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O auxílio emergencial na balança política

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O temor à segunda onda de Covid-19 no Brasil, fez com que 18 Secretários Estaduais de Fazenda e Finanças das regiões Norte e Nordeste e também dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, através do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados – COMSEFAZ, assinassem uma carta pedindo adoção de medidas urgentes ao Congresso Nacional. Entre as medidas, estão o pedido de prorrogação por mais seis meses, do Estado de Calamidade e Orçamento de Guerra e o auxílio emergencial concedido aos brasileiros em situação de maior vulnerabilidade, ambos encerrados em 31 de dezembro de 2020;

Importante destacar que os estados que não aceitam a proposta de prorrogação do auxílio emergencial, representam em torno de 70% do Produto Interno Bruto – PIB, que é a soma de toda a riqueza produzida por um país. São eles: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal. São dois Brasis, bem divididos: Norte e Nordeste e o resto da galera, com duas exceções;

O cenário está posto. A chegada de nova onda de contaminação, lotação de leitos hospitalares, atraso na vacinação dos brasileiros e o consequente impacto negativo na economia. Diariamente, o consórcio de imprensas brasileiras continua divulgando números de mortes diárias elevados (em torno de mil);

O presidente Jair Bolsonaro conta com dezenas de pedidos de impeachment, sendo que em várias pesquisas divulgadas pela mídia, em torno de 50% da população brasileira é favorável ao processo;

Com a proximidade das eleições da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, essa discussão dos estados em prorrogar ou não o auxílio emergencial, pode criar um bloco independente das agremiações partidárias, ou seja: os “contra” e “a favor”, independentemente de pertencer a este ou aquele partido político. Essa é uma formação que está acontecendo entre os parlamentares. A formação desses blocos pode inviabilizar a votação de qualquer projeto de interesse do governo, travando as pautas do governo até 2022;

O país vive uma onda de desconfianças e no Congresso Nacional não é diferente. O famoso acordo palavreado passou a ter pouco valor. Em declaração à mídia, o presidente da Câmara dos Deputados declarou que seu partido apoia o candidato Deputado Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara, no entanto, admitiu que cerca de 30% dos votos podem ser contrários, já que a votação é secreta. Mais atual que nunca, como dizia Ulysses Guimarães: “o voto secreto dá vontade de trair”. Portanto, existe uma incerteza muito grande nesse meio;

Com a pandemia e a implantação do auxílio emergencial, a popularidade do Presidente da República e do governo federal teve um salto. Segundo o Ministério da Cidadania, o auxílio emergencial beneficiou 67 milhões de brasileiros até dezembro de 2020 e custou R$ 294 bilhões aos cofres públicos;

No entanto, com o fim da concessão do benefício, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro despencou, principalmente entre a população de baixa renda. Segundo pesquisa Datafolha divulgada recentemente, a reprovação ao governo federal saltou de 26% para 41% entre os brasileiros que ganham até dois salários mínimos;

A grande questão é o quanto isso pode influenciar nas eleições de 2022.

 

Ricardo Bertolini, Fiscal de Tributos Estaduais, diretor da FENAFISCO – Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital e do SINDIFISCO-MT

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Abrace o fracasso

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O medo está tão presente em nossas vidas que até perdemos a conta de quantas vezes esbarramos neste sentimento tão assustador e ao mesmo tempo indispensável e sensato. Mas, já percebeu que a autossabotagem ou medo do fracasso está entre uma das expressões mais pesquisadas, atualmente?
Claro, que isso deve estar diretamente ligado ao momento atual em que estamos percorrendo, mas esse sentimento as vezes pode ser paralisante. São travas, limites, medos e inseguranças que se repetem ao longo do caminho por uma voz interna que nos impede de tomar uma atitude para sair desse lugar. Pode ser na vida pessoal, profissional ou emocional. É um medo de ser feliz. De fracassar. Tem feito isso? Parece que você está sendo controlado por uma força maior, pelo inconsciente ou não e sendo impedido de mudar. Mas, esses dias refletindo sobre esse assunto, me deparei que isso é confortável e é aí que está o grande problema.
Freud, o pai da psicanálise, escreveu em 1916 um artigo “Os que fracassam ao triunfar” que, basicamente, descreve as pessoas que se sentem aliviadas quando algo que tanto desejam não dá certo. Muitas pessoas amam o perfeccionismo e querem ter tudo sob controle. Mas, por que será que tantas pessoas têm tanto medo de falhar? E olha só, Freud mesmo já explicava que isso está relacionado com a nossa infância. A educação e as experiências do passado podem estar na base de muita ansiedade desde crianças.
Uma pessoa, por exemplo, que sofreu várias perdas ao longo da vida, seja de entes queridos, de possibilidades ou de relacionamentos, quando estão diante de uma nova conquista, inconscientemente diz “não vou conseguir”. Daí cria empecilhos e desiste. E o ciclo se repete.
É muito mais fácil ficar em um lugar da sua vida onde está confortável do que ter a coragem de encarar isso de frente. E sabe por quê? Pode doer e podemos fracassar. Tenho entendido cada vez mais que a autossabotagem está relacionada com o medo de fracassar.
E se esse entendimento me ajudou, pode ser que te ajude também, por isso resolvi compartilhar. A autossabotagem inibe descobertas de coisas boas ou ruins que trarão aprendizado. Por isso, mude de posicionamento. Nada na vida é garantido, o resultado pode ser o não esperado, o não planejado, o não desejado e precisamos entender que isso está tudo bem. O que não dá é sempre optar pela inércia e não resolver nada nunca. Lembre-se de que a vida é uma só. É preciso ter coragem e lutar contra o medo de falhar.
Infelizmente, muitas vezes na tentativa de sermos aceitos e reconhecidos esquecemos de viver realmente a vida e saborear os momentos e as experiências. Por isso, gosto de dizer que o fracasso não existe. Apenas existe feedback e se a resposta não for boa tente de novo e de novo até melhorar.
Dê uma chance a você mesmo. Essa conquista pode doer, mas alcançá-la é permitir revelar-se a si mesmo e ao mundo, livrar-se de culpas, receios e resgatar sua plenitude com a potencialidade que todos têm.
A autossabotagem e o medo de fracassar não podem ser maiores que a sua coragem. Pense nisso. Mais uma vez, não trago certezas, esses são só alguns pensamentos que permeiam minha vida. Mas, lembre-se, a vida está em constante mudança e transformação, siga esse ritmo de maneira consciente e viva bem. Abrace o fracasso, aprenda e cresça.

Fernanda Trindade
Jornalista em Cuiabá
Contato:[email protected]

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O cavalinho Xomano e o cuiabanês

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O mascote oficial do time Cuiabá E. C. é um peixe dourado apelidado de douradão, no seu emblema tem o marco do centro geodésico da América do Sul, que fica em frente a Câmara Municipal, na praça Pascoal Moreira Cabral (fundador de Cuiabá) e a cor da camisa do time é verde, como a cor da bandeira de Cuiabá.

Só faltava falar. Pra supresa dos cuiabanos o cavalinho do Cuiabá E.C. que aparece aos domingos no programa Fantástico tinha sotaque de caipira mineiro. Isso gerou uma grande revolta na cidade.

A resposta nas redes sociais foi imediata. Tantos ataques que o próprio Tadeu Schimdt teve que corrigir a falha grosseira da produção através de um vídeo na internet que viralizou. Nesse domingo passado, enfim o boneco batizado de Xomano apareceu falando com sotaque cuiabano. Cuiabanos e não cuiabanos vibraram com essa aparição.

A antropologia considera a língua de um povo, uma das suas principais marcas identitárias. Lenine Póvoas chamou essa identidade local, incluindo a língua de cuiabanidade.

Com a onda migratória dos anos 70/80 e do uso em escala de aparelhos de TVs e das novelas, o falar cuiabano passou por um de preconceito linguístico enorme. Inclusive nas escolas. Logo criou-se a oposição: nativos e estrangeiros, cuiabanos de pé ratchado e os pau rodados.

Afora, as controvérsias e críticas ao deboche exagerado no falar cuiabano, Liu Arruda nos anos 80 e sua icônica Comadre Nhara e Djuca representou uma resistência cultural da língua local aos chegantes através de seus causos e piadas de sátira a cariocas e gaúchos. Manifestações de personagens e humor que continuam nos dias atuais, com Comadre Pitú, Nico&Lau, Xô Dito, Totó Bodega e Almerinda. Sem contar o movimento musical do rasqueado que também participou dessa afirmação cultural e que renderia outro texto.

Mas esse preconceito era coisa antiga.
Em 1921, o primeiro pesquisador que tentou entender esse dialeto foi o professor de Português da Escola Sen. Azeredo, Flanklin Cassiano da Silva que publicou o livro “Subsídios para o estudo da Dialectologia de Mato Grosso”.  

O autor buscou as raizes linguísticas desse sotaque em determinadas regiões de Portugal como Minho e Tras os Montes. Sua iniciativa já era uma busca de valorização e aceitação desse dialeto e de luta contra o preconceito da época.

A partir daí vieram outros divulgadores desse linguajar, nos anos 70/80. Em 1978, Maria Francelina Ibrahim Drummond publicou o livro “Do Falar Cuiabano”. Nos anos 80/90 Moisés Martins, Wilian Gomes e Antônio Arruda publicaram dicionários com verbetes e expressões nativas.
Na mesma linha, em 2008, Pedro Rocha Jucá com o livro “Da Linguagem Cuiabana”.

Em comum, todos defenderam que o sotaque cuiabano é herança dos portugueses e/ou dos bandeirantes.

Em 2005 a UFMT, Instituto de Linguagem publicou “Vozes Cuiabanas: estudos linguísticos em Mato Grosso” organizado por Manoel Mourivaldo S. Almeida e Maria Inês Plagliarini Cox. Em 2014, a professora Cristina dos Santos lançou “Do Falar Cuiabano”.

                                   

   

Nessas análises acadêmicas sobre esse “djeito de falar” definiram fonética e morfologicamente essa variação linguística, e não a língua em si, como sendo herança cultural dos povos indígenas, em especial dos Bororos e também dos africanos escravizados. Esses grupos representaram 65% da população no período colonial da Vila Real de Cuiabá .

Para o linguista Marcos Bagno que publicou vários livros sobre o tema, não existe português certo ou errado, porque a língua se renova exatamente pelas suas variações.

Os índios Bakairi na década de 1960/70 foram proibidos pela FUNAI de falar sua língua materna na aldeia. Passaram então a falar sua língua escondidos na mata. Por isso, atualmente falam sua língua nativa fluentemente.

Por analogia, diante da polêmica dos cavalinhos e da ida do Cuiabá E.C. para série A, percebi que o falar cuiabano que parecia morto, está vivíssimo.

A vitória do time que traz toda a simbologia da cidade reavivou o sentimento e a estima de cuiabanidade. E o antigo hábito de falar cuiabanês que sobrevivia restrito ao ambiente doméstico “no casa do mamãe ou do Titia” está voltando para as ruas, impulsionado pelas redes sociais com personagens como Xomano que mora ali, Xomano do Saber, Kbça Pensante entre outros.

O falar cuiabano não tinha morrido, ele só estava escondido! Língua não morre, ela evolui, quem morre são os falantes!

Suelme Fernandes, Historiador e Analista Político siga no Instagram @suelmefernandes.

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DENÚNCIA ! Evasão de divisas com venda de rebanho vivo passa de R$ 380 milhões

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Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso e Secretaria de Indústria e Comercio, bem como a fiscalização estadual e federal estão coniventes com uma situação de crime tributário grave, estadual e federal.

Estamos denunciando aqui neste pequeno artigo que a saída do boi em pé ou “boi vivo” para fora do estado está totalmente sem controle. Com brechas criadas para facilitar a evasão de divisas, muitos produtores agropecuaristas e empresas do setor simulam a transferência do gado vivo para mesma titularidade para fora do estado e com a omissão do governo deixam de recolher cerca de R$ 380 milhões em impostos estaduais e federais.

Numa conta de “papel de padaria” estão saindo cerca de 80 mil bois vivos todo mês, ao preço médio de R$ 5.600,00 a cabeça, e com ICMS REDUZIDO INCENTIVADO PELO GOVERNO, deixam de entrar, repito: R$ 380 milhões por ano nos cofres públicos.

E enquanto isso, a desgraça do desemprego batendo na casa de milhares de pais de família.

A quem interessa esse prejuízo? Quantos empregos estão deixando de ser gerados em Mato Grosso? Milhares estão sendo demitidos. O negócio é tão lucrativo que a tendência é fechar mais plantas frigoríficas no estado, cujo rebanho bovino é o maior do País.

No entanto esse governo, mesmo com as indústrias locais consolidadas, prefere impor o rótulo de apenas exportador de matérias primas, não bastasse para o exterior, agora também no mercado interno. Algo inusitado, inacreditável, inaceitável e revoltante.

É crime federal! Onde estão o MPF, MPE?  Chamem o Sindicato dos Frigoríficos e ouçam seus diretores e saberão o que se passa no submundo dos abates que geram empregos em outras unidades da Federação! Porque a Rogerio Gallo não se manifesta? Porque Mauro Mendes não se manifesta? Deve estar sobrando dinheiro no caixa!

A população está indignada com tamanha nocividade aos cofres públicos. Será que nesse governo existe uma controladoria competente? Porque o TCE-MT e Assembleia Legislativa estão calados? Porque os MP’s estão calados? Esta situação não pode perdurar! Quem está sendo penalizado é o povo, o trabalhador e você contribuinte. Esperamos ação enérgica dos órgãos competentes! Com a palavra o MPF e MPE.

Éder Moraes – Ex-secretário de Fazenda/MT

 

 

 

*FONTE: Pagina do Estado

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