FÁBIO DE OLIVEIRA

Salvador da pátria somente na ficção

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Arquivo Pessoal

No final da década de 1980, quando o Brasil se preparava para eleger diretamente seu primeiro presidente após a ditadura militar, o genial ator Lima Duarte deu vida, em uma telenovela, ao personagem Sassá Mutema, o Salvador da Pátria.

Mais do que apenas uma obra de ficção, a ideia dialoga com um pensamento coletivo que persiste até os dias de hoje, o de que em um momento qualquer, um grande líder assumirá a nação e nos salvará de todas as mazelas vividas. É pena que isso nunca ocorrerá.

Ao longo destes 30 anos, já elegemos um caçador de marajás, um presidente que ajudou a estabilizar nossa moeda, aquele que defendia que a esperança venceria o medo e, por fim, um presidente que promete colocar o Brasil acima de tudo.

Analisando sem paixão, nenhum deles foi ou é o salvador da pátria, todos eles cometeram erros e acertos e foram estes erros e acertos que nos trouxeram aos dias de hoje.

A crença, ao longo dos anos, de que algum deles seria nosso líder supremo, que algum deles seria o nosso salvador, nos cegou em vários momentos da história.

Embora o slogan seja usado para falar de um político que nunca foi presidente, o “rouba, mas faz” foi e é usado pelos defensores destes políticos para justificar erros, deslizes, desacertos e até malfeitos, o que atrapalha em muito nosso amadurecimento enquanto democracia.

O que se vê hoje em dia nas redes sociais é uma radicalização enorme, um desejo de exterminar aquele que pensa diferente, sob os mais variados pretextos.

O resultado disso, ao invés de um país melhor, são famílias divididas, amizades rompidas, relacionamentos acabados, tudo porque somos incapazes de reconhecer a humanidade de nossos gestores e a importância da divergência para o amadurecimento.

Como eu já disse em artigos anteriores, não importa se você pensa que o Estado deve agir em todas as áreas, nem se você pensa justamente o contrário, que o Estado deve prover apenas o essencial.

Precisamos que ele seja eficiente e esta eficiência não se alcança enquanto tratarmos os gestores públicos como nossos amores, ou como nossos ódios. É preciso ser mais racional.

Precisamos ter maturidade e entender que nossos governantes, aqueles em quem votamos de tempos em tempos, são tão humanos quanto nós.

Eles erram, acertam, buscam resolver os problemas da nossa sociedade, melhorar nossa condição de vida, oferecer serviços públicos de qualidade, mas isso não os coloca em um pedestal, não faz deles deuses, inatingíveis, inacessíveis.

Ter um político de estimação é um dos grandes motivos pelos quais não avançamos o quanto podíamos ao longo das décadas.

Desde antes da exibição da novela, se dizia que o Brasil seria o país do futuro.

Ouso dizer que o fato de não termos uma sociedade capaz de julgar seus gestores sem paixões, ignorando os erros e enaltecendo os acertos, foi um dos fatores que impediram essa profecia de se concretizar.

Enquanto não tivermos um senso crítico, não formos capazes de entender que nenhum gestor é ou será o salvador da pátria, mas sim um servidor público que deve satisfação ao povo, que tem o dever de ouvir seu empregador e trabalhar para avançarmos, vamos ficar à espera do Sassá Mutema que, para nossa felicidade, já nos deixou um conselho.

“Não sou o salvador da pátria porque uma pátria que se preza, que tem a sua dignidade, não precisa de salvadores. Quem salva a pátria é o povo. Vamos salvar a pátria!”.

Fábio de Oliveira é servidor público estadual e professor universitário 

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Quinto constitucional da OAB-MT: democratizar é necessário

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“Seja realista: exija o impossível.” A frase do escritor e poeta surrealista francês André Breton tornou-se a marca registrada de Maio de 68, em meio à insurreição grevista e contestatória iniciada em Paris, e que logo tomaria toda França em favor da ampliação dos direitos civis e contra o regime de costumes conservadores representados pelo governo do então Presidente Charles de Gaulle.

 

Passados mais de 50 anos da erupção do movimento que vindicava dos seus a capacidade humana de sonhar e exigir as bajulas do flerte com o improvável, com todas as contradições, incoerências e vertigens que tal capacidade reclama dos que com ela são agraciados, volvendo-me à realidade bem mais pontual e menos expansiva do processo de escolha e indicação do Quinto Constitucional pela OAB-MT, permito-me fazer um empréstimo lúdico – e fundante da atividade de advogar – do slogan inflamado de Breton, para fazer o que melhor faz um advogado: pedir.

 

Por assim dizer, pedir à advocacia do Estado que se una em prol da necessidade de democratização do processo de escolha do novel desembargador que sairá das cadeiras da Ordem. Pedir à advocacia do Estado o de sempre: que seja realista, e exija o que parece ser impossível.

 

Como bem noticiado, desde o dia 31 de julho existe pedido administrativo protocolizado ao Conselho Estadual, formulado por um grupo de advogados de Cáceres, no qual me incluo, que carreia essa ânsia de há muito defendida pela advocacia de Mato Grosso, e que mais uma vez vem à lume frente à nova vaga destinada à advocacia surgida no Tribunal de Justiça do Estado. Vários nomes, como noticiam periódicos pelo Estado, já se lançaram ao pleito e, de já, desejo muita sorte a todos, que tão bem representam a advocacia em MT.

 

Mas creio que, antes de tudo, devemos e podemos repensar a própria formulação da lista sêxtupla, democratizando-a. Democratizar o processo de escolha, com a possibilidade de que toda a advocacia do Estado – e, sim, falo aqui de inclusão – possa votar a formação da lista sêxtupla é um DEVER da Ordem dos Advogados do Brasil em qualquer lugar em que constitua sede, especialmente no Estado de Mato Grosso, terra do pai das Diretas Já.

 

Fincados na perspectiva do tempo, percebemos que se amontoam os sintomas do exaurimento de um ciclo. A dinâmica dos tempos atuais, mais de trinta anos depois da Constituição Cidadã, não permite mais que Ordem dos Advogados em MT, expressão primeira da defesa democracia e do direito no Estado, mantenha fechada com pouco mais de 60 conselheiros uma prerrogativa que é de toda a advocacia estadual, e que quer e tem plenas condições para seu exercício. Negar o direito ao voto amplo é negar o nível de maturidade da advocacia do Estado, e a condição de cada advogada e advogado que pode e deve votar a constituição da lista sêxtupla. Tolher essa participação é garrotear o direito de voto outorgado pelo povo a toda advocacia do Estado.

 

Faz-se necessário corrigir essa falha na democracia institucional. E me desculpem, não consigo ver de outro modo, a não ser como falha, dados os fins e missão da Ordem. Espera-se, humilde e respeitosamente, nesse prumo, que o Exmo. Presidente da OAB-MT, Leonardo Pio da Silva Campos, honrando a expectativa e o requerimento apresentado, submeta-o, com a urgência necessária, à diligente apreciação do Conselho Estadual, no momento apropriado – quer-se dizer, antes do lançamento do Edital pelo E. TJMT, e com prazos hábeis já para essa nova votação – , dando ampla publicidade às deliberações e votação do porvir pela democratização da formação da lista sêxtupla.

 

Para os novos tempos, a prioridade é clara: integrar cada vez mais a advocacia, reduzir a desigualdade política nos processos decisórios e prevenir a exclusão de segmentos da advocacia que, cada vez mais, devem ter seus espaços respeitados na Ordem. A democratização da formação da lista sêxtupla, com a possibilidade de votação direta por toda a advocacia do Estado, é um passo extremamente importante de inclusão, e não pode mais ser negligenciado ou ignorado, à pecha de argumentos que não mais têm espaço diante do avanço da tecnologia (com a votação podendo ser feita de casa, por aplicativos de celular, por ex.,) e das novas necessidades e do nível de maturidade da advocacia do Estado.

“É caminhando que se abrem os caminhos.” Num ano como o de 2020, verdadeiramente definidor de rumos, a questão central é unir-se pelo que realmente importa, aqui, obviamente, em nível institucional, apropriando-se dos espaços de debate e permitindo a inclusão. Ninguém pode, efetivamente, dizer quais são os caminhos mais realistas para que alcancemos, em definitivo, a plena inserção democrática na OAB e demais instituições de justiça. Mas certamente é preciso abrir as portas, abrir picadas, e caminhar em frente, seja acreditando, como fez dizer Breton, no “realismo do impossível”, ou seja acreditando em uma “utopia do possível”, tudo para que, de qualquer forma, conquistemos ao caminhar o que é simplesmente necessário.

 

 

PABLO PIZZATO GAMEIRO é advogado em Cáceres, Mato Grosso

 

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Fábio Garcia espera aprovação da mulher?

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Pré candidato a prefeito não tem prestígio popular

A politica vai criando piadas prontas e os políticos procrastinando decisões. É a aprovação do eleitor? Essa não está no radar?

Neste caso específico, o Presidente do DEM – Fábio Garcia une as duas perspectivas, faz a gente rir e envolve a desavisada esposa na esfarrapada desculpa que irá dar a imprensa sobre sua amarelada provocada pela inércia eleitoral que representa.

Com 1% das intenções de votos, densidade zero, prestígio eleitoral nenhum e bagagem parlamentar acontecida somente em função do grude em Mauro Mendes, Garcia já ensaia a saída, que acha honrosa, para tapar o sol com a peneira de sua incipiente incompetência eleitoral.

O empresário aba do sogro, que tira onda de político com trânsito, é um blefe dele mesmo.

Não conseguiu empolgar nem o padrinho governador nessa incursão prometida de apoio irrestrito a candidatura, plantou a discórdia no partido que achava comandar, foi desautorizado pelos Campos a falar grosso, está vendo esfacelar sua suposta liderança e agora vem com essa de aprovação da conjugue familiar?

Esse cidadão devia voltar pra Rondonópolis, refletir sobre sua inoperância, guardar sua violinha desafinada no saco e ainda, no mínimo, entregar a Presidência da sigla a alguém que tenha expertise política, visão de bastidores, penetração eleitoral e vontade de fazer por MT.

Além de só atrapalhar o processo e não acrescentar a legenda, Fabinho teria muito que explicar se colocasse a cara na rua sobre as falcatruas delatadas por seu pai e empresas penduradas nas dezenas de obras superfaturadas e abandonadas pelas empresas da família.

Peso morto e dondocas não podem mais se criar no Estado que precisa de política seria, visão de futuro e atenção a população.

Já vai tarde e de preferência sem volta.

JOSÉ MARCONDES MUVUCA é jornalista e um cidadão que acordou rindo com a matéria da desculpinha acachapante de hoje.

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Amigo realmente é um ser que a vida não explica

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Já parou para pensar nas suas amizades? Na verdadeira amizade, na conexão e no que isso significa em sua vida? Certa vez, ouvi uma frase que para mim faz muito sentido, “quem tem amigos não fica louco”. Pode parecer bobagem, mas sabe aquelas frases que você fica pensando depois, vê que vai muito além e faz sentido?
Esses dias estava vendo algumas fotos antigas em um dos meus momentos nostálgicos e pensando em o que escreveria neste mês, quando me veio na cabeça a palavra Amizade. Foi aí que lembrei sobre as minhas amigas, percebi o quanto é raro encontrar alguém como elas no mundo e ainda pude perceber a sorte que tenho de a vida ter cruzados os nossos caminhos.
Sempre trago aqui reflexões, mas hoje vou trazer um pouco da minha realidade, porque acho que coisas belas, conexões como essa que eu tenho com minhas amigas, devem ser compartilhadas até mesmo para inspirar outras pessoas.
São elas que estão ao meu lado quando mais preciso. São elas que vibram com as minhas vitórias e me confortam naquele dia difícil. Mas, isso vai além. Somos em doze, sim uma amizade de mais ou menos uns dez anos entre doze meninas, que hoje, são mulheres que admiro muito. “Amiga, qualquer coisa estamos aqui, conte com a gente”, ouvir esta frase torna qualquer problema no grupo mais simples.
Quando conto essa história, as pessoas sempre se espantam, talvez doze seja um número grande para uma amizade tão concreta, né? E toda vez que falo disso, me sinto privilegiada.
De acordo com o dicionário, amizade significa “sentimento de grande afeição, simpatia e apreço entre pessoas. ” Concordo com isso, mas para mim o significado dessa palavra é reflexo do que temos nesse grupo. É estar ao lado da pessoa quando tudo está bem e quando tudo está ruim. É motivar, é ser dura e dizer a verdade, é auxiliar no caminho da vida, é dizer que tudo vai ficar bem, é ter um coração cheio de alegria e entusiasmo ao ver a felicidade e sucesso da outra.
É tão linda a relação que construímos, de fidelidade e confiança que nem sei se conseguirei expressar em um pequeno texto, a afeição e o respeito que temos. Doze mulheres fortes, doze personalidades totalmente distintas, doze vidas que se cruzaram e que se completam. Doze pessoas que desde 2012 moram em uma cidade diferente uma da outra, que o destino levou para um lugar do mundo, mas que quando desatinam em uma conversa, todas ficam em um mesmo lugar.
A vida passa, as coisas parecem ficar diferentes, mas quando estamos juntas existe a certeza de que nada mudou e relembrar a história daquele verão, sempre rende ótimas gargalhadas e até alguns suspiros de saudade – que tempo bom!
Uma apenas quer ver a outra feliz. Podemos discordar, brigar, às vezes até se magoar, mas nos entendemos e nos desculpamos, afinal, amiga é para essas coisas. E o sentimento que nos une é muito maior que o orgulho. Com elas, entendi que amizade é uma das melhores coisas da vida, amigos são a família que escolhemos para nós. Não importa a idade, o gênero, nem a quantidade, mas sim a qualidade daqueles que estão sempre ao seu lado.
Vinicius de Moraes uma vez disse que o “amigo é um ser que a vida não explica.” Aí, está uma ótima definição. Amigas, obrigada por tanto. Obrigada por estarmos perto mesmo estando longe, obrigada pelas aventuras, maluquices, viagens, baladas, choradeiras e por tudo que já vivemos juntas. Quando olho ao meu redor, eu sei bem com quem posso contar e como é bom ter vocês na minha vida. E obrigada ainda pelo planejamento dos nossos futuros, porque o mais lindo nesse grupo é ver que no nosso futuro queremos sempre estar umas com as outras. E de todo o coração eu espero que assim seja, exatamente assim, porque a nossa amizade é uma das melhores partes de mim.
E então, depois de toda essa leitura conseguiu pensar nas suas amizades? Seja grato a quem sempre está ao seu lado.

 

 

Fernanda Trindade Jornalista em Cuiabá
Contato:[email protected]

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