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Eleições 2020: entre vereadores e prefeitos, quem venceu foi a esperança

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Indo na contramão de um ano que merecia ser esquecido, a manhã desta segunda-feira (16) acordou com uma palavra entre as mais comentadas por usuários do Twitter e do Instagram: esperança. Com o fim das eleições municipais e os resultados já completamente computados, vimos uma reviravolta no que parecia ser uma crescente conservadora no país, o que trouxe uma nova motivação para quem parecia ter desistido do Brasil.

Nas eleições para prefeitos e vereadores, vimos um recorde, como diz o termo, inédito: em São Paulo, dos 55 vereadores eleitos, 13 são mulheres, sendo uma delas trans. Erika Hilton foi uma das mais votadas da cidade e garante um espaço – merecido e de direito – para a comunidade trans no meio político. Thammy Gretchen também faz parte desse time, com um índice de votos altíssimos, e colaborando para a vitória dessa parte da população no país todo.

E não é só isso. Entre estreantes e reeleitos, em 2021 a Câmara dos Vereadores da capital paulista terá mais diversidade: foram cinco negros (homens e mulheres) eleitos para o cargo a partir do ano que vem. Em comparação com os outros 50, parece um número pequeno, mas essa virada é significativa por muitos motivos. Em primeiro lugar, mostra uma tomada de consciência da população eleitora sobre a necessidade de líderes que representem, de verdade, as necessidades da cidade e sua população.

 

São Paulo, claro, foi só uma amostra de um movimento que, ao que tudo indica, é nacional: o avanço de causas sociais e discussões importantes sobre o racismo, a desigualdade e as dificuldades sociais do país têm ganhado força, espaço e, claro, refletido nas urnas.

Em Belo Horizonte, por exemplo, os resultados foram igualmente impressionantes: o número de mulheres na Câmara triplicou em comparação às últimas eleições, com 11 mulheres eleitas, das 41 cadeiras da casa. A mais votada da capital mineira foi também uma mulher transgênero: Duda Salabert, professora, ambientalista e ativista.

No geral, todos os estados brasileiros elegeram mulheres para suas Câmaras de Vereadores, sendo que Porto Alegre sai na frente com a maior proporção: 30% das cadeiras serão ocupadas por elas. Já quando se fala nas prefeituras, um destaque é que, a partir do ano que vem, dez cidades brasileiras serão comandadas por pessoas que se consideram indígenas – 4 a mais do que na última eleição, em 2016.

A vitória da esperança

Dizem alguns usuários nas redes sociais que o resultado das eleições municipais é uma vitória contra o bolsonarismo, que perde força. Isso porque boa parte dos candidatos apoiados pelo presidente em exercício, Jair Bolsonaro, perderam as eleições ou não foram para segundo turno nas grandes capitais do país, a exemplo de São Paulo. Por aqui, em uma virada impressionante, Bruno Covas vai a segundo turno com Guilherme Boulos.

À exemplo também das eleições nos Estados Unidos, a intolerância não tem vez. Se até então o que víamos era uma crescente conservadora, com falas polêmicas contra pessoas das comunidades LGBTQIA+, negras e indígenas, além das próprias mulheres, se vimos o desserviço de muitas pastas do governo federal e retrocessos em relação a grandes avanços de direitos humanos e busca por igualdade, o resultado das urnas trouxe novos ares e um sinal de que, talvez, a nova política finalmente tenha chegado.

É uma ótima notícia para aqueles que tinham perdido as esperanças depois das eleições de 2018 e, principalmente, dos que olharam com tristeza os rumos que o país tomou diante da pandemia de coronavírus. É difícil dizer que uma situação tão caótica pode ter um viés positivo, mas, no mínimo, vale notar que o período de quarentena e os olhos atentos nas manobras políticas deixaram as pessoas mais conscientes sobre quem elas querem como representantes e líderes máximos do país.

Resta, agora, esperar. Muitos estados ainda contam com um segundo turno para definir o cargo de prefeito, mas, independente de resultados, é inegável que o momento pede, sim, comemoração. Dentre tantos conflitos e críticas, ao que tudo indica teremos vereadores mais diversos e prefeitos mais representativos no ano que vem, buscando colocar em pauta temas que, até então, poderiam passar despercebidos e lutando por uma política que contemple a todos e não só um grupo determinado (e bastante restrito) de pessoas.

 

 

*FONTE:YAHOO

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Prefeito define Luis Claudio para secretário de Governo da próxima gestão

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O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, anuncia o vereador Luis Claudio (PP) como secretário de Governo da próxima gestão (2021-2024). Ao fazer o convite para o parlamentar, que também é seu amigo de longa data, o executivo incumbiu Luis Claudio de fortalecer as relações institucionais da Prefeitura de Cuiabá com os demais poderes e instituições, a exemplo da Câmara Municipal e da sociedade civil organizada.

Luis Claudio também será responsável por acompanhar, monitorar e cobrar das demais secretarias o cumprimento das metas e prazos estabelecidos no plano de governo do segundo mandato de Emanuel Pinheiro. Tal plano será avaliado anualmente pelo secretário junto ao prefeito. O parlamentar cumprirá seu mandato de vereador até o dia 31 de dezembro e assumirá o cargo no Executivo municipal no da 1º de janeiro de 2021. Contudo, participará do processo de transição de governo. Atualmente, quem comanda a pasta é a secretária Ozenira Félix, que assumiu recentemente, em substituição a Lincoln Sardinha, que saiu para atuar na campanha à reeleição do prefeito Emanuel Pinheiro. Luis Claudio de Castro Sodré tem 54 anos, é casado e pai de três filhos, natural do Rio de Janeiro (RJ), mas vive há 42 anos em Cuiabá. Formado em Direito, é servidor de carreira do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), onde ingressou em 1987. Ele também tem pós-graduação em Direito civil pelo IDP Brasília.

Exerceu os cargos de presidente da Associação dos Servidores do Poder Judiciário, presidente do Instituto de Seguridade Social dos Servidores do Poder Judiciário, vereador do município de Cuiabá na atual legislatura, líder do prefeito. Disputou as eleições deste ano, obtendo 3.001 votos, sendo o sétimo mais votado.

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Sessão solene na Assembleia Legislativa marca os 50 anos da UFMT

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Em uma iniciativa liderada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSDB), a Assembleia Legislativa realizou na tarde de quinta-feira (10), uma sessão solene em homenagem aos 50 anos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Durante a solenidade, foi debatida a importância da UFMT para o desenvolvimento sócio econômico de Mato Grosso. 

O primeiro reitor da UFMT, o médico Gabriel Novis Neves, foi um dos participantes homenageados e exaltou o histórico da instituição de ensino para o avanço social e profissional em Mato Grosso. 

“A UFMT cumpriu sua missão de expandir com qualidade o ensino superior formando quadros notáveis de profissionais que contribuíram para o desenvolvimento não apenas de Mato Grosso, mas de todo o Brasil”, disse.

A ex-reitora Luzia Guimarães ressaltou a importância da instituição de ensino para a promoção da ciência, destacando os estudos atuais que visam a contribuição com o sistema de saúde pública. 

“A UFMT tem feito estudos relacionados ao coronavírus, esse inimigo invisível que tem abatido a humanidade, numa tentativa de contribuir com soluções para encerrar esse drama que estamos vivendo”, reforçou.

O deputado Wilson Santos destacou que a UFMT é a única instituição de ensino superior em Mato Grosso que abrange ensino, pesquisa e extensão contribuindo para a expansão do conhecimento. “É o maior centro da intelectualidade de Mato Grosso com mais de 2 mil mestres e doutores e merece todo nosso reconhecimento”, disse. 

Ainda participaram da solenidade o atual reitor Evandro Aparecido Soares da Silva, o ex-reitor Paulo Speller, os professores universitários Bolanger José de Almeida e Abilio Camilo Fernandes Neto. 

Histórico – Criada em 10 de dezembro de 1970 pela Lei 5.647, a Universidade Federal de Mato Grosso tem sua trajetória iniciada anterior a essa data, uma vez que se originou da fusão da Faculdade de Direito, criada em 1934, e do Instituto de Ciências e Letras de Cuiabá, instituído em 1966.

A UFMT foi por muito tempo a única universidade federal no estado e chegou a ser também, durante um período, a única instituição de ensino superior em Mato Grosso. Atualmente, tem presença marcante no cenário socioeconômico e cultural, não apenas pela colocação no mercado de trabalho de milhares de profissionais graduados e pós-graduados, como também pelas suas atividades de pesquisa e extensão. 

 

 

*FONTE:ALMT

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Lúdio vai à Justiça para anular licitação de R$ 170 milhões que terceiriza material didático e formação de professores

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O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) entrou com ação judicial para anular a licitação de R$ 170 milhões do governo de Mato Grosso que terceiriza o fornecimento de material didático a alunos da rede estadual de ensino e a qualificação dos professores. Lúdio pede que o juiz conceda liminar anulando ou suspendendo o pregão decorrente do Termo de Referência nº 107/20, Edital 021/20, previsto para esta sexta-feira (11).

Lúdio destacou a gravidade de trocar o material didático fornecido gratuitamente pelo Ministério da Educação, por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), uma política pública de qualidade consolidada há décadas, por apostilas a serem produzidas pela empresa vencedora da licitação, ao custo de R$ 170 milhões.

Na ação, o advogado Wander Bernardes apontou que a compra de objetos que o governo já possui, como material didático, leva ao desperdício de dinheiro público. Além disso, a licitação prevê a venda casada da elaboração desse material junto com a impressão, a distribuição física e digital, e a prestação do serviço de capacitação dos professores para utilizá-las.

“Cumpre apontar a completa desnecessidade de licitar o objeto pretendido, uma porque a distribuição de material didático é oferecida pelo Ministério da Educação e é feita diretamente pelas editoras às escolas, por meio de um contrato entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Essa etapa do Programa Nacional do Livro Didático conta com o acompanhamento de técnicos do FNDE e das secretarias estaduais de educação”, diz trecho da ação.

Lúdio observou também a ausência de estudo técnico preliminar e o risco de direcionamento, pois a licitação tem apenas um lote e a empresa vencedora teria que fornecer todos os serviços e materiais, diminuindo a concorrência.  “O lote será único, mesmo o objeto sendo divisível, ou seja, apenas aquelas empresas que possuírem todos os serviços do objeto poderão concorrer, o que limita outras empresas que poderiam executar serviços, o que afronta a competitividade do certame. […] Frustrar o caráter competitivo é crime na lei de licitação e também é destoante dos princípios da isonomia e impessoalidade”, diz a ação.

O deputado afirmou que, na prática, esse pregão é também um caminho para privatizar os Centros de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica (Cefapro), substituindo a formação que hoje é ofertada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Todos os 246 professores que atuam nessas unidades já foram comunicados que não atuarão mais na qualificação dos professores e que devem procurar uma escola para trabalharem.

“Com essa licitação, o governador quer abrir a porteira para privatizações na educação pública em Mato Grosso. Ele começou pela formação dos professores e pelo fornecimento do material didático”, afirmou Lúdio. 

 

 

 

*FONTE: ALMT

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