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O PODER DA ÉTICA E A ÉTICA DO PODER

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O CAMPO DE JOGO

Não podemos deixar de nos envolver em conflitos políticos e éticos, mesmo que apenas em suas consequências. Portanto, depois de definir alguns conceitos básicos, nos aprofundamos em nós mesmos para explorar o significado dessas duas motivações profundas do ser humano. Dessa forma, poderemos entender os comportamentos da liderança institucional e escolher nosso próprio caminho.

Ética não é ciência ou filosofia, é o sentido da vida. É a aplicação concreta de valores morais em todas as situações da vida. Porque os seres humanos buscam os valores que valem a pena porque dão sentido à vida, e o sentido da vida é a felicidade autêntica.

Política é uma ciência. Mas também é uma atividade humana na busca do poder. Poder para transformar as coisas e direcionar a vida dos outros. Na verdade, aplica-se particularmente a posições em órgãos estatais, mas está presente em todas as relações humanas. Em organizações econômicas, instituições sociais, clubes esportivos e até na família.

A política tem duas fases, que são a da disputa e a arquitetônica. A da disputa contém a luta pelo poder, o antagonismo entre aqueles que querem coisas diferentes (na melhor das hipóteses), ou a pseudo-gratificação de impor algo. A etapa arquitetônica é a execução das propostas ou o projeto do que foi apresentado como objetivo.

Tanto a luta pelo poder quanto o exercício do poder devem estar subordinados aos valores que constituem a ética, pois, do contrário, ela é desumanizada e voltamos à lei dos mais fortes, à lei da selva.

Mas a aplicação dos valores não é simples. Em muitas ocasiões, os valores estão em desacordo uns com os outros, constituindo o que chamamos de conflito moral.

A história da humanidade é a história do conflito moral. Assim, antropofagia, sacrifícios humanos, escravidão e pena de morte por tortura foram abandonados.

Nessa estrada sinuosa, com marchas e contra-marchas, o ser humano avança dolorosamente, com dor e sofrimento como combustível, em direção a formas mais elevadas de civilização.

Ética e Política têm as relações mais complexas. Não pode haver ética sem uma política que a sustente, nem existe uma política verdadeira sem objetivos éticos para orientá- la. É uma relação simbiótica complexa onde cada um justifica e ao mesmo tempo desautoriza o outro. Como duas linhas paralelas, elas devem correr juntas, mas não se tocam.

A contradição de acumular poder para democratizar o poder revelou um político com quem eu costumava falar, que felizmente chegou a um alto cargo no meu país. Essa contradição revela a estrutura do conflito moral de poder na antinomia da ordem versus liberdade.

Mas a verdadeira antinomia é aquela que surge na vida concreta, quando um líder deve decidir, ele deve optar por colocar um valor antes do outro, e isso tem consequências na vida dos demais. Com isso nós vamos lidar, tanto na fase da disputa, quanto na fase arquitetônica.

OS JOGADORES

Vamos chamar os líderes de jogadores. Devemos aprender a distinguir os jogadores morais, os amorais e os imorais.

Os jogadores morais têm um sentido da vida. Eles encontraram valores profundos que guiam a história da humanidade e são orientados por eles. Eles são os visionários, os profetas, os “loucos de Deus” da Bíblia, os estadistas, os profissionais que humildemente professam um valor com vocação prodigiosa de serviço que vai além do humanamente compreensível, porque têm raízes no invisível. Atemporais, marcam o significado da história em seu tempo, rumo a um destino transcendente. Podendo ser crentes em Deus ou não, eles sempre acham no íntimo de sua existência o motivo da vida.

Os jogadores amorais jogam respeitando as regras do jogo que lhes permitem acumular poder, mas seu sentido é o poder em si. Eles são um motor da história, são pragmáticos, eficientes. Eles são astutos, de reflexo rápido, farejam as aspirações maioritárias e aderem a elas, liderando-as, consolidando uma relação quase visceral com elas, interpretando e expressando o que a maioria quer ouvir. Hábeis na negociação, eles se acomodam. Buscam uma afirmação de personalidade através do 2

desenvolvimento de uma imagem pública coincidente com as pesquisas de opinião. Consequentemente, há uma compulsão de divulgar os objetivos alcançados, sejam reais ou fictícios, na direção dessas aspirações da maioria.

Os Jogadores imorais têm objetivos próprios para satisfação dos quais querem o poder. A primeira vítima é a verdade, pois tudo o que serve para alcançar, manter e reter o poder será verdade. O hábito de mentir se justifica por questões mais elevadas, manipulando a ética e instrumentalizando-a na medida de suas aspirações. Não há apenas uma necessidade de afirmação da personalidade, mas um impulso de dominar e subjugar, canalizado por uma egolatria baseada na submissão física ou intelectual dos outros. Criam organizações estruturadas em interesses que são compartilhados de forma piramidal, expulsando qualquer dissidência que lança dúvidas sobre a estrutura conceitual falaciosa da organização. A denúncia é perigosa porque revela a falsidade intrínseca da própria estrutura. Daí o martírio necessário dos profetas na história.

Isso fecha o círculo e elimina os vazios das equipes de jogadores. A escolha é muito íntima e profunda, porque é o que já vivemos que nos traz a experiência para decidir.

Naturalmente, todos na nossa vida gerencial às vezes não jogávamos, éramos indiferentes, queríamos aparecer, ou por inveja, depreciamos um bom projeto de outro. Nesta luta está nossa miséria e nossa glória. A decisão fundamental é a nossa escolha profunda dos valores intangíveis, o que nos permitirá fazer o sacrifício necessário quando chegar a hora. Certamente não será um sacrifício inútil. A história prova isso.

AS REGRAS DO JOGO

A verdadeira política tem uma base ética. O sentido de toda organização humana é o serviço e a felicidade de seus membros. O sentido de política é a ética: é a bússola do navio. Uma embarcação sem bússola está à deriva. Não há política real se não estiver alimentada pela ética.

A ética precisa de um marco político. Em estruturas políticas amorais, criminosas ou corruptas, a reflexão ética assume caráter épico e requer um esforço sobre-humano.

Dizer sempre a verdade: não mentir, não ocultar, não deturpar, não gerar falsas narrativas, não descontextualizar, não contar meias verdades.

Construir diálogo e harmonia: ouvir idéias da oposição, desenvolver propostas combinadas, respeitar a dissidência, executando lealmente decisões majoritárias.

Tomar decisões no sentido da história. Para isso é preciso interpretar os sinais dos tempos, e adaptar para os tempos atuais. A Ética é a moral aplicada no tempo e circunstância.

Subordinar os interesses pessoais e setoriais aos do conjunto. Isso muda a qualidade da relação política.

Na fase da disputa, não tirar vantagem das fraquezas humanas da oposição. Cria uma atmosfera desumana que sempre tem um retorno e abala a esperança do conjunto.

Os recursos comuns devem sustentar o desenvolvimento dos mais fracos. Não há comunidade saudável com injustiça social.

Buscar acordos com a oposição sobre as políticas estatais ou institucionais, as respeitar e garantir que sejam respeitadas, como objetivos comuns inalteráveis ao longo do tempo.

Conceber os órgãos governamentais a serviço do conjunto, pensar e agir nesse sentido, independentemente do setor a que pertença.

Liderança é como a vida, ocupa um certo lugar na história. No final do mandato, o projeto arquitetônico deve estar concluído e, em seguida, transferir o poder a quem caberá a responsabilidade no mandato seguinte. A vida compensará a sabedoria do respeito a nossos próprios limites.

O que é bem feito emergirá na história, mesmo que seja enterrado por uma enxurrada de contradições e mentiras. É necessário acreditar, embora provavelmente não o vejamos, porque teremos atuado na história além do tempo.

C.I. Lic. JULIO FARAH

ROSARIO| ARGENTINA

Título original: ÉTICAYPODER

Tradução: Luiz F P Barcellos

 

 

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Stringueta: Bope-MT já teria achado serial

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O delegado Flávio Stringueta fez uma publicação em seu perfil no Instagram na tarde deste sábado (19), em que afirma que os policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) de Mato Grosso já teria encontrado o serial killer Lázaro Barbosa, de 32 anos. Lázaro é suspeito de ter cometido vários crimes no Distrito Federal, incluindo a chacina de uma família, e em outros estados.

As polícias do DF e de Goiás montaram uma força-tarefa para encontrá-lo. Já são mais de 10 dias de buscas numa região de mata, sem sucesso em localizá-lo.

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Crea-MT promove palestra para futuros engenheiros civis de Rondonópolis

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O diretor-financeiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), engenheiro civil André Luis Schuring realizou palestra Sistema Crea-MT, Confea, além de abordar sobre a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) dia 15 de junho para os acadêmicos do Curso de Engenharia da faculdade Fasipe do Rondonópolis.

“O Crea-MT é um órgão público de autarquia federal especial da administração indireta de abrangência nacional de instância máxima na regulamentação do exercício profissional, que zela pela ética profissional da engenharia, agronomia e geociências, fiscaliza o exercício e as atividades dessas modalidades, atendendo à sociedade e o profissional, além de registrar tabelas de honorários elaboradas pelas entidades de profissionais, sem fins lucrativos”, disse André.

O diretor-financeiro do Crea-MT disse ainda que é   fundamental levar ao conhecimento desses futuros engenheiros como é o funcionamento do Conselho. Na ocasião, falei sobre a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e a Certidão de Acervo Técnico (CAT), habilitação, tramitação de processos, ética, leis entre outros assuntos. A ART é válida como garantia dos serviços prestados por profissional habilitado, alimenta acervo Técnico do Profissional e é imprescindível para fiscalização, definindo as responsabilidades entre as partes e garantindo os direitos autorais.

Ainda segundo o diretor-financeiro do Crea-MT, o encontro direcionado à Anotação de Responsabilidade Técnica tem o objetivo de atingir acadêmicos que estão prestes a se formar, e a importância da ART no início da vida profissional. Aproveitamos para explicar sobre o preenchimento da ART e alertar sobre possíveis irregularidades.

“O papel do Sistema é proteger a sociedade, confere atribuições, valorização do profissional, define as penalidades, de composições das Câmaras Especializadas e a estrutura organizacional, o plenário, Câmaras Especializadas, Comissões permanentes e especiais, bem como grupos de trabalho, presidência, diretoria e inspetorias. Expomos estatísticas, destacando a quantidade de profissionais registrados no sistema, que ultrapassa de 20 mil”, ressaltou Schuring.

O diretor-geral da Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea Mato Grosso (Mútua-MT), Adjane Prado, fez uma explanação sobre o funcionamento da Mútua-MT e o leque de benefícios oferecidos aos profissionais associados. “É importante destacar que os profissionais, uma vez que são inseridos no Sistema, têm uma série de benefícios, inclusive aqueles oferecidos pela Mútua. Como benefícios sociais, previdenciários e assistenciais, de acordo com sua disponibilidade financeira, respeitando o seu equilíbrio econômico-financeiro”, explicou Adjane.

Estiveram presente no encontro, o coordenador do Curso de Engenharia Civil da Fasipe, José Olavo Pio, a presidente da Associação Rondonopolitana de Engenheiros e Arquitetos (Area), engenheira florestal, Patrícia Brito e o conselheiro do Crea-MT e membro da Area, engenheiro agrimensor Fernando Munhoz.

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Globo repudiou e criticou a fala preconceituosa de padre de MT

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Jornal Nacional repercutiu o vídeo em que o padre Paulo Antônio Muller, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Tapurah (a 414 km de Cuiabá), chamou os repórteres Erick Rianelli e Pedro Figueiredo, ambos da emissora, de “dois viados“.

 

Na reportagem, de quase 4 minutos, o JN citou o fato de o MPE ter aberto uma investigação para apurar os ataques homofóbicos e que os repórteres ganharam demonstrações de solidariedade nas redes sociais. Entre elas do padre Júlio Lancellotti, de São Paulo, que fez uma publicação em que lembrou que homofobia é crime.

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