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JUACY DA SILVA

Ignorância e incompetência: grandes aliadas do coronavírus

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Mesmo em países super desenvolvidos ainda tem muita gente ignorante, descuidada e que não acredita que o CORONAVÍRUS exista e, pior do que isso, não acredita que este vírus é letal e pode ser transmitido para as pessoas que teimam em se aglomerar.

Todas as comunidades médicas, cientistas, gestores públicos e governantes responsáveis e conscientes, com algumas exceções como Trump, Bolsonaro, Boris Johnson e alguns ditadores de ex Repúblicas Soviéticas, e diversos governadores, prefeitos e empresários obscurantistas, repito, com essas exceções, tem enfatizado que as únicas maneiras de se evitar a proliferação deste vírus e novos contágios pelo Coronavírus, é através do isolamento social/distanciamento social, uso de máscaras e práticas higiênicas como lavar as mãos e outros cuidados para combater o covid 19.

Pois bem, conforme notícia da imprensa de hoje (26/06/2020), em Dallas, no Texas (EUA) uma família resolveu ignorar todas essas recomendações e realizar uma “festinha” familiar para comemorar um aniversario, prática tão comum em tempos chamados normais, antes que esta pandemia chegasse a todos os países e cantos do mundo, mas altamente perigosa em meio `a pandemia do coronavírus.

Resultado, 18 pessoas contraíram o vírus e deverão pagar caro por esta ignorância e negligência, com sofrimento, muitos gastos financeiros e, quem sabe, até algumas mortes naquela família.

Fatos como este e outros que provocam aglomerações, multiplicam-se, com muita frequência, em todos os países, inclusive no Brasil, que, mesmo em meio `a expansão da pandemia, com o número de pessoas infectadas e de mortes tem crescido, praticamente em todos os Estados e na grande maioria dos municípios.

Tanto nos EUA quanto no Brasil já tem ocorrido diversas casos de contágios e até de mortes pelo coronavirus em pastores, sacerdotes e fiéis de igrejas que teimaram e ainda teimam em abrir as portas de seus templos. No Brasil, por decreto de Bolsonaro, por exemplo, as igrejas são consideradas atividades essenciais e isto também tem facilitado o contágio, infecção e até mortes.

Há poucos dias a imprensa brasileira noticiou que dos 27 jogadores de um time Famoso de futebol de São Paulo, ao serem testados para o coronavírus constatou-se que 21 dos mesmos estavam infectados, ou seja, nada menos do que 77,8% do total estavam com o vírus.

Bem no inicio da pandemia, quando de uma viagem aos EUA a comitiva do Presidente Bolsonaro, ao retornar ao Brasil foi noticiado que 22 dos integrantes da comitiva, com exceção do Presidente (estranhamente), praticamente todos foram infectados e, com certeza, ajudaram a “espalhar” o vírus em seus entornos rotineiramente.

Diversos frigoríficos em vários estados tem se convertido em focos de contagio e motivado diversas medidas de controle, conforme frequentes noticias veiculados nos mais diferentes veículos de comunicação.

Pessoas contaminadas, tanto as sintomáticas e também as chamadas assintomáticas (aquelas que não demonstram nenhum sinal de estarem infectadas com o coronavírus) podem transmitir a COVID19 para amigos, parentes, inclusive integrantes dos grupos de risco como idosos ou  pessoas que, mesmo não sendo idosas, façam parte de grupos com certas comorbidades, como diabetes, problemas renais, pacientes em tratamento de câncer, HIV, fumantes, obesos, pessoas que sofrem de alguma doença cardiovascular.

De acordo com estudos da OMS as pessoas idosas, com poucas exceções, são portadoras de uma, duas ou até mais doenças crônicas, algumas degenerativas e incuráveis, as quais passam a ter comorbidades e apresentarem maiores taxas/índices de mortalidade. Na Europa, por exemplo, a população com 60 anos ou mais representam “apenas” 24% do total da população, sendo que o grupo com 65 anos e mais representava em 2019 em torno de 19%. No entanto no total de mortes por coronavírus em torno de 90% tem 60 anos ou mais.

Esta mesma tendência deve ser observada tanto nos EUA quanto no Brasil e nos demais países. São idosos e idosas que, mesmo em isolamento social/distanciamento social, muitas vezes acabam sendo contaminadas por familiares que não observam as normas indicadas para evitar que o coronavírus se espalhe ainda mais.

Dia e noite médicos, infectologistas, estudiosos das doenças de massa e contagiosas, pneumologistas, pesquisadores e outros profissionais da área da saúde, além de gestores públicos que usam o bom senso e conhecem a realidade epidemiológica brasileira, tem enfatizado alguns aspectos importantes como: a) a única estratégia para conter o avanço do coronavírus é o distanciamento social/isolamento social e o uso de máscaras e praticas higiênicas; b) os sistemas de saúde em geral e particularmente o SUS estão falidos, não existem leitos, principalmente leitos de UTIs e respiradores suficientes na maior parte dos estados e dos municípios, para fazer face ao aumento rápido, contínuo e acelerado de novos casos; c) existe, em todos os lugares, todos os estados, principalmente nas cidades polos e capitais (já que as cidades menores e do interior não possuem estrutura de saúde em condições de atender aos casos mais graves pois não contam com leitos hospitalares em geral e muito menos leitos de UTI e respiradores), estão sendo formadas as FILAS DA MORTE, ou seja, doentes graves ficam à espera de um leito de UTI e respiradores e acabam morrendo nessas filas, pois as vagas só são abertas com a recuperação ou morte de alguns doentes que estavam ocupando esses leitos.

Além desses alertas, no caso brasileiro, o que presenciamos é um verdadeiro PANDEMÔNIO, uma confusão geral, muita improvisação e o que podemos chamar de “bate cabeças” entre níveis de governo, no que concerne ao enfrentamento do coronavírus.

As autoridades/governantes não se entendem, não existe uma coordenação a nível nacional, nem entre os estados e municípios, o que vemos é uma verdadeira balbúrdia, falta de transparência e falta de diretrizes que orientem corretamente as ações, parece um verdadeiro “exército brancaleone”.

O Presidente Bolsonaro, desde o inicio da pandemia joga contra, fazendo “gol contra” seu próprio time; cria conflitos com seus ministros da saúde, tendo demitido dois ministros da saúde em apenas um mês, em meio a esta pandemia e o terceiro, um general, sem nenhum preparo na área da saúde ocupa interinamente, há mais de um mês o ministério da saúde e ali colocou/nomeou diversos militares para ocuparem posições que deveriam ser ocupadas por pessoal técnico e qualificado na área da saúde; os prefeitos estão em constantes conflitos com os governadores; o poder judiciário é provocado com frequência para dirimir esses conflitos  e as vezes essas decisões judiciais acabam em novos conflitos, gerando mais confusão na cabeça das pessoas.

Por exemplo, como aconteceu em recente decisão judicial que obriga as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, o maior aglomerado urbano de Mato Grosso, a imporem quarentena obrigatória por duas semanas, tendo o Prefeito da Capital, atendendo interesses de setores econômicos do município, recorrido da decisão judicial, mas, graças ao bom senso, o Tribunal de Justiça negou o pleito do prefeito.

Outro aspecto decorrente da ignorância popular em relação ao CORONAVÍRUS tem sido a quebra dos índices de isolamento social/distanciamento social e a falta de uso de máscaras. Neste sentido podem ser observadas praias lotadas, baladas, festinhas ou festonas clandestinas em sítios, pousadas ou clubes clandestinos, resultando em novos contágios e pressão sobre os sistemas de saúde já falidos e mais mortes.

Além da ignorância popular, presente em todas as camadas sociais, econômicas e culturais, o coronavírus tem como outro aliados a incompetência e descaso governamental em todos os níveis, federal, estadual e municipal.

Bem antes da chegada do coronavírus o SUS já estava falado, em completo caos, deteriorando-se a olhos vistos todos os dias, crise nos hospitais públicos; crise nas santas casas de misericórdia, crise em hospitais conveniados, gente sofrendo e morrendo nas filas físicas ou virtuais, como ao longo de meses e anos a imprensa tem denunciado, ante o olhar passivo até de organismos de controle das ações publicas. Nem a judicialização buscada por doentes e familiares tem conseguido demover os entraves burocráticos criados pela incompetência e descaso governamentais.

Esta falência, apesar de um certo esforço para dotar o Sistema de saúde de recursos necessários ao enfrentamento do coronavírus, incluindo construção de hospitais de campanha, aquisição de leitos por parte do SUS em hospitais particulares, mesmo assim, a corrupção na área da saúde continua, através de empresas fantasmas ou simulacros de empresas terceirizadas para gestão de unidades de saúde e servidores públicos, gestores e governantes corruptos.

Esta falência é constatada não apenas na falta de leitos, principalmente de UTIs e respiradores, mas também, como já acontecia e continua acontecendo, a falta de medicamentos, principalmente os necessários e imprescindíveis para o tratamento de pacientes em estados mais graves. Também merece ser mencionado neste contexto a falta de pessoal capacidade para atuar na área da saúde publica.

Segundo denúncias recentes de diversas entidades representativas de setores da saúde, inclusive do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde, conforme veiculado pela imprensa, praticamente em todos os estados estão faltando esses medicamentos, o que coloca em sério risco a vida de quem esteja internado e entubado e em estado grave.

Outro fato vergonhoso, para não dizer criminoso, é a falta de transparência de dados e informações não apenas em relação aos números de pessoas infectadas e de mortes, mas também quanto ao número correto de leitos em geral e leitos de UTIs e respiradores em particular.

Um exemplo desta situação foi constatada em Mato Grosso onde o Tribunal de Contas do Estado ao realizar uma auditoria em 08 hospitais públicos em alguns  municípios, incluindo Cuiabá, Várzea Grande e mais quatro ou cinco municípios-polos do interior, foi constatado que o número de leitos informados pela Secretaria de Saúde do Estado e pelos hospitais e que é a base para o cálculo do estágio em que se encontra a pandemia no Estado e a capacidade de atendimento do Sistema público de saúde, volto a dizer, foi constatado que a realidade é bem pior, ou seja, não existem o total de leitos informados pelos gestores estaduais e municipais, isto não  é uma “pequena” falha, mas um verdadeiro crime contra a saúde publica.

Em uma auditoria realizada e divulgada publicamente há poucos dias pelo Ministro Vital do Rego do TCU (Tribunal de Contas da União) foi dito com todas as letras que o Governo Federal não tem uma estratégia coerente, eficaz e eficiente para coordenar e combater o coronavírus a nível nacional. Isto é uma das causas de muita confusão e do avanço da pandemia pelo Brasil afora.

Em seu relatório, aprovado por unanimidade pelo TCU, o referido ministro faz uma critica mordaz e pede providências da Presidência da República, inclusive no que concerne a Comissão responsável pela articulação das ações, sob a coordenação do Ministro Chefe da Casa Civil, mencionando o fato (absurdo) de que na referida comissão não existem representantes de organismos de saúde, ou seja, todos os integrantes representam ministérios mas não existem representantes de Instituições de pesquisa em saúde, das Associações médicas em geral e muito menos de entidades representativas com  epidemiologistas, infectologistas e dos conselhos relacionados com a saúde como Conselhos Federais de Medicina, de enfermagem, de fisioterapia, de médicos intensivistas, ou seja, de quem, realmente entende de saúde pública

Isto não é surpresa pois tanto o Presidente Bolsonaro quanto boa parte de seus ministros e seguidores, os bolsonarianos, não acreditam no coronavírus e são contrários a todas as formas de isolamento social/distanciamento social, o uso de máscaras e práticas de higiene das mãos. Basta ver as demonstrações do Presidente Bolsonaro que até bem pouco tempo andava sem mascara, provocava aglomerações, participava de manifestações anti-democráticas, estimulava conflitos com seu ministro da saúde, com governadores e prefeitos.

Finalmente, mais uma prova de incompetência e descaso de nossos governantes, a começar pelo Governo Federal e também de todos os governadores e prefeitos é a questão dos testes para diagnosticar se as pessoas já foram infectadas ou não pelo coronavírus e, enfim, conhecer em maior profundidade a extensão, a complexidade e gravidade da pandemia e sua expansão pelo território brasileiro.

Como já afirmado em outras reflexões, o Brasil ocupa a 151a. posição em número de testes por cem mil ou um milhão de habitantes. Estamos em pior situação, apesar de o Brasil ser o segundo país em numero de casos de pessoas infectadas pelo coronavírus e de mortes pelo mesmo, somos a décima ou nona economia do planeta, do que países pobres da África, Ásia, América Latina.

Tres exemplos demonstram que esta falta de testagem em massa provoca a subnotificação dos casos de pessoas infectadas. O primeiro vem de uma pesquisa nacional realizada pela Universidade Federal de Pelotas em parceria com o IBOPE, cuja segunda fase da pesquisa  já foi concluída e ficou constatado que o número de casos do coronavírus é de sete vezes maior do que as estatísticas oficiais.

Outro vem de uma pesquisa da Prefeitura de Fortaleza em que foi constatada que esta subnotificação é de 14 vezes menor do que a realidade daquela capital e a terceira, vem de outra pesquisa feita pela prefeitura de São Paulo em que a subnotificação é de dez vezes.

Se tomarmos essas três pesquisas e fizermos uma média ponderada, podemos concluir que o número de pessoas que já contraíram o coronavírus no Brasil é dez vezes maior do que os dados que são divulgados, ou seja, mais de 12 milhões de casos e esses números tendem a crescer rapidamente nas próximas semanas ou meses.

Enquanto o Brasil não promover uma grande testagem em massa , mais de 20 ; 30 ou 40 milhões de pessoas, não teremos condições de sabermos realmente a gravidade do coronavírus e, por consequência, não teremos condições de promover uma “abertura” ou volta das diversas atividades, sob pena de surgir uma segunda onda pior do que a primeira que estamos presenciando.

O que constatamos no momento é fruto desta falta de testagem em massa, com dados subnotificados, com informações nada transparentes e em certo sentido manipuladas pelos grupos que advogam o retorno de tudo `a “normalidade”, por pressão de alguns setores econômicos, preocupados, não com o desemprego ou miséria e pobreza que se agravará com a pandemia, (mas que já existiam há alguns anos e ninguém do governo ou do empresariado se importava), e o descumprimento de todas as recomendações de quem entende de pandemias que é a OMS e outras entidades médicas e científicas, abrindo praticamente tudo e agora ter que voltar atrás e decretar novamente quarentena obrigatória, “lockdown” e outras medidas restritivas.

O Brasil teve tres meses para se preparar, enquanto a pandemia atingia violentamente países europeus, Estados Unidos e outras regiões, mas o descaso, falta de coordenação inter governamental e inter institucional, a  improvisação e com ajuda da corrupção que ainda está entranhada em todas as esferas governamentais, principalmente na área da saúde, estamos perdendo o que chamam de “Guerra ao coronavírus”. Nem a designação de um general no comando, não das tropas militares, mas da saúde publica, está conseguindo vencer esta Guerra a um inimigo invisível.

Muita gente imagina e acredita que o coronavírus poderia ser parte de uma Guerra bacteriológica, área bem conhecida, pelo menos teoricamente, pelas forças armadas da maioria dos países, inclusive do Brasil, dos EUA, dos países europeus, Rússia e China, mas para a qual, parece que os militares desses países não estavam e nem estão preparados. Imaginemos se o coronavírus fosse realmente fruto de uma Guerra bacteriológica, seriamos derrotados fragorosamente.

Os últimos números de ontem (25/06/2020), relativos ao Brasil, mesmo com a subnotificação, chegaram a 1.180 novos casos de morte nas últimas 24 horas, totalizando 55.054 vidas ceifadas e nada menos de que 40.673 novos casos de pessoas infectadas em 24 horas, um novo record nesta triste realidade, totalizando 1.233.147 casos, conforme dados do Consórcio de alguns dos maiores orgãos de imprensa do país.

Pelo que se vê e pelo que ainda está por vir o coronavírus não é apenas uma “gripezinha” ou “resfriadinho” como disse o Presidente Bolsonaro, de forma afoita e irresponsável, quando do inicio da pandemia no Brasil, é a maior crise sanitária que tem se abatido no mundo e no Brasil em um século.

Para algumas pessoas, atitudes como esta tanto por parte do Presidente quanto de governadores, prefeitos , empresários, dirigentes esportivos, próceres religiosos e outras pessoas além de representar um descaso com o sofrimento e morte de tantas pessoas, é, também, uma atitude criminosa, pois representa omissão diante de uma pandemia, cuja gravidade e alerta vem sendo enfatizada por diversas organismos de saúde, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e também um estímulo para comportamentos de milhões de pessoas que acreditam nessas autoridades, cujos exemplos acabam estimulando aglomerações, infectando-se e infectando muitas outras pessoas, inclusive seus entes queridos, entre os quais idosos/idosas, os mais frágeis e vulneráveis.

Vivemos um tempo especial e grave, o coronavírus não é brincadeira, nem uma simples gripe ou uma doença para a qual haja vacina ou medicamentos. Coronavírus impõe sofrimento e morte, cabe a cada pessoa defender sua própria vida e a vida das demais pessoas, a começar por seus familiares, vizinhos e colegas de trabalho, se assim não ocorrer, vamos ter que conviver com esta pandemia e suas graves consequências econômicas, financeiras, aumento da pobreza, da miséria e do sofrimento por muito tempo.

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia, colaborador de alguns veiculos de comunicação. Email [email protected] [email protected]

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EMPRESAS, NEGÓCIOS E PANDEMIA: Quais são os benefícios das doações feitas pelas empresas?

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Vivemos tempos difíceis e estamos sendo obrigados a nos reinventar diariamente. Empresas e profissionais das mais diversas áreas de atuação estão aprendendo de novo, fazendo diferente, tentando manter suas atividades e se adaptando as medidas restritivas impostas pelos governos, a fim de contribuir para mitigar a transmissão do novo coronavírus e garantir a saúde da população.

Nesse contexto de luta pela manutenção dos negócios e pela sobrevivência, as empresas estão sendo chamadas a garantir empregos e renda, enquanto o Estado, de concreto, pouco oferece para que os negócios possam dar conta de tamanha carga. As prorrogações de pagamentos de encargos sociais, tais como FGTS e recolhimentos previdenciários, tem se mostrado insuficientes para proteger as empresas dos efeitos colaterais da crise sobre os negócios. E o anunciado crédito subsidiado, tal como vimos diariamente nas mídias, parece não ter chegado ao alcance dos micro e pequenos empresários.

Por outro lado, ao mesmo tempo que muitos negócios parecem sucumbir diante da crise, também assistimos diariamente grandes empresas fazendo doações, sendo solidárias e ajudando a quem mais precisa. Mas, como isso é possível?  Como grandes empresas conseguem fazer doações, as vezes milionárias, se todos estão sendo assolados pela crise?

A resposta não é simples, cada caso é um caso, mas o fato é que a solidariedade, além de fazer um grande bem à sociedade, também faz bem as empresas. Por certo, não haverá profissional do Marketing que discorde de que as ações sociais criam uma imagem altamente positiva das empresas e das marcas envolvidas. Além disso, há que se considerar também a existência de mecanismos legais estratégicos que favorecem as doações de empresas e que podem ser usados de forma muito mais ampla neste momento de calamidade sanitária, tais como os “incentivos fiscais”, por meio dos quais são concedidos abatimentos de percentuais dos impostos devidos pelas contribuintes.

Nessa perspectiva, embora se reconheça que os incentivos fiscais possam acarretar uma queda na arrecadação da União, Estados e Municípios e que, nesse momento, é por demais arriscado considerando a crise social provocada pela COVID-19, é incontestável a relevância dessas medidas já que, por meio de doações às organizações não governamentais de interesse social e entidades públicas de saúde e educação, as empresas passam a suprir necessidades da população, de determinados locais e seguimentos e, portanto, cumprem parte do papel do Estado nesse processo.

Neste tempo de pandemia, a situação tem se mostrado ainda mais relevante, tendo em vista que a população tem necessidades urgentes e emergentes que por vezes não conseguem ser atendidas pelo Estado na velocidade que a situação requer. Nessas situações, usualmente, a União, Estados e Municípios, concedem incentivos fiscais às empresas e até mesmo aos contribuintes individuais, como forma de fomentar o desenvolvimento econômico e social e, em contrapartida, os beneficiários individuais ou empresariais fazem doações que auxiliam no desenvolvimento local e regional e no atendimento das necessidades da população, visando o bem estar da sociedade, através de ações voltadas à saúde, a educação, à cultura, os esportes etc.

Além de contribuírem para o desenvolvimento econômico e social, as empresas ainda têm um ganho extra, voltado ao marketing e à divulgação da Marca. Ao associar a marca às Ações Sociais, resta consolidado o posicionamento estratégico da comunicação daquela empresa, promovendo um engajamento orgânico com os consumidores, que passam a considerá-la como parte do seu dia a dia.

Os benefícios são inúmeros e poderíamos passar o dia listando-os, porém, é preciso que seja analisado cada caso concreto para definir os requisitos legais que deverão ser cumpridos pelas empresas que pretenderem obter os incentivos fiscais.

De plano, para a concessão do benefício fiscal, será imprescindível a comprovação de inexistência de débito fiscal e para a obtenção de tais incentivos, é necessária a solicitação de cada contribuinte, de acordo com o projeto que pretende viabilizar e o imposto que pretende ver abatido ou reduzido (IR, IPI, COFINS, ICMS, ISS, IPTU entre outros), para que seja avaliada pelos órgãos fazendários da União, Estados ou Municípios, a viabilidade do deferimento, através da análise do interesse público envolvido e a sua compatibilidade com os custos de cada projeto e os abatimentos dos respectivos impostos.

Existem diversos programas já consolidados que admitem doações e as respectivas isenções, tais como a Lei Rouanet, que se presta ao necessário Incentivo à Cultura, a Lei Federal de Incentivo ao Esporte, por meio da qual são permitidas as aquisições  de materiais, uniformes, alimentação em eventos, além da construção e reforma de ginásios de esportes, quadras e outros locais destinados à pratica de campeonatos esportivos (Lei 11.434/2006), o PRONAS/PCD – Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência, os  Incentivos fiscais voltados à Inovação e Pesquisa Científica e Tecnológica no ambiente produtivo (Lei 10.972/2004), além de muitos outros, inclusive nas esferas Estaduais e Municipais.

Esses benefícios estão sendo mais explicitados nesses tempos de pandemia, pois as empresas têm mais facilidade para a aquisição de equipamentos, EPI´s, medicamentos, o que tem sido fundamental nos tratamentos dos doentes da COVID-19. Isso porque podem pagar antecipadamente, podem negociar o preço sem passar pela burocracia imposta ao ente público e dispõem dos recursos imediatamente, o que não ocorre com o Estado.

Por mais que a Lei 13.979/2020 tenham avançado, para permitir a dispensa de  licitação para aquisição de bens, serviços, inclusive de engenharia, e insumos destinados ao enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, o fato é que tais medidas não foram suficientes, a exemplo do que aconteceu no início da pandemia, no Brasil, com relação às aquisições de respiradores de empresas Chinesas que só aceitavam o pagamento antecipado, que é vedado ao ente público.

É inegável que os incentivos fiscais revertem num estímulo às doações, mas também não se poderá desconsiderar os benefícios trazidos à União, aos Estados e aos Municípios, na medida que os desoneram de parte do cumprimento de algumas obrigações voltadas à saúde, educação, esportes e, muitas vezes, de forma muito mais eficaz, confirmando o interesse público.

Esse pequeno artigo não tem a pretensão de discorrer profundamente sobre as possibilidades de isenção fiscal que as empresas podem obter fazendo doações em prol da sociedade, seja durante a pandemia, seja quando já estivermos vivendo o nosso novo normal, mas pretende servir de estímulo para a construção de uma cultura empresarial mais voltada à sua função social, sem perder de vista os propósitos de cada negócio.

 Doar faz bem, doe você também!

Doar faz bem para o seu negócio e faz bem para alguém!

 

Lara von Dentz, Advogada especialista em Direito Empresarial.

 

 

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Salvador da pátria somente na ficção

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No final da década de 1980, quando o Brasil se preparava para eleger diretamente seu primeiro presidente após a ditadura militar, o genial ator Lima Duarte deu vida, em uma telenovela, ao personagem Sassá Mutema, o Salvador da Pátria.

Mais do que apenas uma obra de ficção, a ideia dialoga com um pensamento coletivo que persiste até os dias de hoje, o de que em um momento qualquer, um grande líder assumirá a nação e nos salvará de todas as mazelas vividas. É pena que isso nunca ocorrerá.

Ao longo destes 30 anos, já elegemos um caçador de marajás, um presidente que ajudou a estabilizar nossa moeda, aquele que defendia que a esperança venceria o medo e, por fim, um presidente que promete colocar o Brasil acima de tudo.

Analisando sem paixão, nenhum deles foi ou é o salvador da pátria, todos eles cometeram erros e acertos e foram estes erros e acertos que nos trouxeram aos dias de hoje.

A crença, ao longo dos anos, de que algum deles seria nosso líder supremo, que algum deles seria o nosso salvador, nos cegou em vários momentos da história.

Embora o slogan seja usado para falar de um político que nunca foi presidente, o “rouba, mas faz” foi e é usado pelos defensores destes políticos para justificar erros, deslizes, desacertos e até malfeitos, o que atrapalha em muito nosso amadurecimento enquanto democracia.

O que se vê hoje em dia nas redes sociais é uma radicalização enorme, um desejo de exterminar aquele que pensa diferente, sob os mais variados pretextos.

O resultado disso, ao invés de um país melhor, são famílias divididas, amizades rompidas, relacionamentos acabados, tudo porque somos incapazes de reconhecer a humanidade de nossos gestores e a importância da divergência para o amadurecimento.

Como eu já disse em artigos anteriores, não importa se você pensa que o Estado deve agir em todas as áreas, nem se você pensa justamente o contrário, que o Estado deve prover apenas o essencial.

Precisamos que ele seja eficiente e esta eficiência não se alcança enquanto tratarmos os gestores públicos como nossos amores, ou como nossos ódios. É preciso ser mais racional.

Precisamos ter maturidade e entender que nossos governantes, aqueles em quem votamos de tempos em tempos, são tão humanos quanto nós.

Eles erram, acertam, buscam resolver os problemas da nossa sociedade, melhorar nossa condição de vida, oferecer serviços públicos de qualidade, mas isso não os coloca em um pedestal, não faz deles deuses, inatingíveis, inacessíveis.

Ter um político de estimação é um dos grandes motivos pelos quais não avançamos o quanto podíamos ao longo das décadas.

Desde antes da exibição da novela, se dizia que o Brasil seria o país do futuro.

Ouso dizer que o fato de não termos uma sociedade capaz de julgar seus gestores sem paixões, ignorando os erros e enaltecendo os acertos, foi um dos fatores que impediram essa profecia de se concretizar.

Enquanto não tivermos um senso crítico, não formos capazes de entender que nenhum gestor é ou será o salvador da pátria, mas sim um servidor público que deve satisfação ao povo, que tem o dever de ouvir seu empregador e trabalhar para avançarmos, vamos ficar à espera do Sassá Mutema que, para nossa felicidade, já nos deixou um conselho.

“Não sou o salvador da pátria porque uma pátria que se preza, que tem a sua dignidade, não precisa de salvadores. Quem salva a pátria é o povo. Vamos salvar a pátria!”.

Fábio de Oliveira é servidor público estadual e professor universitário 

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O Recalque de Mauro Mendes – Parte 2

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Imaginei que o primeiro artigo, cujo título era “O recalque de Mauro Mendes” já deixaria claro essa relação ambígua e contraditória que o governador tem pelo prefeito da capital. O conceito de “recalque” foi desenvolvido por Freud, dentro da teoria psicanalítica e se refere a um mecanismo de defesa da mente que rejeita situações incompatíveis com quem gostaria de ser. Popularmente, recalque é sinônimo de pessoa invejosa e que reprime os desejos e felicidades alheios.

Avaliava que essa fixação pelo prefeito Emanuel Pinheiro, era somente por parte do governador Mauro Mendes, até que fiz a leitura do artigo do outro Mauro, o Carvalho, que também está sendo acometido pelo mesmo sentimento, o recalque. Mas chega de usar esse conceito freudiano nesse artigo, os leitores já entenderam o aspecto limitado pelo qual Mauro 1 e Mauro 2 estão passando e parece que Gilberto também andar nesse caminho.

A fala de Carvalho, sem nenhuma novidade, era só mais um discurso clichê de que o governo estaria cuidando da pandemia. Ok! Porém, ter esse tipo de preocupação e ficar propagando esse discurso não me parece virtude de nenhum gestor, pelo contrário, é obrigação. Quando me lembro de como esse governo está se preocupando com os outros 140 municípios do estado, fico atônito com a fala do presidente da AMM (Associação Mato-grossense dos Municípios ), ele afirmou que houve prefeituras que receberam do governo federal menos de três mil reais para o combate da pandemia e que contavam com recursos provenientes do governo do estado, Porém, o que se teve até hoje de repasse do estado? Nada que fosse significativo.

          Neurilan Fraga vem constantemente cobrando o governador Mauro Mendes para que ele reúna com TODOS os municípios para minimizar os problemas e dilemas que estão passando com a pandemia. No entanto, eis que mais uma vez, vejo os “Mauros” voltando a falar somente de Cuiabá e de só querer reunir prioritariamente com o prefeito da capital, Emanuel Pinheiro. Talvez seja para pedir conselhos, já que o Mauro 2, disse em seu artigo que Emanuel se comporta como “o gestor estadual” no combate contra o COVID-19. Bem, não me lembro de ter ouvido qualquer fala do prefeito nesse sentido, mas se eu fosse Emanuel Pinheiro já agradeceria Mauro 2 por considerá-lo case de sucesso no combate ao covid-19.

Mauro Carvalho também fala em seu artigo sobre as eleições de 2020, dizendo que ninguém do alto escalão teria pretensões políticas. Eu arriscaria dizer que a ausência de organização para lidar com a pandemia, não correspondeu às expectativas da população quanto as medidas contraditórias tomadas por esse governo. Arriscaria mais uma vez em dizer que “o se faz aqui!” Opa! O que se faz aqui em Cuiabá contra a pandemia, que é reconhecido pela população, mas que é negado pelo governador, vem fazendo com que os demais municípios de Mato Grosso paguem um preço alto pela falta de gestão e de direcionamento de um governo.

Esse mesmo governo faz cópias claras dos acertos realizados na capital contra pandemia. Mendes cuida de 141 cidades, porém cada uma com suas particularidades. A sua fixação em criar factoides e tentar forjar um ringue de embates para suprir suas vaidades, vem deixando o governador perdido e tomando decisões que envergonhariam qualquer gestor.

Vamos lá, Mauro 2 vem deixando claro que seus quadros que estão na cúpula dos cargos do governo não descompatibilizaram para as eleições de 2020, pelo compromisso incondicional com o povo. Convenhamos, né? Não tomaram essa decisão pela atuação pífia e sem rumo que estão tomando até agora com a pandemia.

Do secretário de Saúde, até o secretário da fazenda, e claro, sem esquecer de Mauro 2 também, a população mato-grossense não aplaude e não legitima o trabalho de nenhum deles. Na saúde, o secretário Gilberto vem fazendo uma gestão perdida de quais ações deve tomar e priorizar, sem falar dos cuidados com a saúde dos reeducandos do sistema prisional, que prefiro ponderar num próximo artigo. O senhor dos Anéis, opa! O senhor dos recursos, Rogério Gallo ecoa uma mesma fala na gestão de Mauro 1: “o estado está quebrado”, no entanto, na gestão Taques seus discursos e ações eram outras, “dançava conforme a demanda da elite mato-grossense a época, ou seja, não daria para confiar em alguém assim que muda “conforme a música”? Não, muda conforme a conveniência de quem pressiona mais. Com certeza o “lobby” popular jamais teria sua atenção. Os servidores e professores do estado é quem sabem disso. Já Mauro 2, nem precisaria falar, seu artigo detalhado sobre a gestão de Cuiabá só comprova que tipo de gestor gostaria de ser e que provavelmente nunca será.  Ao invés de preocupar com o estado, vem se tornando uma espécie de “detetive virtual do Fantástico”, que no final de todas as suas buscas, descobre que suas observações não passavam de ilusões e de falácias. Pergunto! Alguém desse time conflituoso e perdido teria capilaridade para disputar uma eleição? Vou deixar que os leitores respondam.

Para tudo nessa vida sempre tem uma última opção. Vejam, última opção. Eis que surge Fábio Garcia. Sim, aquele mesmo que teve sua esposa com denúncias como servidora fantasma na Assembleia Legislativa. Sim, aquele que só foi eleito deputado federal, porque seu “pai” Mauro Mendes, o calçou financeiramente e politicamente, quando esse ainda gozava de respeito popular em Cuiabá. Como sou responsável com o que falo, sugiro que procurem mais informações quanto ao senhor “Fabinho Garcia”, tenho coisas mais importantes para ainda tratar aqui.

E por fim, não poderia deixar de falar do convite do governador ao prefeito Emanuel Pinheiro para uma reunião no Paiaguás. Sim, aquela que a reunião que hipoteticamente Emanuel não iria. A reunião e a divulgação tiveram uma boa “maquiagem”, porém, toda maquiagem sai, assim como toda máscara cai. O que era para ser uma reunião com desdobramentos propositivos, se tornou uma espécie de “golpe” nos convidados, dando demonstrações claras que o que o senhor Governador fala em pé, não fala sentado. Publicizou que houve importante consenso na reunião, ele só esqueceu de dizer com quem era esse consenso, porque não bastou dois dias e Mauro 1 voltou para o seus modos operandi de ser, “O Vingador”, quem lê quadrinhos já deve ter percebido a semelhança desse personagem com o governador. Aquele que prometeu RGA aos servidores e não cumpriu, aquele que levou os trabalhadores da educação a travar a maior greve do estado. Aquele mesmo que disse que não faria certas privatizações nas empresas públicas do estado, mas tão logo o fez, aquele que apontava como seu arque inimigo, o deputado Wilson Santos, hoje tem nele seu maior aliado, para ser a sua mão de carrasco. A reforma da Previdência está acontecendo, professores interinos ainda desempregados, pessoas estão morrendo, podendo vir a óbito pela fome, já que o desemprego está generalizando ou pela pandemia do COVID-19.

Em meio a todas essas celeumas, ele, Mauro 1, como gestor máximo do estado deveria ser o primeiro a levantar a bandeira branca e amenizar esse enfrentamento entre os poderes, mas infelizmente a sua estratégia é o contrario. Para ele, quanto pior, melhor, para que ele surja como o Sassa Mutema Mato-grossense. Vende massivamente a dificuldade, para valorizar suas ações. O exemplo está ai, enquanto a população do interior de MT desce para capital para sobreviver, haja vista que em Cuiabá ainda tem aparato de atendimento, o governador continua tentando atingir o prefeito e ainda chancela que seu secretário chame de “irresponsáveis, desocupados e vagabundos”, aqueles que se indignaram por ver materiais hospitalares ainda inutilizados. Lamentável!

Mauro 1, Mauro 2 e Gilberto, vocês são gestores, ampliem suas listas de atenção e prioridade. Enquanto vocês tentam duelar com o prefeito da capital, ocupem o tempo de vocês para duelar contra o COVID-19, que convenhamos, está dando uma surra em vocês.

P.S.: Cuidem da nossa população, mas cuidem de todos! Não deixem que a pandemia faça com que os pobres virem apenas números de vítimas e que ricos virem manchete, para que só assim vocês façam alguma coisa! Porque aí, Mauro’s e cia, infelizmente poderá já ser tarde demais.

Juarez França, 23 anos, ativista dos Direitos da Juventude.

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