direção cinematográfica. Entre os destaques está o workshop “Distribuição de Filmes Independentes no Brasil e no Mundo”, com a palestrante nacional Anna Andrade, no dia 11 de abril, com vagas limitadas.
A programação inclui ainda formações com nomes como Juliana Capilé, Franciesca Dinarte, Edilene Rodrigues, Ricardo Porto, Ally Rangel, Kayra Ribas, Nathania Carbonato e Juliana Segóvia, além de laboratórios de cinema e publicidade previstos para dezembro. Para mais informações, acessar a página no Instagram: @labfilmesroo.
A LabFilmes Rondonópolis é realizada pela Rocky Filmes em parceria com os Coletivos CorpoAnu, Gestação e Patologia Cênica e foi selecionado no EDITAL Nº 17/2024/SECEL – MT CRIATIVO – EDIÇÃO PNAB CICLO I da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) de Mato Grosso.
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