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Megaoperação mira facção que promovia “tribunal do crime” em Mato Grosso

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Uma megaoperação da Polícia Civil foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (9) para desarticular um núcleo de uma facção criminosa responsável por aplicar punições violentas contra usuários de drogas e pequenos traficantes em São José dos Quatro Marcos, município localizado na região oeste de Mato Grosso.

Batizada de Operação Quadro Disciplinar, a ação cumpre 22 ordens judiciais, entre elas quatro mandados de prisão preventiva, dois mandados de internação provisória de adolescentes, nove mandados de busca e apreensão domiciliar e outras medidas cautelares.

As investigações apontaram que o grupo atuava em um setor interno da facção conhecido como “Quadro Disciplinar”, responsável por impor regras e punições aos integrantes e pessoas ligadas ao tráfico local. Segundo a Polícia Civil, as vítimas eram submetidas a agressões severas, em práticas conhecidas como “salves”, após descumprirem determinações da organização ou adquirirem drogas de fornecedores não autorizados pela facção.

De acordo com os investigadores, os criminosos promoviam verdadeiros “tribunais do crime”, conduzidos à distância por lideranças que permanecem presas, mas continuam exercendo influência e comando sobre integrantes que atuam fora do sistema prisional.

As apurações revelaram ainda que as punições determinadas pelos chefes da facção poderiam incluir espancamentos, mutilações e até execuções, evidenciando o alto grau de violência empregado pelo grupo criminoso.

As ordens judiciais foram expedidas após manifestação favorável do Ministério Público de Mato Grosso, por meio da Promotoria de Justiça de São José dos Quatro Marcos e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e autorizadas pelo Poder Judiciário.

A operação contou com apoio de equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Delegacia Especializada de Crimes de Fronteira (Defron), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), além de unidades policiais de Mirassol D’Oeste, Rio Branco, Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e Canilfron.

Segundo o delegado Kairo Ribeiro Batista, responsável pelas investigações, os elementos reunidos demonstram uma escalada de violência preocupante na atuação da organização criminosa.

“Os fatos investigados indicam uma tendência de evolução para crimes ainda mais graves, incluindo homicídios, cenário que já foi registrado anteriormente na região. Por isso, a desarticulação desse grupo é fundamental para a segurança da população”, destacou.

A Operação Quadro Disciplinar integra a Operação Pharus, que faz parte do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026 dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em todo o Estado.

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Polícia investiga possibilidade de violência sexual em caso de adolescente morta pelo pai

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A investigação sobre a morte da adolescente Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (8). A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) solicitou a realização de exame de conjunção carnal para verificar se a vítima sofreu algum tipo de violência sexual antes de ser morta pelo próprio pai, Claudinei da Silva, de 42 anos, em Várzea Grande.

A informação foi confirmada pelo delegado Nilson Farias durante coletiva de imprensa. Segundo ele, a decisão de pedir o exame ocorreu diante da gravidade do caso e da necessidade de esclarecer todos os fatos relacionados ao crime.

De acordo com as investigações, o suspeito relatou ter encontrado mensagens trocadas pela filha com outra pessoa por meio de uma rede social. A descoberta teria provocado uma discussão que evoluiu para agressões físicas e culminou na morte da adolescente.

Para o delegado, a reação do pai foi considerada desproporcional e levantou questionamentos que precisam ser respondidos ao longo da investigação.

“Um pai, ao descobrir que a filha está conversando com alguém, normalmente orienta, aconselha ou estabelece limites. A violência extrema observada neste caso chamou a atenção e nos levou a aprofundar todas as hipóteses possíveis”, explicou.

Apesar da solicitação do exame, a Polícia Civil informou que, até o momento, não existem indícios concretos de violência sexual. Ainda assim, os investigadores ressaltam que o objetivo é trabalhar com elementos técnicos e científicos para esclarecer integralmente o ocorrido.

Além do exame pericial, o celular da adolescente também será analisado. A perícia pretende acessar as conversas que teriam motivado o desentendimento entre pai e filha e verificar se existem outras informações relevantes para o inquérito.

A delegada Jéssica Cristina de Assis afirmou que a investigação também vai aprofundar o histórico familiar da vítima e do suspeito. Segundo ela, casos de violência doméstica podem permanecer ocultos por anos, mesmo quando familiares e pessoas próximas relatam uma convivência aparentemente harmoniosa.

“As situações de violência dentro do ambiente familiar muitas vezes ficam escondidas. É fundamental que todas as circunstâncias sejam analisadas com cuidado para que a verdade seja esclarecida”, destacou.

A Polícia Civil confirmou ainda que o suspeito possuía histórico relacionado à violência doméstica, incluindo uma medida protetiva envolvendo a mãe da adolescente.

Claudinei foi preso em flagrante por feminicídio após confessar ter agredido e esganado a filha. A DHPP já solicitou a conversão da prisão em preventiva, enquanto o inquérito segue em andamento.

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Defesa rebate acusações e diz que PF não encontrou provas contra Faissal Calil

Conforme a nota, o único material recolhido pelos agentes federais foi o aparelho celular de uso pessoal do parlamentar, entregue voluntariamente juntamente com senhas e acessos solicitados pelas autoridades.

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A defesa do deputado estadual Faissal Calil (PL) divulgou nota nesta segunda-feira (8) sustentando que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou medidas cautelares no âmbito da Operação Gemini, não apresenta elementos que indiquem recebimento de vantagens indevidas, enriquecimento ilícito, movimentações financeiras suspeitas ou participação do parlamentar em esquemas de lavagem de dinheiro.

A manifestação ocorre após Faissal se tornar um dos alvos da operação deflagrada pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e ocultação de patrimônio envolvendo integrantes do Judiciário mato-grossense.

Segundo a defesa, a decisão possui caráter exclusivamente investigativo e cautelar, não representando denúncia, condenação ou reconhecimento de qualquer prática criminosa por parte dos investigados.

Os advogados afirmam que os elementos mencionados pela Polícia Federal estariam relacionados à atuação profissional anterior de Faissal e a relações institucionais mantidas quando trabalhou no gabinete do desembargador afastado Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018, antes de assumir mandato na Assembleia Legislativa.

Na nota, a defesa ressalta que o deputado nunca recebeu valores ilícitos, não possui patrimônio incompatível com sua renda e não participou de operações de ocultação de recursos. Também destaca que todas as atividades desempenhadas pelo parlamentar ocorreram dentro dos limites legais.

Outro ponto enfatizado é que as medidas autorizadas pelo STJ foram deferidas em fase inicial das investigações e que as hipóteses apresentadas pela Polícia Federal ainda serão submetidas ao contraditório e à ampla defesa.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência do deputado, segundo os advogados, nenhum objeto relacionado às acusações foi encontrado. A defesa também esclareceu que joias, armas e outros itens divulgados em reportagens sobre a operação não pertencem a Faissal Calil e não foram apreendidos em sua casa.

Conforme a nota, o único material recolhido pelos agentes federais foi o aparelho celular de uso pessoal do parlamentar, entregue voluntariamente juntamente com senhas e acessos solicitados pelas autoridades.

O que diz a Polícia Federal

Em comunicado divulgado após a operação, a Polícia Federal apontou que as investigações identificaram um suposto esquema de intermediação financeira e patrimonial envolvendo o desembargador afastado Dirceu dos Santos.

Segundo a PF, Faissal teria atuado como um operador de confiança do magistrado, sendo descrito pelos investigadores como um possível “braço operacional” responsável por auxiliar em movimentações financeiras, quitação de passivos familiares e negociações imobiliárias que estariam sob apuração.

As suspeitas surgiram a partir de informações reunidas em investigações anteriores, especialmente da Operação Sisamnes, que também apura possíveis irregularidades no âmbito do Judiciário.

Investigação continua

Além de Faissal Calil e do desembargador Dirceu dos Santos, a Operação Gemini teve como alvos o advogado Bruno Oliveira Castro e outros investigados. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático.

A investigação segue em andamento e, até o momento, não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público nem condenação contra os envolvidos. O caso continua sob análise das autoridades competentes.

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Delegado aponta omissão de socorro como fator decisivo para acusação de feminicídio

Peritos da Politec encontraram vestígios de sangue no quarto onde a agressão ocorreu, além de uma peça de roupa pertencente ao suspeito com marcas compatíveis com o ocorrido.

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A morte da adolescente Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, continua causando comoção em Mato Grosso e levantando questionamentos sobre a dinâmica familiar que antecedeu o crime. Preso por feminicídio, o pai da menina, de 42 anos, era descrito por familiares e pessoas próximas como alguém que mantinha uma relação afetuosa com a filha, segundo informações da Polícia Civil.

De acordo com o delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), esse foi um dos aspectos que mais surpreenderam os investigadores durante as diligências.

Segundo relatos colhidos pela polícia, Olga costumava demonstrar carinho pelo pai e era considerada uma criança muito próxima dele. A aparente relação harmoniosa contrasta com a violência do crime, ocorrido no último domingo (7), em Várzea Grande.

As investigações apontam que a agressão aconteceu após o homem acessar o celular da adolescente e encontrar conversas dela com um menino por meio de uma rede social. Conforme depoimento prestado pelo próprio suspeito, a descoberta teria provocado uma discussão entre os dois.

Durante o interrogatório, o pai confessou ter esganado a filha durante o desentendimento. A violência provocou graves lesões e intenso sangramento. Conforme a Polícia Civil, mesmo diante da gravidade da situação, o suspeito não acionou socorro médico nem buscou ajuda para salvar a adolescente.

Para os investigadores, a omissão após a agressão reforça a caracterização do crime como feminicídio. O delegado destacou que o homem teria compreendido a gravidade dos ferimentos, mas optou por deixar o local sem prestar assistência à vítima.

Peritos da Politec encontraram vestígios de sangue no quarto onde a agressão ocorreu, além de uma peça de roupa pertencente ao suspeito com marcas compatíveis com o ocorrido.

A Polícia Civil também descartou a hipótese de lesão corporal seguida de morte. Conforme o delegado, um adulto tem plena consciência dos riscos ao aplicar força no pescoço de uma criança de apenas 12 anos, assumindo o risco de provocar a morte.

Após fugir da residência, o suspeito se apresentou espontaneamente à Polícia Civil horas depois e acabou preso em flagrante. A DHPP já solicitou a conversão da prisão para preventiva.

Além da acusação de feminicídio, o caso possui agravante por ter sido cometido contra uma vítima menor de 14 anos. O inquérito segue em andamento para conclusão das investigações.

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