SEM CHUVA

Não chove há mais de 100 dias em Cuiabá e ‘clima de deserto’ predomina

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Mato Grosso

Cuiabá não tem registro de chuvas há 101 dias e a previsão do tempo aponta que o ‘clima de deserto’, típico neste período de estiagem, deverá predominar nestas próximas semanas.

Conforme noticiado pelo portal GD, nestes próximos dias deverá ser registrada temperatura máxima de até 41º em Cuiabá. Além disso, a umidade relativa do ar na Capital mato-grossense alcançará os 8%, semelhante ao registro em regiões desérticas como o Saara e o Atacama.

A última chuva em Cuiabá foi registrada no dia 22 de maio. Desde então, o clima na Capital tem registrado índices semelhantes às médias anuais para este período, sendo agravado, contudo, pelos diversos focos de queimadas.

No último ano, Cuiabá ficou mais de 120 dias sem registrar chuvas. De acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), não há previsão de precipitações nos próximos dias.

Neste final de semana, diversos internautas fizeram registros da chuva que caiu no município de Comodoro (644 km a oeste de Cuiabá). O ‘alívio’ da chuva no interior, contudo, segue sem data certa de chegada em Cuiabá.

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Mato Grosso

Tutu e Glória resistem, mas o Pantanal agoniza

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Fogo, muito fogo. Calor insuportável. Ar irrespirável pela fumaça das queimadas. Ventos fortes. Baixa umidade relativa do ar. Visibilidade quase zero. Animais queimados por onde se olha. Cenário assustador não somente por essa situação, mas, sobretudo, pelo homem pantaneiro – figura principal e central daquela imensa planície com 195 mil km² que une Brasil, Bolívia e Paraguai. Sem saber como, quando e onde dará o primeiro passo, o casal Glória e Tutu de Arruda Falcão levanta o olhar marejado ao céu num questionamento silencioso ao Senhor – Por quê? Ao lado dela e dele, a cadelinha Nega, com as quatro patinhas sapecadas, não late e aumenta o silêncio sobre a terra que um dia foi reino das águas e agora arde descontroladamente.

Glória e Tutu moram na fazenda Pombeiro, em Poconé, onde nasceram. Ele aos 74 anos jura com o sotaque pantaneiro cantarolado e carregado com gírias regionais, que nunca viu nem ouviu falar em algo tão devastador.

O que o fogaréu em Poconé tem a ver com uma matéria de editoria internacional? Tem tudo!

Os incêndios florestais em Poconé são iguais aos do vizinho município de Cáceres, que é o ponto navegável mais ao Norte da Hidrovia Paraná-Paraguai. Pelo rio, a distância de Cáceres a Nueva Palmeira, no litoral atlântico uruguaio, é de 3.342 quilômetros. Acontece que a navegação comercial no trecho brasileiro ficou inviável.

Isso reflete na Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina, no curso da chamada grande avenida líquida, por onde chegaram os colonizadores da fronteira Oeste brasileira.

No centro do continente, o Pantanal é uma imensa planície alagável internacional com 195 mil km², dos quais 150 mil no Brasil. Sua altitude média é 100 metros, mas há pontos em que o mesmo está abaixo do nível do mar. Essa característica leva o pantaneiro a se referir aos pequenos pontos não alagáveis chamando-os de cordilheiras.

O principal formador do Pantanal é o rio Paraguai, que nasce no Chapadão do Parecis, e ora agoniza pela falta de chuva há mais de 100 dias e o comprometimento de todos os seus afluentes, dos maiores aos córregos e corixos.

O alagamento do Pantanal acontece com o transbordamento do rio Paraguai, que tem o período das águas altas entre novembro e abril. Fora dessa época, as águas encolhem, os corixos perdem volume e se torna visível o fenômeno conhecido como minhoqueiro,  que nada mais é do que irregularidade no solo provocada pelo pisoteio da tropa e bovinos.

O minhoqueiro afeta a casqueadura dos equinos que pisam sobre o mesmo, menos o Cavalo Pantaneiro, animal nativo daquela região e única raça equipa genuinamente brasileira.

O sobe e desce das águas é tão cíclico quanto as enchentes que acontecem a cada 20 anos, porém, fogaréu igual ao de agora nenhum pantaneiro nunca viu, muito embora todos os anos o fogo entre nas pastagens e cause alguns dados.

Agora, além do volume das chamas, outro fato, esse político, chama a atenção: pela primeira vez os incêndios florestais foram politizados. Alguns dizem com crença bolsonariana que a causa de tudo é a falta de pisoteio do gado e de limpeza regular de pastagem com fogo; outros juram pela honestidade do ex-presidente Lula da Silva que as chamas foram acesas com a mão direita. Pobre os que se comportam assim!

A estiagem é severamente agravada pelas chamas.

O Pantanal arde

O fogo devora piúvas, babaçus, pequizeiros, sarãs, guabirobas, aricás, aroeiras, palmeiras, jatobás, jamelões, lobeiras, ipês, buritis, carandás e tudo mais que se possa imaginar em árvores e vegetação rasteira no campo e nos capões.

Jacarés, onças, jaguatiricas, tatus, macacos, quatis, veados, araras, piranhas, emas, pacus, colhereiros, tuiuiús, biguás, lebres, lontras, capivaras, ariranhas, sabiás, canários, tucanos, seriemas, garças, abotoados, cacharas, lagartos, antas, tamanduás, cobras, saracuras, bichos-preguiça, aranhas, mosquitos, melros, joões-de-barro e centenas de outros animais viram cinzas.

Por onde passa o fogaréu deixa rastro de destruição com cenas dantescas pela  dor da bicharada morrendo em agonia, da vegetação sendo consumida e das águas desaparecendo.

Perto da casa de Glória e Tutu o piscoso rio Cassange virou leito seco – não tem uma gota d’água.

A temperatura está sempre acima de 40 graus, inclusive à noite. O vento joga lufadas de calor sobre a pele esturricada do pantaneiro.

O fogo foge ao controle.

Por aqui desciam as águas do rio Cassange

Sobre o solo há uma grossa camada de folhagem seca e galhos. As chamas encontram nesse ambiente local propício pra propagação avançando por baixo dessa vegetação e surpreendendo quem tenta contê-las.

O vento é outro fator que agrava os incêndios, pois atira labaredas a 50 metros ou mais do ponto em chama.

Nas áreas queimadas não se vê vida animal. Não se escuta mais o barulho das aves em algazarra no entardecer e amanhecer.

Ninguém carrega mais o repelente, pois não há o que repelir. Cenas apocalípticas.

O serviço meteorológico não prevê chuva para este setembro. Nem mesmo a natureza se manifesta quanto a isso.

A cigarra, que canta às 18 horas anunciando o fim do dia e tem aviso especial sobre o aguaceiro, morreu.

Virou cinzas.

Nenhuma legenda explica esse absurdo

Ninguém é capaz de avaliar quanto tempo será preciso para a recuperação do Pantanal. A flora rebrotará, como sempre acontece quando de incêndios, mas a intensidade das chamas agora foi além de tudo que se poderia imaginar para o maior fogo que viesse devorar a região. Além disso, a dizimação generalizada desequilibra a cadeia alimentar animal. Por todo lado que se olhe há sempre uma carcaça incinerada.

Chocante!

A pouca água que ainda teima em permanecer nos corixos some. A cada dia se transforma em barro, em pó.

Pobre Pantanal!

Em Cáceres, ao lado da cidade, o rio Paraguai era assim…

NOME – Em Poconé se alguém  perguntar por Oises Falcão de Arruda, ninguém saberá informar, muito embora seus dois sobrenomes rotulem integrantes de uma das famílias mais tradicionais do Pantanal. No entanto, se o questionamento for sobre Tutu de Arruda Falcão, até os papagaios dirão que se trata do marido de dona Glória – o casal fazendeiro que vive na fazenda Pombeiro.

Tutu se acostumou tanto com o apelido, que em alguns momentos sequer consegue lembrar o próprio nome. Mesmo caminhando com dificuldade, em razão de uma queimadura no pé esquerdo, quando tentava controlar um incêndio, ele não se dá por vencido. Mexe dali, mexe daqui, ajuda a patroa nos afazeres domésticos, mas não se esquece que o fogaréu matou 25 reses de seu rebanho.

… Agora agoniza assim

Triste tanto quanto todos no Pantanal, Tutu pede a Deus que chova. Mesmo em meio àquela tragédia, seu lado de bom pantaneiro em alguns momentos consegue fazê-lo feliz, vitorioso e comenta uma conquista que é de sua família e da vizinhança: Aqui não tchegô a curuvira. Curuvira, no linguajar do Pantanal significa coronavírus.

O FOTÓGRAFO – A postagem desta reportagem no capítulo sobre a Fronteira e o Chapadão do Parecis na série de Boamidiasobre as 5 Regiões de MT somente foi possível graças ao conteúdo fotográfico do mestre do fotojornalismo José Medeiros, que além de sua atividade profissional também se dedica à luta em defesa do meio ambiente, com destaque para o Pantanal, região que o inspirou a publicar um livro em parceria com o repórter Rodrigo Vargas.

 

                                                                                                  FOTOS:

José Medeiros, sendo que a última é de Facebook

Mais fotos de José Medeiros em: @josemedeirosfotografo

 

*fonte: Boa mídia

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Região do Jardim Imperial pode ter um vereador eleito nessas eleições

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Região do Jardim Imperial pode ter um vereador eleito nessas eleições. Moradores apostam em Kaue Silva
Após vários anos sem um representante na Câmara Municipal o bairro Jardim Imperial e região apostam na eleição de Kaue Silva. O jovem tem se destacado no cenário politico e tem recebido apoio de lideranças de toda região, entre elas estão empresários, presidentes de bairros, lideranças religiosas e moradores antigos e recentes.
Kaue Silva, tem trabalho prestado na região desde aos 15 anos, quanto ainda era morador da Cohab Tarumã onde cresceu e hoje é visto como porta-voz da população.
Quando adolescente (Kaue Silva) atuou na área cultural, mas especificamente na dança de rua, ensinou e tirou das ruas mais de 300 jovens, na juventude sempre esteve a frente das lutas e conquistas de melhorias para a região, com eventos beneficentes, ações sociais e luta para melhorias da infraestrutura do bairro. Sempre de prontidão para atender a todos por esse motivo as lideranças da região pediram para que ele saísse candidato.
Aprovado na convenção do MDB o jovem que nasceu no Cohab Tarumã e hoje mora no Jd. Imperial desponta como uma nova revelação da política da cidade industrial.
Proposta como luta por uma UPA na Mario Andreazza , centro de apoio a cultura, clínica veterinária municipal e um parque recreação e esporte na região serão o carro chefe de suas propostas caso eleito.
“O Kauê Silva desde pequeno sempre foi atuante, hoje na região dos candidatos que tem é o único que tem trabalho comprovado…” ressaltou mecânico conhecido como Dedé que atua mais de 20 anos na região
“Ainda que o Kauê não mora no parque das mangabeiras ele foi uns dos que encarou o implementação de uma linha de ônibus no bairro e juntos conseguimos… Declarou ex-presidente do bairro Mangabeiras conhecido como Ricardo dos Santos.

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Mato Grosso

Leitão entre o palanque a prisão

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Leitão entre o palanque a prisão

Dentre os pré-candidatos ao Senado na eleição suplementar em novembro, Nilson Leitão (PSDB), do Nortão, é o único que foi preso. Quem o prendeu foi a Polícia Federal, sob acusação de recebimento de propina quando prefeito de Sinop. Ele jura inocência.

Leitão é pré-candidato ao Senado na vaga aberta com a cassação da senadora Selma Arruda (Pode), por crimes de caixa 2 e abuso de poder econômico, e ocupada bionicamente por Carlos Fávaro (PSD). A trajetória política de Leitão começou há 24 anos, em Sinop, onde reside, e teve altos e baixos: foi um dos mais influentes tucanos mato-grossenses na cúpula nacional que sonhava em dominar Mato Grosso por longo tempo; venceu e perdeu eleições; foi acusado de sanguessuga no escândalo da Máfia das Ambulâncias; a Polícia Federal o prendeu por suspeita de recebimento de propina numa obra de saneamento; liderou o PSDB na Câmara dos Deputados e o presidiu regionalmente; e esteve à frente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Disputou mandato de senador no ano passado e teve fraca votação.

Leitão deputado

Menino pobre que trocou Cassilândia (MS) por Sinop, Nilson Aparecido Leitão, técnico contábil, entrou cedo para a política. Aos 27 anos, em 1996, estimulado pelo então deputado estadual Ricarte de Freitas, conquistou mandato de vereador pelo PSDB.  Em 1998 Leitão disputou uma cadeira à Assembleia e amargou suplência, mas em 1º de junho de 1999 virou deputado estadual por força de um rodízio parlamentar regiamente pago pelo contribuinte.

Para ocupar por um curto tempo uma cadeira na Assembleia, Leitão contou com o afastamento do tucano Carlos Brito. Sua posse foi conduzida pelo presidente (e mandachuva) da Assembleia, José Riva (PSDB). Empossado deputado, Leitão espalhou outdoors por sua cidade com o dizer “Sinop agora tem deputado” e uma foto gigante dele em plenário. Essa propaganda soou mal, pois antes dele o município foi representado na Assembleia por Jorge Yanai, Jorge Abreu e Ricarte de Freitas.

Leitão na Assembleia era parte do plano liderado pelo governador Dante de Oliveira, de controlar a política mato-grossense por longo período. Jovem, com possibilidade de ser prefeito de Sinop, assim, Leitão ganhou espaço no grupo de Dante, que era suprapartidário. 

Prefeito de Sinop

 

Dante comemorou a eleição de Leitão para prefeito de Sinop em 2000. O grupo palaciano vibrava: A prefeitura é nossa!

Leitão de novo. Em 2002 o grupo de Dante se desmoronou com sua derrota ao Senado. Dois anos depois, Leitão conseguiu se reeleger prefeito, num pleito muito disputado.

Valei-me Tenente Willian!

 

Embalado com sua carreira política Leitão concorreu a deputado federal em 2010. O resultado não o abalou, muito embora seu nome não constasse entre os oito eleitos. Naquele ano a Justiça Eleitoral batia cabeça com a Lei Ficha Limpa, que não foi validada para o pleito de outubro. Mesmo sem vigência, na confusão, foram desconsiderados os 2.098 votos recebidos pelo candidato a deputado federal Willian Dias, o Tenente Willian (PTB), que disputou pela coligação Jonas Pinheiro (PSDB, DEM e PTB), o que resultou na posse de Ságuas Moraes (PT). Leitão brigou na Justiça por seus direitos e em 13 de julho de 2013 ficou com a cadeira até então ocupada por Ságuas. Leitão recebeu 70.958 votos e Ságuas 88.654, mas o quociente eleitoral com a soma da votação do Tenente Willian derrubou o petista. Em 2014 ele se reelegeu com 127.749 votos .Em 14 de fevereiro de 2017 Leitão assumiu a presidência da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sucedendo o deputado Marcos Pontes (PSD/MG) e em 20 de fevereiro de 2018 transmitiu o cargo para a deputada Tereza Cristina (DEM/MS), que hoje é ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Jair Bolsonaro. Em 2018 foi líder do PSDB na Câmara e o presidiu regionalmente.

Em plenário Leitão assumiu com tanta intensidade a bandeira ruralista, que nem mesmo um pé de soja transgênico parecia tanto com o agronegócio quanto ele. Firmou posicionamento contra a Funai e a demarcação de terras indígenas e abriu confronto com a agricultura familiar e o MST.

A bandeira do agronegócio não rendeu votos para Leitão em 2018 quando disputou o Senado numa chapa partidária ficando em quinto lugar com 330.430 votos. Essa chapa se completava com os suplentes Luiz Carlos Nigro, de Cuiabá, e Rejane Garcia, vice-prefeita de Água Boa.

Leitão lutou muito, mas não conseguiu convencer o eleitorado, apesar da estruturada campanha que levou adiante com a participação de uma grande equipe. A luta não foi de bolsos vazios. Leitão declarou ao Tribunal Regional Eleitoral que gastou R$ 2,9 milhões em sua tentativa de ser senador – foi o campeão em gastança entre os 11 candidatos ao cargo.

EM FAMÍLIA – Na eleição municipal de 2012 em Sinop, Leitão lançou sua mulher, a advogada Renata Leitão (PSDB) candidata a vice-prefeita na chapa do tucano e ex-deputado estadual Dilceu Dal’Bosco. O vencedor foi Juarez Costa (MDB), que se reelegeu ao cargo numa dobradinha com a atual prefeita Rosana Martinelli (PL). Juarez recebeu 35.017 votos, e Dilceu, 22.275. Juarez agora é deputado federal pelo MDB.

PF prende Leitão

Prefeito em segundo mandato consecutivo, pesava contra Leitão a suspeita que teria recebido R$ 200 mil em propina da empresa Gautama – pivô da Operação Navalha – que executaria uma obra de Saneamento em Sinop para construir rede de esgoto e tratamento do mesmo em 40% da cidade. A sede da Gautama fica em Salvador (BA). Agentes da Polícia Federal (PF) filmaram Leitão em Brasília com um envelope amarelo, onde estariam R$ 100 mil que seriam antecipação de propina. O prefeito foi preso pela PF em Sinop no dia 17 de maio de 2007 e trazido para Cuiabá, de onde foi levado a Brasília no Voo 3898 da TAM (agora LATAM) para a Penitenciária da Papuda, onde permaneceu atrás das grades por quatro dias, até sua prisão ser relaxada pela ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon. 

A abertura do envelope não foi acompanhada pela PF. Em nome do princípio da presunção da inocência o Ministério Público Federal pediu sua soltura. O delegado José Maria Fonseca, que conduziu o caso, não conversou com a imprensa. Leitão jura inocência.

FOTO:MAURICIO BARBANT

CRÉDITOS DAS FOTOS

1 – Nilson Leitão – Agência Câmara

2 – Nilson levado preso ao avião – Arquivo

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