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Em 1º jogo desde março, seleção feminina estreia camisa sem estrelas nesta sexta

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A seleção brasileira feminina volta a campo nesta sexta-feira, às 21h30, para enfrentar o Equador, com uma grande novidade. A partir do amistoso agendado para a Neo Química Arena, a equipe vai utilizar em seu uniforme um escudo exclusivo, sem estrelas, que são alusivas aos cinco títulos da Copa do Mundo do time masculino.

 

De acordo com comunicado divulgado pela CBF e pela Nike, a ideia de tirar as estrelas é ‘valorizar as conquistas das mulheres que construíram a rica história da seleção feminina ao longo dos anos e inspirar uma nova geração de atletas‘ no momento em que o futebol entre as mulheres está em crescimento no Brasil.

 

A coleção, agora sem as estrelas, foi lançada em 2019, para o Mundial da França, e traz a inscrição ‘Mulheres Guerreiras do Brasil‘. A atacante Debinha, que estrela a campanha dos novos uniformes ao lado de Bia Zaneratto, Adriana e Andressinha, destaca que a ação valoriza a história construída pelas jogadoras da seleção feminina.

 

‘A retirada das cinco estrelas representa um grande passo para nós mulheres que amamos o futebol. Valorizamos demais o peso da camisa mais respeitada do mundo, mas escrevemos a nossa própria história. Enaltecer as nossas conquistas é fortalecer o futebol feminino e a base para que futuras Debinhas, Andressinhas, Adrianas e Bias sejam regra, não exceção‘, diz, no material divulgado pela Nike, Debinha, artilheira da ‘Era Pia Sundhage‘ na seleção, com seis gols marcados.

 

Com a estreia do novo detalhe do uniforme, o confronto é o primeiro dos dois que o Brasil fará contra o Equador neste fim de ano. O outro será na próxima terça-feira, novamente em São Paulo, no estádio do Morumbi, também às 21h30.

 

O duelo, aliás, encerrará um hiato de quase nove meses sem compromissos da seleção, algo que tem relação direta, evidentemente, com a pandemia do coronavírus. A equipe atuou três vezes em março, em um torneio amistoso disputado na França, e depois cancelou toda a sua programação, incluindo amistosos com a Costa Rica e os Estados Unidos em abril, e o adiamento da Olimpíada para 2021.

 

O rival desses amistosos, inclusive, seria outro. O Brasil enfrentaria a Argentina, que pediu o adiamento dos jogos, alegando o aumento dos casos de coronavírus na Europa, onde estão presentes a maioria das atletas que costumam ser convocadas pelo técnico Carlos Borrello.

 

Assim, para que a seleção disputasse dois jogos no fim de 2020, intensificando a preparação para a Olimpíada de Tóquio, a CBF acertou a realização dos amistosos com o Equador. Será, com isso, um reencontro com a técnica Emily Lima, que dirigiu a equipe entre novembro de 2016 e setembro de 2017, quando foi demitida.

 

Agora, então, ela está à frente do Equador, que em seu último duelo com o Brasil perdeu por 8 a 0, na Copa América de 2018. Os gols daquela partida foram marcados por Cristiane (2), Bia Zaneratto (2), Andressinha, Formiga, Rafaelle e Debinha.

 

Embora não atue desde março, a seleção feminina não estava completamente paralisada nesse período. Com foco na Olimpíada, a técnica Pia Sundhage chamou atletas para dois períodos de treino. Eles foram em Portugal, com atletas que atuam no exterior, e na Granja Comary, restrita a jogadoras em atividade no futebol nacional.

 

Pia, que precisou cortar Marta, pois a craque contraiu o coronavírus, convocou algumas novatas para os amistosos da seleção. A equipe pode ter, assim, até oito estreantes com a camisa do Brasil nos confrontos com o Equador.

 

São os casos de Duda e Julia Bianchi, e a defensora Camila, todas do Avaí/Kindermann, e a atacante Jaqueline, do São Paulo, que podem atuar pela primeira vez pelo Brasil, assim como as meias Ana Vitória, do Benfica, e Valéria, do Madrid CFF, além das atacantes Giovana, do Barcelona, e Nycole, do Benfica, que já haviam participado de períodos de treinos com a equipe, e que agora foram chamadas pela primeira vez para jogos internacionais.

 

‘Eu gosto muito quando temos jogadoras novas, porque lembram as mais experientes que não podem relaxar e achar que a vaga está garantida. Elas são novas ainda, comentem alguns erros no campo, mas essa mistura é realmente interessante. Eu acho que quando tem jogadoras mais novas, elas sempre tentam dar o melhor delas. As mais experientes sentem isso e acabam se dedicando ainda mais. Além disso, temos jogadoras muito técnicas que me surpreendem‘, disse Pia, em entrevista coletiva.

 

 

*FONTE:GAZETA DIGITAL

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‘Calcio Storico’: conheça a brutal tradição italiana que une futebol, MMA, sangue, areia, muito orgulho e até uma vaca

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Um jovem está deitado com as pernas abertas em uma arena com superfície de areia, e o sangue corre de um machucado aberto acima de seu olho. O responsável por tal ferimento está montado sobre seu peito, e por isso ele não pode se mover. Ao lado, outros rapazes estão se engalfinhando em um terrível emaranhado de punhos, joelhos, ombros e cotovelos.

Essa cena é ainda mais surreal porque os combatentes estão fantasiados. Alguns estão sem camisa, outros de camiseta, mas todos estão usando calças largas e com listras brilhantes, réplicas de peças do século XVI.

Eles estão jogando o calcio storico fiorentino (futebol histórico de Florença, em tradução livre) ou, como muita gente local o conhece, calcio in costume (futebol fantasiado). É um ancestral distante dos esportes modernos como o futebol e o futebol americano, mas lembra mais uma mistura de MMA e rúgbi.

Calcio storico não tem muitas regras que limitam o contato, embora seja proibido bater um oponente por trás. Mas é permitido dar um tackle pelas costas do adversário
Calcio storico não tem muitas regras que limitam o contato, embora seja proibido bater um oponente por trás. Mas é permitido dar um tackle pelas costas do adversário ANSA / AP Photo

Dois times de 27 jogadores, ou calcianti, lutam para levar uma bola até o gol do adversário, que fica no lado oposto de um campo com aproximadamente 40m de largura por 80m de comprimento. Além desse objetivo básico, até mesmo os atletas têm dificuldades de explicar os detalhes, dizendo que o esporte tem “três ou quatro regras”.

Com a natureza caótica do jogo, é difícil dizer quando as regras foram quebradas – pelos torcedores e até mesmo pelos juízes. Mas, quando constatadas, violações flagrantes resultam em expulsão.

As restrições essenciais são:

– Não atingir o adversário por trás (atingir significa não dar socos, chutes ou coisas do tipo; empurrões no estilo rúgbi, ou os tackles do futebol americano,  são permitidos).

– Não atingir o adversário que já está no chão. Mas você pode derrubar os oponentes, sem problemas.

– Não jogar dois contra um. Se um adversário já está disputando a bola com seu companheiro de equipe, você não pode tocá-lo a não ser que ele tenha a bola.

Os jogos duram 50 minutos, sem intervalos ou substituições. Se um jogador sair do campo, não poderá ser substituído. Perder um jogador nessas condições pode ser terrível, especialmente com o calor recorde no verão italiano deste ano.

Então, o jovem com o corte na sobrancelha espera pacientemente enquanto seu sangue escorre manchando a areia. Os médicos vão chegar em alguns minutos para estancar a hemorragia e ele ainda está lá, debaixo de seu adversário. O dia só está começando.

 

Os atletas dos Bianchi treinam no dia anterior à partida final contra os Rossi; eles não são pagos, mas treinam durante três meses para o torneio, realizado uma vez por ano
Os atletas dos Bianchi treinam no dia anterior à partida final contra os Rossi; eles não são pagos, mas treinam durante três meses para o torneio, realizado uma vez por ano Antonio Masiello

Não há jogadores profissionais de calcio storico. É um esporte estritamente amador, e muita gente que joga nem o considera assim. “Não é um esporte”, diz Fabio Selvaggio, jogador dos Bianchi di Santo Spirito, os atuais campeões. “É uma diversão histórica.”

Seja qual for sua definição, o calcio storico é um hobby exigente. Só existem quatro times em Florença, e eles participam de só um torneio oficial durante o ano. É um mata-mata, com duas semifinais e uma final. Assim, mesmo em uma temporada muito boa, um time só pode jogar duas vezes.

Ainda assim as equipes treinam três vezes por semana durante três meses, de março a junho, quando começa a competição. Cada time pode ter entre 60 a 70 jogadores no elenco, apesar de só 27 poderem jogar em uma partida. Nem mesmo a retirada do tradicional prêmio que os campeões recebiam (uma vaca da raça Chianina) diminuiu a participação.

Por que os calcianti gostam tanto de jogar? Todos conhecem muito bem os riscos. Todos os jogadores que deram depoimento para esta história disseram que têm medo quando entram na arena. No jantar oferecido pelos Bianchi na noite antes da final, não foi difícil ver as cicatrizes e narizes quebrados nos corpos dos veteranos.

O jogo não pára para as equipes médicas, que entram no campo durante a partida para tratar os jogadores; cada time inicia com 27 homens, número que pode diminuir, já que substituições não são permitidas
O jogo não pára para as equipes médicas, que entram no campo durante a partida para tratar os jogadores; cada time inicia com 27 homens, número que pode diminuir, já que substituições não são permitidas Justin Setterfield/Getty Images

Selvaggio foi sincero ao contar seu choque inicial: “Vi o jogo pela primeira vez com 8 ou 9 anos”, disse. “Meu técnico de futebol jogava nos Rossi. Ele me trouxe para ver, mas eu não sabia o que era antes. Fiquei com uma impressão horrível.”

“Eu nem imaginava que veria pessoas levando socos, sendo chutadas no chão. Quando vi meu técnico lutando, comecei a chorar. Eu gritava para o meu pai: ‘Me leva para casa!’.”

Demorou anos para Selvaggio perder o medo do jogo e ver as coisas por outro ângulo. Como muitos outros garotos de Florença, ele disputava uma versão mais amena do calcio storico com seus amigos quando era adolescente. Os agarrões eram permitidos, mas não socos, apesar de sempre saírem muitas brigas.

Com 20 anos, ele já adorava o jogo e começou a treinar com os Bianchi. Dezoito anos depois, apesar de agora ter uma família e um trabalho de pintor/decorador, ele sempre volta ao calcio. “É por causa da adrenalina,” explicou. “Existe aquela coisa de querer se medir contra alguém, para poder falar: ‘Olha, eu sou mais forte do que você’.”

Um jogador dos Bianchi, ensanguentado e um tanto desorientado, em campo durante a final do campeonato
Um jogador dos Bianchi, ensanguentado e um tanto desorientado, em campo durante a final do campeonato Filippo Monteforte/AFP/Getty Images

Apesar de muitos citarem isso, ninguém tem uma resposta única para explicar por que joga. Alguns encaram como uma extensão natural de seu esporte de contato preferido, como o boxe e o rúgbi. Para outros, é uma questão de tradição e socialização.

Para entender bem esse jogo é preciso levar em conta o conceito italiano de campanilismo. Por todo o país, o localismo ainda é muito forte, muitas pessoas se sentem muito mais ligadas ao seu bairro, com as ruazinhas e a torre da igreja (campanile), do que ao país ou mesmo à cidade como um todo.

Essa cultura também está presente no calcio storico. Cada um dos quatro times leva o nome de uma igreja que, por sua vez, representa um bairro histórico de Florença. Os Bianchi (Brancos) são da Basilica di Santo Spirito, os Rossi (Vermelhos) da Santa Maria Novella, os Verdi (Verdes) são da San Giovanni, e os Azzurri (Azuis) da Santa Croce.

 

“O sonho de todo garoto que nasceu na vizinhança é vestir esse uniforme. Mas é claro que, de dez caras, só dois vão conseguir, e não é um jogo para todo mundo.

Emiliano Venturi, técnico dos Bianchi

 

Padres dessas igrejas abençoam as bandeiras de seus times em missas especiais durante os preparativos para o torneio anual. O padre Giuseppe Pagano, o prior de Santo Spirito, já celebrou casamentos e batizou filhos de jogadores.

Ele fala de forma positiva sobre o papel integrador dos Bianchi na comunidade. Mesmo fora do período de treinos de três meses, a equipe procura usar sua influência para fazer coisas positivas: mobilizando seus 800 membros para angariar fundos para caridade ou doar sangue, por exemplo.

O padre Pagano reconhece que não gosta da violência do calcio storico, mas pede para os espectadores enxergarem além. “Já vi momentos muito bonitos quando eles seguem as regras corretamente”, afirmou. “Cenas incríveis, como um jogador que tem o outro dominado debaixo de si sem poder se mover e por isso lhe oferece uma garrafa d’água. Já vi isso muitas vezes.”

Os torcedores dos Bianchi (Brancos) em clima festivo antes da final
Os torcedores dos Bianchi (Brancos) em clima festivo antes da final Antonio Masiello

Para os jogadores que cresceram no bairro, a oportunidade de defender as cores locais é um fator poderoso de motivação. Emiliano Venturi, pela primeira vez técnico dos Bianchi, sempre viveu perto de Santo Spirito. Seu pai foi jogador e depois treinador do time, e agora Emiliano segue seus passos.

“O sonho de todo garoto que nasceu na vizinhança é vestir esse uniforme”, declarou. “Mas é claro que de dez caras só dois vão conseguir, e não é um jogo para todo mundo.”

Para jogar o calcio storico é preciso ter nascido em Florença ou viver ali por pelo menos dez anos consecutivos. Contudo, mesmo nesse contexto, Venturi acredita que ter um núcleo de jogadores da comunidade de Santo Spirito é essencial para o sucesso da equipe.

“Nós dos Bianchi somos diferentes”, diz. “Temos jogadores de outros bairros, é claro, mas as pessoas reconhecem os que são daqui na hora. Dá para notar por que eles jogam com outra vontade, outra mentalidade. Quando o jogo começa, eles explodem.”

 

Torcedores dos Rossi (de vermelho) mostram seu apoio na final. Os jogos são disputados na praça da Basilica di Santa Croce
Torcedores dos Rossi (de vermelho) mostram seu apoio na final. Os jogos são disputados na praça da Basilica di Santa Croce Antonio Masiello

Alguns historiadores acreditam que o calcio storico deriva do harpastum, um jogo com bola usado como exercício de treinamento por legionários e gladiadores durante o Império Romano. A versão moderna, porém, vem de uma tradição militar diferente: a da antiga e curta República de Florença.

Atualmente, os jogos são precedidos de uma procissão pelas ruas de Florença, que conta com cavalaria, arqueiros e soldados a pé carregando coloridas armas medievais. Esses rituais são uma homenagem ao jogo de calcio storico mais famoso de todos os tempos, disputado em 1530.

O povo de Florença havia derrubado os governantes da família Médici e fundado uma república independente, mas logo se viram sob o cerco de tropas do Sacro Império Romano-Germânico e da Espanha. Como demonstração de força, um jogo de calcio storico foi organizado na Piazza Santa Croce, depois de uma marcha ostentosa pela cidade.

O cerco de dez meses terminaria com derrota para os florentinos, mas o jogo continua sendo um símbolo de orgulho e rebeldia local. “Eu sei que, quem é de fora, deve pensar que somos todos loucos”, disse, com risos, Fabrizio Valleri, outro veterano dos Bianchi.

Um jogador dos Rossi tenta um soco contra um rival dos Bianchi; as lutas individuais são uma parte estratégica do jogo, e não uma aberração. Socar é proibido apenas pelas costas ou se o oponente estiver no chão
Um jogador dos Rossi tenta um soco contra um rival dos Bianchi; as lutas individuais são uma parte estratégica do jogo, e não uma aberração. Socar é proibido apenas pelas costas ou se o oponente estiver no chão FILIPPO MONTEFORTE/AFP/Getty Images

Talvez, mas menos pela celebração do passado do que pelas ferozes paixões do presente. Os quatro times participam da procissão, incluindo os que perderam na semifinal. O campeonato desse ano quase saiu fora do controle antes mesmo de começar, porque torcedores dos Bianchi jogaram garrafas d’água nos atletas dos Azzurri.

Esses responderam devolvendo as garrafadas, e uma delas passou muito perto da cabeça de uma jovem torcedora. Os Bianchi chegaram à decisão de forma controversa, já que venceram a semifinal depois que um jogador dos Azzurri se negou a deixar a arena após ser expulso pelo juiz. A cena terminou com a polícia em campo.

Felizmente, dessa vez não será assim. Os jogadores dos Azzurri acabaram saindo da confusão, evitando os torcedores dos Bianchi antes que as hostilidades aumentassem. Os 4.800 espectadores reunidos na arena temporária da Piazza Santa Croce desta vez veriam um jogo que se tornaria um clássico inesquecível.

No começo, como sempre, houve caos. Uma partida de calcio storico começa com bola ao alto. Com 54 jogadores reunidos em um espaço tão pequeno, sem contar os juízes, um capitão e um bandeirinha que não jogam, a sensação de aperto é assustadora.

Aos poucos, porém, surge um padrão de jogo. A proibição de golpear um adversário caído leva a um inevitável processo de redução gradual de jogadores, com os que sobram chegando de fato ao combate mano a mano (usando qualquer método de luta de rua que funcione, incluindo murros, chutes e arremessos) até que o outro esteja dominado no chão. Normalmente, o time que fica com a bola no início troca passes no fundo, protegendo a bola enquanto esse cenário se desenrola.

O campeão Bianchi é ovacionado quando entra na Piazza Santa Croce antes da final; a arena temporária fora da igreja tem capacidade para 4.800 fãs
O campeão Bianchi é ovacionado quando entra na Piazza Santa Croce antes da final; a arena temporária fora da igreja tem capacidade para 4.800 fãs Antonio Masiello

Até que, quando o número de atletas em pé diminui, alguém tenta uma jogada. O time com a bola pode tentar um ataque, às vezes com jogadas ensaiadas, com estratégias de bloqueio e finta e uma tentativa de passar a bola para o companheiro. Ou um defensor pode tentar forçar uma ação correndo atrás do homem que carrega a bola.

Em qualquer cenário, tomar a iniciativa envolve riscos. Andar por um campo cheio de corpos não é tarefa fácil. Os lutadores que venceram seus duelos esperam como crocodilos no pântano, prontos para atacar a vítima escolhida agarrando suas pernas enquanto passam.

Os ataques podem ser brutais. Mesmo para quem está acostumado com esportes de contato, ver alguém levando uma joelhada na coluna pode ser chocante. Em um determinado momento, um jogador dos Bianchi derrubou um adversário com um golpe de luta livre: um suplex alemão, para afundar a cabeça de sua vítima na areia e nas pedras. Até mesmo o homem que deu o golpe parecia aterrorizado depois que percebeu o que fez.

Mas foram os Rossi que acabaram saindo na frente. Uma peculiaridade do calcio storico é que tentativas de marcar podem render pontos ao adversário. Os atacantes marcam um ponto, ou caccia (em uma tradução literal, “caça”), quando arremessam a bola por cima de um muro de altura média em uma rede estendida a mais ou menos 1 m do muro, que cobre todo o campo. Mas se o arremesso é muito alto e acerta a grade em cima da rede, os adversários ganham meio ponto.

Os jogadores que permanecem em pé tendem a diminuir a velocidade à medida que o jogo avança. Cada partida dura 50 minutos, sem paralisações
Os jogadores que permanecem em pé tendem a diminuir a velocidade à medida que o jogo avança. Cada partida dura 50 minutos, sem paralisações Antonio Masiello

Foi assim que os Rossi ficaram na frente por um cacce e meio a zero. Demorou mais 20 minutos até que os Bianchi finalmente mexessem no placar, com um arremesso do meio do campo de Lorenzo Ardito, no seu segundo ano como jogador. Depois disso, eles começaram a dominar a partida. Faltando nove minutos para o final, os Bianchi tinham uma vantagem de dois pontos e meio.

Deveria ser suficiente. Mas o cansaço e o medo começaram a aparecer. Tentativas de proteger a bola e deixar o tempo passar fracassaram com os contra-ataques. Os Rossi retomaram a vantagem de meio ponto depois de uma jogada que encurralou o adversário. O placar mostrava cinco e meio a cinco faltando dois minutos para o final.

Nunca a arena pareceu tanto com um campo de batalha. Os times são obrigados  a trocar de lado depois de cada ponto, mas a essa altura os jogadores dos dois lados (cobertos de suor, sangue e areia) mal podiam andar. Os corpos estavam maltratados e machucados, os curativos sujos mal protegiam os narizes quebrados e as feridas abertas.

Os Bianchi recuperaram a bola, mas não havia nenhum plano de jogada. O capitão da equipe continuava a gritar instruções como se fosse um general de guerra, mas seus soldados estavam muito atordoados para responder.

 

Para ser honesto, pensei que tinha errado, não vi onde a bola tinha ido. Mas depois ouvi os gritos da torcida.

Lorenzo Ardito, descrevendo seu gol do meio do campo, que deu a vitória ao Bianchi

 

Faltando 60 segundos, a bola chegou em Ardito. Como contou depois, ele mal conseguia ficar de pé. “O Fabrizio Valleri gritava para mim, ‘Vai!’, e eu respondi: ‘Não dá. Não consigo mais correr, Fabi’. Ele respondeu: ‘Para de chorar e vai! Não quero nem saber se você não consegue mais correr, vai ter que fazer isso de qualquer jeito’.”

“Então eu peguei a bola e avancei cinco metros. Havia dois caras na minha frente, um à direita e outro à esquerda. Eu não tinha para onde ir. Eu pensei comigo mesmo: ‘Arremessa agora’. Para ser honesto, pensei que tinha errado, não vi onde a bola tinha ido. Mas depois ouvi os gritos da torcida”.

Foi o segundo arremesso do meio do campo que ele fez aquele dia. No primeiro, a bola tinha ido diretamente para o gol, já no segundo ela caiu um pouco antes da meta, mas quicou e acabou subindo até passar perfeitamente por sobre o muro. Os torcedores dos Bianchi, sentados no lado esquerdo do estádio, explodiram. Ardito chorou.

 

Vitoriosa, a equipe dos Bianchi comemora depois de defender o seu campeonato graças a um gol nos últimos instantes - ou a caccia -, marcada em um tiro do meio do campo
Vitoriosa, a equipe dos Bianchi comemora depois de defender o seu campeonato graças a um gol nos últimos instantes – ou a caccia -, marcada em um tiro do meio do campo Antonio Masiello

Uma hora após o final do jogo, um rapaz com um corte na sobrancelha ajoelha no meio da Piazza Santo Spirito. Todos os jogadores dos Bianchi foram para lá após a partida, caminhando um quilômetro e meio sem parar nem para trocar de roupa. Os vencedores tiveram uma recepção de heróis. Jovens de 20 e poucos anos comemoravam com copos de cerveja nas mãos, enquanto as vovós celebravam sacudindo seus panos de prato na janela.

Mas ainda havia um último compromisso. O rapaz ajoelhado está pedindo sua namorada em casamento. Na frente de todos, ela responde que sim.

Seu nome é Nicola Mattarese, ele joga nos Bianchi desde 2014. Um pouco antes, ao final do último treinamento da equipe, ele explicou (falando em inglês) a razão do amor pelo calcio storico. “Não sou o tipo de pessoa que sai por aí esmurrando os outros”, disse. “Mas quando era mais novo, se me metia em uma briga (mesmo que não quisesse), eu sentia uma parte de mim que não conhecia.”

“O tempo desacelera. Você não sente mais dor, por que a adrenalina não deixa. E depois, quando tudo vai bem, você se sente orgulhoso, cheio de energia. Confia mais em si mesmo. Sempre tive dificuldades para acreditar em mim mesmo. Não sou corajoso. Foram essas emoções que fui buscar no calcio storico.”

Parece que hoje, finalmente, ele encontrou essas emoções.

 

 

 

*FONTE:ESPN

 

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Paraná é derrotado para o Sampaio e fica em situação complicada na tabela

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Na noite de sexta-feira (15), o Paraná Clube foi até São Luís (MA) e foi derrotado para o Sampaio Correa por 2 a 1. O Tricolor está na 18º colocação com 36 pontos e na próxima terça-feira (19), tem um confronto muito importante contra o Cuiabá, às 21h30, na Vila Capanema.

Durante toda a partida o Paraná Clube finalizou 16 vezes e o adversário apenas quatro. As principais oportunidades do time paranista foram criadas no primeira etapa, mas a bola não entrou.

O Tricolor começou melhor o jogo, a primeira chance foi de bola parada, Jean Victor lançou para a área e o atacante Bruno Lopes de cabeça mandou para fora. Aos 11 minutos, Thiago Alves finalizou de longe e a bola passou muito perto. Aos 15 minutos o time da casa abriu o placar – 1×0.

O Tricolor teve outra boa oportunidade com Bruno Lopes. Karl cruzou da direita, o centroavante cabeceou, o goleiro adversário fez a defesa. Na primeira etapa, o time paranista finalizou dez vezes, mas faltou pontaria.

Na volta para o segundo tempo, o Tricolor voltou com a mesma postura. A primeira oportunidade foi na batida de falta do zagueiro Fabrício, o goleiro Gustavo fez ótima defesa. Pouco tempo depois, Bruno Lopes fez bom drible dentro da área e a bola bateu na mão do jogador adversário, mas a arbitragem não marcou penalidade.

Aos 19 minutos, após erro na saída de bola, o adversário ampliou o placar – 2×0. O Tricolor até descontou com Bruno Lopes, mas não foi suficiente, final de jogo – 2×1.

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Figueirense derrota Brasil de Pelotas por 3 a 0

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O Figueirense venceu o Brasil-RS por 3×0, na tarde de sexta-feira (15), no Estádio Orlando Scarpelli, em duelo válido pela 35ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

Com o resultado, o Furacão chegou aos 39 pontos, deixando momentaneamente o Z-4, ocupando a 15ª posição na tabela de classificação. O Brasil-RS ocupa a 11ª posição, com 47 pontos conquistados.

Precisando da vitória, após 03 jogos sem vencer na competição, o alvinegro partiu com tudo desde o início da partida. Aos 15 minutos, Bruno Michel tentou por cobertura e a bola tocou no travessão, antes de sair. Aos 19, Dudu arriscou de longe, o goleiro deu o rebote e Geovane Itinga bateu para o gol, abrindo o marcador. Na pressão, o Figueirense encurralava a equipe gaúcha. O segundo gol veio aos 29 minutos, quando após ótimo lançamento de Patrick, Everton Santos avançou pela direita e cruzou na medida para Dudu, que bateu colocado e estufou a rede. Aos 47’, Diego Gonçalves avançou pela direita e tentou o cruzamento, mas o zagueiro Leandro Camilo cortou com o braço. Pênalti anotado pela arbitragem, convertido por Diego Gonçalves, aos 48 minutos da primeira etapa.

O segundo tempo seguiu com o alvinegro dominando as ações, mas sem aumentar o placar. Aos 16 minutos, Geovane Itinga recebeu bom passe e bateu para o gol, mas o goleiro Rafael Martins fez  grande defesa. Aos 19’, Diego Gonçalves bateu cruzado e a bola passou raspando, à direita do goleiro xavante. Aos 26 minutos, outra boa chance para o Figueirense, desta vez com o zagueiro Alemão, que apareceu no ataque e bateu para o gol, obrigado o goleiro adversário a fazer boa defesa. A melhor oportunidade dos visitantes aconteceu aos 34 minutos, quando Bruno José bateu forte, e o goleiro Rodolfo se esticou todo, mas a bola acabou saindo à esquerda da meta alvinegra.

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