SUELME FERNANDES

PANTANAL: ESPERANDO A CHUVA CHEGAR II

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No eixo de investimento em saneamento básico previsto no PRODEPAN, o estudo apontou que quase 90% de todos resíduos urbanos das cidades são despejados nos rios e afluentes do Pantanal in natura, havendo a necessidade de implantar um grande investimento no tratamento dessess resíduos. Essa realidade pouco mudou nos dias atuais.
Em 2000 o Governador Dante lançou o BID Pantanal como a redenção desse problema do esgoto no Pantanal com 400 milhões de dólares de investimentos não retornáveis para uma série de ações de saneamento ambiental, mas, não foi adiante pois no governo posterior do Maggi devolveu os recursos. Esse é assunto para outra reflexão.
Além da falta de tratamento do esgoto e dos resíduos sólidos nas 18 cidades pantaneiras, havia milhares de pessoas sem abastecimento de água tratada para consumo humano nas cidades e para criação de animais na zona rural, em especial na época das secas. Situação que persiste até hoje em alguns locais.
As soluções de abastecimento para sanar a enorme falta de água na seca foi o investimento em algumas localidades em irrigação, poços artesianos e reservatórios d´água.
Para apoiar a pecuária, o PRODEPAN propôs um grande programa voltado ao crédito rural subsidiado e assistência técnica, administrado pela ACARMAT Associação de Crédito e Assistência Rural de Mato Grosso (atual EMPAER) e CODEMAT com apoio da EMBRAPA.
O foco seria o melhoramento da pastagem, na busca de soluções tecnológicas para os períodos da secas e na administração das propriedades. O programa propôs dobrar o número de escritórios da ACARMAT na região, indo de 9 para 18 unidades.
Na área de pesquisa foi fundada a EMBRAPA Pantanal em Corumbá em 1975 que deveria articular universidades, instituições publicas e privadas com objetivo de desenvolver e implantar tecnologias viáveis de manejo e exploração de recursos naturais.
O CIDEPAN inclusive sugeriu a criação da FLORATUR e FAUNATUR que seria uma entidade publica para desenvolver estudos sobre o Panttanal. Porém, não se concretizou.
O turismo não era um eixo estratégico no relatório do I Encontro do PRODEPAN Pantanal Nova Fronteira Econômica de 1973, mas teve um ação prevista na qual a EMBRATUR desenvolveria um estudo com propostas de mudanças na legislação ambiental, definição de normas, fiscalização e mapeamento dos locais com maior potencial turístico.
Diante das limitações históricas e da ausência de muitos problemas que afeta esse bioma nos dias de hoje, esse programa tornou-se obsoleto, mas não deixa de ser uma grande iniciativa do governo federal para dar um rumo ao desenvolvimento do Pantanal. Não se sabe ao certo o quanto desse montante de 660 milhões de cruzeiros foi. efetivamente executado, cabe um estudo.
Numa nova agenda do agora, devemos atualizar os eixos existentes no programa antigo e corrigir os erros e ausências da propostas passadas, que são: Regularização fundiária em especial nas áreas de população tradicional, de ribeirinhos, quilombolas e indígenas (tem 4 etnias: Bororo, Terena, Cadiuéu e Guató); Assistência Técnica e Linha de Crédito para os pequenos produtores da agricultura familiar, populações tradicionais associações e cooperativas com foco no extrativismo; Propor estratégias para a bacia do Alto Paraguai como um todo através das soluções já apontadas pela UFMT e outros pelo PCBAP Proframa de Conservação da Bacia do Alto Paraguai; Construir um Plano Sustentável de Turismo, incluindo turismo rural e prevendo investimentos em logística nesse setor; Propor uma política permanente de cuidados e tratamentos especiais com os animais da fauna pantaneira controle de zoonoses, clínica de apoio e tratamento médico, planos de manejo, fiscalização, policiamento ambiental e abastecimento de água nas propriedades e a previsão de remuneração por serviço ambiental aos proprietarios que preservam suas reservas legais, a maioria.
No tocante ao fogo, os estados irmãos Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os municípios e os países vizinhos Bolívia e Paraguai que compreende a grande area alagável do Pantanal precisam juntos criar um grande plano integrado de desenvolvimento com um avançado Sistema de Combate as Queimadas, tal qual o existente na Amazônia.
Por último lembro que o clima no planeta e o meio ambiente tem que ser de responsabilidade também das grandes corporações finamaceiras, nesse caso o grande agronegocio e suas associação de produtores, multinacionais do setor químico precisam de alguma maneira se comprometer com essa agenda, porque o relatório do PSBAP indicou que o entorno do Pantanal e suas cabeceiras estão exaustivamente sendo explorado por essas empresas com grandes impactos e danos ambientais.
Por mais que seja importante fazer simpatia e até ficar de joelhos a espera da chuva todos os anos, as administrações públicas e sociedade civil organizado precisam prever de maneira racional as ameaças sobre esse bioma e construir uma agenda sustentável que não busque culpados e sim soluções a curto, médio e longo prazo.

Suelme Fernandes é Mestre em História e Analista Político.

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Por dentro da pesquisa Ibope

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Na sexta-feira passada foi divulgada a pesquisa Ibope com as intenções de voto para a Prefeitura de Cuiabá. O primeiro aspecto que destaco é o elevado patamar de voto espontâneo para esta etapa da contenda. Abílio Júnior e Emanuel Pinheiro apresentaram 19% e 15% nesta condição. Isto indica que é muito difícil que eles baixem desse patamar ao longo da campanha. Somados com os 14% de Roberto França e 7% de Gisela Simona chega-se à marca de 55%, que indica forte fragmentação e grande tendência de segundo turno.

Já na estimulada há uma diferenciação clara no recorte de religião. O candidato Abílio Junior é evangélico e ligado à direção da Assembleia de Deus. Tem tido forte apoio deste segmento, que se traduz nas intenções de voto. O Ibope apontou 38% para ele aí, contra 46% da soma dos demais. Como a margem de erro desta pesquisa foi de 4%, o vereador estaria no limite de ganhar no primeiro turno, com empate técnico em 42%. Claro, caso a eleição fosse apenas entre evangélicos, que totalizam 27% dos eleitores cuiabanos.

Quanto ao gênero há diferenças importantes também. Temos a primeira candidata a prefeita desde 1996 e a desigualdade na presença da mulher na política vem sendo bem problematizada nesta eleição. Abílio Júnior tem uma larga vantagem entre os homens, com 33% contra 17% de Emanuel Pinheiro, 22% de Roberto França e 6% de Gisela Simona.  Já entre as mulheres a eleição está mais embolada, com 19% para Abílio, 22% para Emanuel Pinheiro, 15% para Roberto França e 16% para Gisela Simona. É possível ver a forte presença de Emanuel neste grupo, que vem pelo menos desde a última eleição e foi reforçada. Também a grande diferença de Gisela, que quase triplica seu resultado junto ao público feminino em relação ao masculino. Isto indica que ela tem potencial para crescer, se seu apelo para ter o voto feminino surtir efeito.

Quanto à escolaridade do eleitorado é possível constatar aquilo que vinha sendo apontado desde a pré-campanha em relação a Roberto França, que é a sua força junto ao eleitor

menos escolarizado e seu perfil para concorrer com Emanuel ali. Dentre aqueles que têm ensino fundamental está 30% a 27% na disputa de Emanuel Pinheiro com Roberto França. No nível médio a luta já é entre Abílio Júnior e Emanuel, com 34% a 27%, respectivamente. E nos portadores de diploma de curso superior o quadro é de empate técnico entre os quatro principais, com destaque para a Gisela Simona que sai de 5% no fundamental para 17%.

A pesquisa mediu também a popularidade de Emanuel Pinheiro. Apontou 30% de avaliação boa/ótima, 42% de regular e 28% de ruim/péssima. 44% dos eleitores aprovam a administração e 51% reprovam. Eles combinaram também esta tabela com as intenções de voto e revelaram algo interessante. Emanuel tem 53% daqueles que avaliam sua gestão como boa/ótima como seus eleitores. 15% estão com Abílio Junior e 11% com Roberto França. No regular Abílio Junior e Gisela estão melhores e no ruim/péssima o vereador se identificou como a grande alternativa de oposição, com 38% contra 22% de Roberto França.

Quer dizer, há um bom espaço para o crescimento de Emanuel no eleitor que avalia a sua gestão como boa e ótima, que costuma converter 80% para de intenção de voto em média. E também no regular, que seria acrescentado. Um dos focos do seu marketing tem sido exatamente ligar o candidato às realizações da sua gestão para polarizar melhor esse eleitor. Veremos se dará certo.

 

 

Vinicius de Carvalho é gestor governamental, analista político e professor universitário.

 

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A cueca do senador

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“O foro privilegiado é o guarda chuva dos malandros de colarinho branco”, assim se pronunciou o Senador Álvaro Dias, em entrevista concedida ao programa Entrevista CNN, na madrugada/manhã de 20 de Outubro de 2020, quando a referida entrevista versava sobre o “imbroglio” do Senador Chico Rodrigues e sua cueca, recheada de dinheiro vivo.

Disse ainda o referido Senador (Álvaro Dias) que se o Senado fizer com o atual caso o mesmo que fez para salvar o mandato do então Senador Aécio Neves, a imagem daquela casa de Leis e do próprio Congresso Nacional, “ficará mais ainda no chão”.

Nossos politicos, muitos dos quais eleitos pelo voto popular e outros indicados por esses para ocuparem cargos na alta administração da República, dos Estados e Municípios, quando em campanhas eleitorais ou depois de eleitos costumam proferir inúmeros discursos, recheados de promessas para atenderem aos interesses e necessidades de seus eleitores ou então, manifestações em defesa da familia, da pátria, da honra, dos bons costumes e da moralidade.

Todavia, há mais de um século, o então Senador, escritor, jurista, politico Rui Barbosa, enfim, um homem público exemplar que deixou suas marcas na história da República e  nos anais do Senado, onde também tem assento o Senador Chico Rodrigues, assim pronunciou Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. (Trecho do discurso proferido no Senado Federal, em 1914).

Confesso que, em meus quase 80 anos, pensava que já havia visto de tudo ou quase tudo em matéria de camuflagem, enrolação e formas de corrupção, mas acabei me surpreendendo com a “criatividade” do Senador Chico Rodrigues, um dos tres Senadores representantes do Estado de Roraima no Senado da República.

O Brasil nos últimos anos já viu também quase tudo, incluindo prisões de ex-presidente da República; ex governadores, ex parlamentares municipais, estaduais e federais, ou parlamentares e governantes e seus auxiliaries diretos sendo investigados, flagrados ou presos por envolvimento em atos de corrupção.

Mesmo com a Lei da Ficha Limpa, com a Lava-Jato e com tantas operações dos Ministérios público Federal e estaduais, da Policia Federal, da AGU, do TCU, das reportagens da imprensa investigativa,  parece que os agentes públicos eleitos ou que participam da gestão pública não se intimidam e continuam roubando, assaltando os cofres públicos, em detrimento das necessidades da população, talvez na certeza de que a impunidade e a lentidão das decisões lhes protegerão.

Parece que cadeia continua sendo para ladrão de galinha, aquele que rouba uma lata de doce ou algum outro produtos de pequeno valor em um supermercado, como se costuma dizer. criminosos de colarinho branco continuam zombando da “cara” da justiça e do povo brasileiro.

A corrupção chegou a tal ponto que um Juiz Federal ficou super conhecido como o “juiz lalau” por ter roubado preciosos recursos da construção de um edifício público em São Paulo, o mesmo acontecendo com um senador( hoje ex senador) que perdeu o mandato e que trocou seu suntuoso gabinete no Senado por uma cela na Papuda (penitenciária de Brasília).

Dois ex governadores do Rio estão trancafiados na cadeia há alguns anos e tudo leva a crer que, mesmo não tendo prisão perpétua no Brasil, irão terminar seus dias na prisão, sendo que um deles, o ex governador Sérgio Cabral já foi condenado a mais de 200 anos de prisão.

Lembro-me também de uma cena que, se não fosse dantesca seria hilariante, de um assessor do então presidente Temer, saindo correndo (literalmente) de uma pizzaria com uma mala, de rodinhas, cheio de dinheiro ou de um assessor de um deputado do PT, também flagrado com dinheiro vivo na cueca ao embarcar em um aeroporto.

Um ex-deputado, que já havia sido ministro de vários governos , depois vice presidente da Caixa Econômica Federal e um verdadeiro “manda chuva” do então PMDB da Bahia, sendo pego com a “boca na botija” com diversas malas e caixas de papelão onde estavam mais de 55 milhões de reais em espécie.

Não podemos também nos esquecer do ex presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que foi figura central no processo de impeachment da então presidente Dilma Roussef e que cumpre pena em regime fechado por envolvimento com a corrupção.

Em Mato Grosso, que `a semelhança do Rio de Janeiro e outros Estados, a corrupção há poucos anos atingiu todos os niveis de governo, tendo levado `a prisao um ex governador, um deputado estadual que por quase duas decadas era o “dono” da Assembléia Legislativa e diversas secretários estaduais, tudo por envolvimento com a corrupção, tão amplamente divulgado pelos órgãos de comunicação, por meses a fio.

Os Tribunais de Contas que tem por missão fiscalizar e controlar as contas públicas dos Estados e Municípios também, volta e meia, tem sido envolvidos em escândalos como o de Mato Grosso que já teve diversos de seus integrantes afastados por suspeitas de corrupcao. Em certo momento, nada menos do que 5 dos sete conselheiros titulares ficaram afastados e continuam sendo investigados e o do Rio de Janeiro que também, com frequência, tem estado envolvido em denúncias de corrupção.

A corrupção tem chegado até mesmo `a esfera do Poder Judiciário, como já aconteceu em vários estados, como Mato Grosso e mais recentemente, no Tribunal de Justiça da Bahia. Enquanto escrevo este artigo o Tribunal de Justiça esta voltando o afastamento de um Juiz, acusado de vender sentença, pela bagatela de 10% do valor das causas.

Na mesma toada do Senador Chico Rodrigues, também diversas deputados estaduais de Mato Grosso há poucos anos, inclusive um então deputado e que atualmente tenta a reeleição como prefeito de Cuiabá, foram flagrados recebendo grana viva, dinheiro da corrupção, denunciados pelo entao ex- governador que tentava aliviar sua condenação, sendo que um desses, ao colocar o dinheiro no bolso do paletó, deixou cair alguns pacotes e até sorriu.

Lembro-me também do caso de um casal de pastores evangélicos que foram presos em Miami por terem uma “pequena” importância, em torno de US$55 mil dólares, dentro de uma biblia, que era oca, ou seja, não era o Livro Sagrado, mas uma caixa oca na capa de uma suposta biblia. Por este ato ficaram mais de um ou dois anos presos nos EUA.

Em plena era da informática, da era das operações digitais, das transferências eletrônicas de valores, fica complicado, ininteligível, inexplicavel como um Senador da República, que é amigo antigo do atual Presidente da República, desde os tempos em que os dois eram deputados federais e participavam do chamado “baixo clero”, pode dar a desculpla esfarrapada de que tinha colocado alguns milhares de reais, alguns pacotes de dinheiro vivo na cueca para efetuar pagamentos a funcionários.

Do relatório da Polícia Federal, que embasou a decisão do Ministro Barroso, do STF, por afastar o referido senador por 90 dias, consta o seguinte: “Segundo a Polícia Federal, durante as buscas realizadas pela corporação no imóvel, Rodrigues pediu para ir ao banheiro. O delegado afirmou que o acompanharia. Diante do volume e formato observados na bermuda do parlamentar, a equipe de investigadores decidiu questioná-lo. Ele “ficou bastante assustado e informou que não havia nada”. Após a negativa, o delegado decidiu revistá-lo   Quando foi encontrado no interior de sua cueca, próximo às suas nádegas, maços de dinheiro que totalizaram a quantia de R$ 15 mil. Ao ser indagado pela terceira vez, com bastante raiva, enfiou a mão em sua cueca e sacou outros maços de dinheiro”, afirma o policial na descrição.”

Diante deste fato inusitado, fiquei curioso e fui procurar informações sobre as origens da cueca, como surgiu esta peça íntima do traje masculino e para que servia ou ainda serve e se entre suas utilidades consta a guarda de dinheiro vivo como fazia o Senador Chico Rodrigues.

De acordo com o site de busca Wikipedia “Cuecas (coloquialmente também chamadas pelo singular cueca) são peças da indumentária usada para cobrir e proteger os órgãos sexuais” e esta definição é expandida para “A palavra (cueca) deriva de “cu”, de origem no latim vulgar culus que significa ânus e de “eca” do grego eco que significa domicílio”, ou seja, é uma peça íntima da indumentária masculina para proteger órgãos que não devem estar expostos ao público, como acontecia com povos primitivos.

Segundo essas mesmas fontes descobrimos que: “O exemplo mais antigo dessa peça da roupa íntima masculina data dos homens das cavernas.” Mas, com certeza, essas cuecas primitivas evoluiram e acabam chegando `a atualidade como instrumento de operações financeiras, como ocorreu com o Senador Chico Rodrigues.

Li tudo o que consegui encontrar sobre as funções da cueca e não encontrei nenhuma referência, nem mesmo das cuecas samba-canção, que por serem mais folgadas podereiam comportar algum bolso escondido onde se possa guardar dinheiro.

Ao longo de anos temos visto e ouvido através dos meios de comunicação de pessoas que transportam drogas (mulas) que engolem pequenos envelopes de plástico com cocaina como forma de burlar a fiscalização e depois tomam purgante para “evacuarem” os pacotinhos de drogas.

Também temos noticias de que mulheres ao visitarem parceiros presos escondem celulares, carregadores ou drogas nas partes íntimas para burlarem a fiscalização carcerária. Mas eu nunca ouvi falar de alguém que tenha usado a cueca para transportar ou seconder dinheiro vivo.

Antigamente, dizem os mais velhos do que eu, moradores da área rural escondiam dinheiro em espécie em baixo dos colchões, como maneira de evitarem a ação de ladrões, mas, de forma semelhante, nunca escondiam dinheiro na cueca.

Ora, não consigo entender porque o nobre senador não usa o sistema bancário, como também parece ser prática de alguns integrantes da familia Bolsonaro que  negociam imóveis de alto valor pagando tudo em dinheiro vivo ou os famosos depósitos em espécie que o ex assessor do então deputado estadual do RJ e hoje Senador Flávio Bolsonaro realizava na boca do caixa de bancos existentes na Asssembléia Legislativa daquele estado, segundo consta das informações públicas nas investigações das “rachadinhas” na Assembléia Legislativa daquele estado.

Não podemos deixar de lembrar que o Senador Chico Rodrigues é amigo pessoal do Presidente Bolsonaro, chegando este (o Presidente) a confessar de público que já gozavam de uma “união estável”,  tamanha é (ou era) esta amizade que foi escolhido por Bolsonaro para ser seu vice-lider no Senado (um dos, já que o governo tem vários vice-líderes em cada Casa Legislativa Federal).

Diante dos fatos e da repercussão negativa não apenas para a sua figura de um senador da República como uma maneira de emporcalhar a imagem daquela Casa de Leis, um dos símbolos mais emblemáticos de nosso país e da República, coube ao senador tentar apresentar suas “explicações” para o inexplicável, ou como dizem, quando um marido é pego com a boca na botija traindo a esposa e não tem como explicar a mancha de baton na cueca, sempre a maldita cueca!

Mesmo assim, o “nobre” Senador da República passou a difundir a narrativa de que o dinheiro vivo escondido em sua cueca era para pagamento de funcionários, empregados. Explicação estranha e pouco convincente, vinda de um senador, que há alguns meses proferiu um eloquente discurso da tribuna do Senado, da mesma tribuna (figuradamente, é claro) de onde Rui Barbosa e outros ilustres senadores ao longo da história deixaram seus nomes inscritos de forma indelével nos anais daquela Augusta Casa de Leis, condenava enfaticamente a corupção de governos passados e, ao mesmo tempo, exaltava a ação do atual governo, do qual até há poucos dias, era um vice-lider de peso.

Lembro-me também de outro exemplo de um senador que brandia suas armas verbais (discursos em defesa da moralidade, contra a corrupção e o crime organizado) e acabou sendo descobertas suas ligacçõs com o crime organizado/contravenção no Estado de Goiás e acabou sendo cassado. ou do então líder do Governo Dilma, o então Senador Delcídio Amaral que também foi cassado por seus pares por atos de corrupção.

Em boa hora o Ministro Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento do senador Chico Rodrigues, por 90 dias, até que as investigações sejam concluidas. Ato contínuo, para não sofrer críticas de que sua decisão represente alguma forma de arbítrio, por ser uma decisão monocrática, o referido ministro solicou que sua decisão de afastar o Senador Chico Rodrigues, seja discutida e decidida pelo pleno da mais alta instância do poder judiciario brasileiro.

Ai, surge mais um “embróglio”, que é o fato de que tal afastamento ou até mesmo a cassação do mandato do Senador Chico Rodrigues por quebra do decoro parlamentar, como já requereram alguns partidos no Senado, depende de uma decisão “soberana” do Senado da República, que, em algumas oportunidades, tem agido seguindo um verdadeiro “espirito de corpo”, protegendo um de seus integrantes, mesmo que os fatos e a opinião pública indiquem que tal corporativismo macnha a imagem do Senado e desmoraliza ainda mais o Poder Legislativo perante a populacão.

Todavia, como o Senador Chico Rodrigues faz parte dos quadros do DEM, mesmo partido dos presidentes do Senado, da Câmara Federal e do presidente da Comissão de Ética do Senado, partido que faz parte da base de apoio do Governo Bolsonaro, parece que estão tentando colocar “panos quentes” e salvar a pele do cidato senador, como aconteceu em passado recente quando o Senado, de forma vergonhosa, para sua história, salvou o mandato do então senador Aécio Neves, também acusado e investigado por corrupção.

Mais curioso ainda nesta história, além do senador estar guardando dinheiro vivo, dinheiro sujo pela origem e pelas circunstâncias e local de guarda, o suplente do senador, em caso de afastamento do mesmo ou de perda de mandato, é ninguem nada menos e nem mais do que seu próprio filho, aliás prática nefasta, nada ética para partidos e para um país que fala tanto de democracia, ética na politica, espirito republicano e outros ufanismos verborrágicos.

Resta saber se esta prática de guardar dinheiro vivo na cueca não seja algo que, `a semelhança de tantas outras virtudes, passe de pai pra filho, só nos resta aguardar para conferir. Pela entrevista recente do Senador Jaime Campos, DEM/MT, presidente da Comissão de Ética do Senado, parece que tudo, pelo menos no âmbito do Senado, vai acabar em pizza, a Pizza da Cueca.

É muito triste para quem vive em um país fustigado pelo coronavirus, pelo desmatamento, pelas queimadas, pela falência do sistema público de ssúde, por elevados índices de desemprego e sub-emprego, pelo aumento da pobreza, da fome, da miséria e agora, como os dados do úlitmo Atlas da Violência demonstram que esta novamente voltou a aumentar no Brasil, termos que continuar convivendo em meio a práticas de corrupção, quando agentes públicos, incluindo ocupantes de altos cargos eletivos  e seus suborndinados (secretários e assessores) serem presos por roubalheira aos cofres públicos.

E pensar que a narrativa dos atuais donos do poder e seus apoiadores seja a  tentativa de demonstrar que a velha politica, do toma lá, dá cá, é coisa do passado, dos governos do PT e seus aliados de então. Só que inúmeros daqueles que agora estão ao lado do Governo Bolsonaro, vários dos quais foram ou são investigados por corrupção, em  passado recente também apoiaram os governos que ora criticam, como ocorre com parlamentares do Centrão e outros partidos que apoiam o Governo Bolsonaro.

Lamentável, uma vergonha que denigre a imagem da politica, do Senado da República, do Congresso Nacional e do Brasil, interna e internacionalmente. Se tudo acabar em pizza da cueca, vai ser dificil acreditarmos em nossos representantes, principalmente no Poder Legislativo, tão mal avaliado há muito tempo pela opinião pública, consiga construir uma nova imagem.

Em nome da cidadania, da moralidade, da ética e da transparência na gestão pública não se pode permitir que se confunda imunidade parlamentar com impunidade parlamentar, afinal, como consta da Carta Magna da República “todos são iguais perante a Lei” e que ningém está acima da Lei, pouco importa o cargo ou função que ocupe, isto sim, é o fundamento de um verdeiro estado democrático de direito, o resto é lero lero!

 

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia, articulista de alguns veiculos de comunicação. Email [email protected] [email protected]

 

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2022 já começou

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Um aspecto que tem me chamado nesta eleição é o número de candidatos, para prefeito, vereador e senador. No caso das eleições municipais um fator importante é o fim da coligação na eleição proporcional combinada com a cláusula de barreira para deputado federal.

No caso de Mato Grosso há ainda um componente adicional. Está acontecendo uma reacomodação de forças políticas, baseada na emergência de alguns nomes novos na arena eleitoral. A tão desejada renovação está acontecendo, ainda que seja apenas nominal. Vou me concentrar nas eleições para prefeitura das três maiores cidades do Estado, de modo a demonstrar como a maioria dos candidatos está de olho neste espaço que está se abrindo com o ocaso de algumas lideranças.

Em Cuiabá existem oito candidatos a prefeito. Emanuel Pinheiro é favorito e há uma forte tendência de segundo turno, dada a existência de quatro ou até cinco candidaturas acima de 10% das intenções de voto. Abílio Júnior, Gisela Simona e Roberto França são aqueles com maior chance de passar para a segunda etapa. Ainda que sejam derrotados, agora ficam posicionados para 2022. Roberto França retorna ao cenário depois de 20 anos sem ganhar uma eleição como titular. Em caso de derrota torna-se um forte candidato a voltar para a Assembleia Legislativa. O mesmo vale para o Abílio Junior e Felipe Wellaton. Em 2018 dois vereadores e um ex-vereador de Cuiabá foram eleitos deputados estaduais, o que não ocorria desde 2006.

Isto configura uma “recuiabanização” da política de Mato Grosso, ainda que em novas bases. Um terço da bancada foi preenchido por candidatos domiciliados na região metropolitana, reequilibrando representação e eleitorado. Gisela Simona tende a disputar de novo a eleição para deputado federal, tendo como grande missão obter mais que os 33.000 votos em Cuiabá que teve em 2018, quando foi a melhor votada no município. Uma eventual vitória para a prefeitura seria um bônus.

Na movimentação das forças cabe destacar a saída de Guilherme Maluf para o Tribunal de Contas do Estado, caminho que pode também ser seguido por Eduardo Botelho. Wilson Santos dá sinais de que poderia se aposentar da disputa por mandatos eletivos e Allan Kardec concorreria a deputado federal, o que pode abrir mais duas vagas. Este espaço aberto tem sido um dos motivadores para as candidaturas este ano, inclusive do deputado Elizeu Nascimento para Senador. Uma boa votação pode posicioná-lo bem para deputado federal. Lembro que em 2018 houve uma renovação bruta de quase toda a bancada, com a reeleição apenas de Carlos Bezerra.

O mesmo vale para Várzea Grande, que há um bom tempo não elege deputado estadual ou federal domiciliado lá. As candidaturas a prefeito visam massificar novos nomes, já que os três principais nunca disputaram esse tipo de eleição. Emanuelzinho teve cerca de 11.500 votos no município e pode melhorar esse resultado, se cacifando para um segundo mandato na Câmara dos Deputados em caso de derrota na prefeitura. O mesmo vale para Flávio Vargas e Kalil Baracat, que seriam candidatíssimos a estadual.

O caso de Rondonópolis é ainda mais evidente. Está com oito candidatos, numa cidade que polariza uma região importante do Estado, com quase 500.000 habitantes. Além disto, tem a tradição de eleger 4 ou até 5 deputados estaduais e 2 ou 3 federais. Nomes mais tradicionais como Teté Bezerra, Gilmar Fabris, Jota Barreto, Percival Muniz se afastaram da Assembleia Legislativa, abrindo espaço para os chegantes. Wellington Fagundes deve disputar a reeleição no Senado e Adilton Sachetti é uma incógnita. Veremos quem largará na frente rumo a 2022.

 

Vinicius de Carvalho é gestor governamental, analista político e professor universitário.

 

 

 

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