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JUACY DA SILVA

A urgência da crise ambiental

Publicado

Em dezembro de 1983, o Secretário Geral da ONU encarregou Gro Harlem Brundtland de organizar e presidir uma Comissão de Alto Nível para atender ao que havia sido aprovado pela, então, última Assembleia Geral da ONU, para propor “Uma agenda global para a mudança” do mundo.

Dentre as diretrizes daquela decisão podemos inferir os objetivos que iriam nortear, por 900 dias, os trabalhos da Comissão, incluindo: a) propor estratégias ambientais de longo prazo, para obter um desenvolvimento sustentável, por volta do ano 2000, início de um novo milênio; b) recomendar medidas para que as, então, já crescentes preocupações com a degradação ambiental, pudessem se traduzir em cooperação entre países em estágios diferentes de desenvolvimento econômico e social; c) despertar a consciência da população e dos governantes quanto `a gravidade da degradação ambiental e urgência em combate-la de verdade; d) considerar e definir mecanismos mais eficientes e eficazes para lidar com as questões ambientais.

Em outubro de 1984 a Comissão se reuniu pela primeira vez e em abril de 1987 apresentou seu relatório, intitulado “NOSSO FUTURO COMUM”, cujos resultados e propostas representam um marco histórico na luta ambiental ao redor do mundo, antecedendo em cinco anos `a realização da ECO-92, no Rio de Janeiro, quando a questão ambiental aflorou com toda a sua gravidade.

Conforme descrito na apresentação do Relatório, em diversas línguas, “uma das ideias centrais do Nosso Futuro Comum afirma e comprova que um desenvolvimento econômico ideal torna imperiosa a conservação dos meios naturais” (biodiversidade do planeta). Sem mecanismos e medidas que assegurem a conquista deste macro objetivo, a humanidade colocará em risco a sua própria sobrevivência.

No corpo do citado Relatório foram apresentadas diversas advertências que, passados 33 anos ainda permanecem de uma atualidade gritante, só não vê quem não ou não deseja ver. Dentre tais advertências destacamos a realidade observada e constatada naquela época quando afirma que a cada ano, mais de seis milhões de hectares de terras produtivas se transformam em desertos inúteis.

Neste particular, a ONU acabou de declarar o período de 2021 até 2030, como a DÉCADA DA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS, tendo como objetivos a recuperação de nada menos que 350 milhões de hectares de áreas degradadas ao redor do mundo, inclusive algumas no Brasil e que pode gerar US$ 9 trilhões em serviços ecossistêmicos e remover de 13 a 26 gigatons adicionais de gases do efeito estufa da atmosfera.

Outra forma de degradação ambiental constatada então e que ao longo dessas três décadas aumentou e se tornou mais grave é a questão do desmatamento, principalmente das florestas tropicais, onde a Pan Amazônia já era percebida não apenas como o “pulmão” do mundo, mas o papel que as florestas desempenham no regime de chuvas no mundo todo.

Dizia o relatório, “anualmente são destruídos mais de 11 milhões de hectares de florestas”, atualmente só na Amazônia brasileira entre 1988 e 2019 já foram desmatados 421.904 km2 ou seja, 42,2 milhões de ha.

Se considerarmos o desmatamento na Amazônia sob a soberania dos demais países, podemos afirmar sem sombra de dúvida que o tamanho da área desmata na Pan Amazônia deve ultrapassar de 70 milhões de hectares.

O desmatamento, no caso do Brasil, por exemplo, tem sido feito também no Cerrado, na Caatinga, do Pantanal e na Mata Atlântico, onde a destruição de todos os ecossistemas ocorre em ritmo acelerado, principalmente na região denominada de MATOPIBA – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, outra área onde ocorre a expansão da fronteira agrícola de forma extremamente acelerada, deixando suas pegadas ecológicas.

De forma semelhante, se considerarmos que também em diversos países da África, Oceania e Ásia o desmatamento ocorre de forma acelerada, com certeza estamos diante de uma devastação e desmatamento sem precedentes na história da humanidade.

O desmatamento e as queimadas contribuem sobremaneira para a emissão de gases que provocam o efeito estufa, contribuindo para o aumento das mudanças climáticas, cujos efeitos deletérios já estão sendo sentidos em todos os países, inclusive no Brasil, apesar do ceticismo e omissão de diversos governantes, cuja visão distorcida quanto `as ameaças e gravidade da degradação ambiental, revelam o descaso em relação `a questão ambiental.

Tais governantes ignoram inclusive diversos alertas emitidos por estudiosos das questões ambientais e por milhares de cientistas que demonstram que o ritmo de degradação ambiental e das mudanças climáticas exigem esforços conjuntos de todos os países, conforme estabelecidos no tratado de Kyoto, na Agenda 21, nos Objetivos para o desenvolvimento sustentável, no Acordo de Paris e em todas as conferências da ONU sobre o clima.

Além da degradação dos solos, da desertificação e do desmatamento acelerado das florestas tropicais, outras aspectos também devem ser encarados com seriedade e urgência.  Dentre esses destacamos: a questão da precariedade do saneamento básico que polui todos os cursos d’água; a produção de resíduos sólidos (lixo) de uma forma crescente, principalmente do lixo plástico; a poluição do ar principalmente pela emissão de gases tóxicos das fábricas, da exploração agropecuária, da frota de veículos movidos a combustível fóssil (petróleo, gás natural), a existência de uma matriz energética suja e altamente poluente, ainda muito dependente de combustíveis fósseis, inclusive o carvão.

Na questão da produção de resíduos sólidos (lixo), com dados alarmantes, cujo incremento é muito superior tanto `as taxas de crescimento populacional quanto crescimento urbano e a cada dia coloca em risco a sobrevivência do planeta e a saúde das pessoas e da fauna marinha e da água doce (oceanos, rios, lagos, manguezais, baias).

Por ano morrem no mundo mais de 7 milhões de pessoas com doenças respiratórias, causadas pela poluição do ar, além de milhões por doenças de massa, decorrentes da falta de condições de moradia, sujeitas `as doenças relacionados com esgotos escorrendo a céu aberto e destino inadequado do lixo.

Com exceção de alguns poucos, a grande maioria dos países não atingem sequer 10% quando se trata da reciclagem do lixo gerado. Além disso não podemos deixar de mencionar a questão do desperdício em todos os setores: água, alimentos, energia, construção civil, produção agropecuária, transporte e o impacto econômico e ambiental que este desperdício, em torno de um terço de tudo o que é produzido no mundo, inclusive no Brasil, acaba no lixo. Isto significa o uso predatório de recursos naturais, baixa produtividade econômica e a geração de um passivo ambiental, praticamente impagável, deixando para as futuras gerações um planeta doente, cujos custos de reparação recairão sobre os ombros das gerações que irão nos suceder.

Da mesma forma que estamos pagando na atualidade os custos de um desenvolvimento predatório, imediatista de nossos antepassados que nunca tiveram uma visão de futuro, a nossa geração, principalmente nossos atuais governantes parece que só pensam no lucro imediato e no seu próprio bem estar e acumulação de renda e riqueza.

É por isso que o Papa Francisco estará se reunindo com jovens e estudiosos das questões econômicas, sociais, ambientais, culturais e sociais para discutir o que ele denomina de A NOVA ECONOMIA ou a ECONOMIA DE FRANCISCO.

A principal tônica em suas exortações se alinham no que tem denominado do paradigma da ECOLOGIA INTEGRAL e que este novo Sistema econômico, a Nova Economia, precisa estar embasado/embasada em alguns pilares como: respeito e parcimônia no uso dos recursos naturais; empregabilidade e salários justos, única forma de reduzir a pobreza e a desigualdade social e econômica; um maior equilíbrio entre as nações evitando todas as formas de hegemonia e exploração dos países mais pobres, subdesenvolvidos ou de baixa renda.

Enfim, diante de tantas e claras evidências da degradação ambiental que estão em curso no mundo, não podemos perder tempo em seu enfrentamento, afinal, a crise ambiental exige urgência e comprometimento de todos os países e, internamente em cada país, de todos os segmentos sociais, econômicos, religiosos, políticos e culturais.

Este pode ser considerado o nosso maior desafios na atualidade. Pense, reflita e veja o que você pode fazer para salvar o planeta e melhorar a qualidade de vida em sua localidade, seu município, seu Estado e nosso pais. O desafios é de todos e todas!

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia, colaborador de alguns veículos de comunicação. E-mail [email protected] [email protected] Blog www.professorjuacy.blogspot.com

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JUACY DA SILVA

Pobreza e miséria, vergonha mundial

Publicado

As desigualdades sociais, econômicas e politicas representam realidades que estão presentes em todos os países, em alguns mais e em outros menos. Apesar dos esforços da ONU e de diversos organismos internacionais e os “empenhos” de alguns governos nacionais, a questão da pobreza, da fome, da miséria e das injustiças sociais permanecem e até se agravam em alguns países e não deixam de ser uma vergonha mundial.

Em seu relatório sobre a situação da pobreza no mundo, em 2018, o Banco Mundial destacava que “apesar dos avanços econômicos no mundo indicam que, embora menos pessoas vivam em situação de pobreza extrema, quase metade da população mundial — 3,4 bilhões de pessoas — ainda luta para satisfazer suas necessidades básicas”.

O mesmo relatório destaca também que “Mais de 1,9 bilhão de pessoas, ou 26,2% da população mundial, viviam com menos de 3,20 dólares por dia em 2015. Cerca de 46% da população mundial viviam com menos de 5,50 dólares por dia”.

Enquanto o número de bilionários no mundo cresce a cada ano, chegando ao ponto de no máximo dez desses bilionários, acumularem renda, riqueza e patrimônio superior a mais de 3 bilhões de pessoas, parece que este fosso social não incomoda tanto governantes, os quais também pertencem `as classes dominantes e mais abastadas em todos os países.

Em reportagem de janeiro de 2019, o Jornal The Guardian, de Londres, destacava que os 10 maiores bilionários do mundo acumulavam em renda, riqueza, fortuna e patrimônio, em 2010 a importancia de 296,8 bilhões de dolares e em 2018 atingiram 822,5 bilhões de dolares, ou seja, um aumento de 177,1%.

Neste mesmo periodo o valor total da fortuna, renda, riqueza e patrimonio mundial passou de 200,0 trilhões de dólares, em 2010, para 360,6 trilhões em 2018, um aumento de 80%.

O PIB mundial no mesmo periodo passou de 66,0 trilhões de dolares para 87,3 trilhões em 2018, crescimento de 32,3%. Esses dados demonstram que a acumulação de capital, renda, riqueza, patrimônio e fortuna nas mãos de uma minoria ínfima da população mundial está acontecendo de uma forma super rápida, aumentando o fosso entre bilionários e o restante da população.

A mesma matéria demonstra, por exemplo, que os 26 bilionários mais ricos do planeta, tem renda, riqueza, patrimônio e fortuna igual ou pouco mais do que 50% da população mundial (3,8 bilhões de pessoas).

O maior bilionário em 2018, Jeff Bezos, fundador e dono da Amazon, tem patrimônio, renda e fortuna maior do que o PIB de diversos países, como por exemplo, Bolivia, Paraguai, Equador, Uruguai, Guatemala, Angola ou até mesmo a Etiópia, que naquele ano tinha uma população de 105,0 milhões de habitantes.

No Brasil a situação não é diferente, depois de constatar a queda nos índices de pobreza e miséria no país a partir do inicio dos anos 2000; com o baixo desempenho da economia, a estagnação e recessão verificadas em anos seguintes, tendo como consequência o aumento vertiginoso das taxas de desemprego, o Brasil está novamente diante da escalada/aumento dos índices de pobreza, de miséria, de trabalho informal e de insegurança alimentar e social.

Tomando o valor que define a linha de pobreza, convertendo-se US$5,50 dólares pelo câmbio atual no Brasil podemos definir esta linha como sendo de quem ganha no máximo apenas R$25,00 reais por dia ou R$625,00 por mes, o que representa 59,9% do salário minimo atual (fevereiro de 2020).

De acordo com dados oficiais do Governo Federal e veiculados pela imprensa em Outubro de 2019 “a  Renda média de mais da metade dos brasileiros é inferior a um salário minimo assim demonstra pesquisa do IBGE ao  mostrar que 54 milhões de brasileiros receberam, em média, R$ 928 mensais em 2018”. Este contingente pode ser bem maior se somarmos ao mesmo os desempregados.

Segundo o IBGE, entre 2016 e 2017, a pobreza no  Brasil passou de 25,7% para 26,5% da população. O número dos extremamente pobres, aqueles que vivem com menos de R$ 140 mensais, saltou, no período, de 6,6% para 7,4% dos brasileiros.

De acordo com matéria veiculado no Jornal El Pais, de Madrid, em novembro de 2019 “A extrema pobreza subiu no Brasil e já soma 13,5 milhões de pessoas sobrevivendo com até 145 reais mensais. O número de miseráveis vem crescendo desde 2015, invertendo a curva descendente da miséria dos anos anteriores. De 2014 para cá 4,5 milhões de pessoas caíram para a extrema pobreza, passando a viver em condições miseráveis. O contingente é recorde em sete anos da série histórica do IBGE”.

Em recente publicação do IPEA, do ano passado (2019), tendo como organizador Roberto Rocha C. Pires e textos de diversos analistas daquele Instituto em colaboração com a CEPAL e outros setores da ONU, a publicação intitulada “Implementando Desigualdades: Reprodução de Desigualdades na Implementação de Políticas Públicas”, com 736 páginas, demonstra de forma clara e cabal que as politicas públicas, ou seja, a forma como o governo brasileiro define e implementa as diversas politicas públicas tem contribuido para a perpetuação de elevados niveis de pobreza, de miséria e de fome de um lado e de acumulação de capital em poucas mão de outro.

Dados da Revista Forbes Brasil, relativos ao crescimento do número de bilionários e milionários em nosso país em 2019, demonstra que a assertiva de que “os ricos estão ficando mais ricos”, enquanto “os pobres estão ficando mais pobres” ou até mesmo miseráveis, podem ser vistos/observados por tais números.

Em 2019 , os 58 maiores bilionários brasileiros acumulavam uma fortuna de cerca de R$ 680 bilhões de reais. E esse montante só cresce. De 2018 para 2019 o rendimento desses bilionários aumentou 1,9%. Enquanto isso, os 30% mais pobres do país, que somavam 60 milhões de pessoas 2019 e ja são 63,3 milhões em 2020, perderam cerca de 3,2% do seu rendimento médio anual e no mesmo periodo a parcela dos que integram o grupo de 1% do topo da pirâmide social e econômica, 1% mais ricos, por outro lado, tiverem ganhos de 8,4%  no patrimônio, fortuna e no rendimento médio em 2019, quando comparado com 2018. Se levarmos em conta os últimos dez anos, o crescimento deste fosso social é muito maior.

Se esta tendência for observada pelos próximos quatro, cinco ou dez anos, com certeza em 2030 o Brasil estará muito distante de atingir alguns  dos Objetivo do Desenvolvimento Sustentável, tais como: erradicação da pobreza; fome zero; redução das desigualdades; igualdade de genero e paz, justica e instituicoes fortes.

Para entendermos melhor como as ações dos diferentes governos contribuem para a geração e perpetuação da pobreza, da miséria e das desigualdades regionais, sociais e setoriais, basta analisarmos os orçamentos públicos da União, dos Estados e Municípios.

“O valor total do Orçamento Geral da União para o ano de 2020 é de R$ 3,8 trilhões. Destes, R$ 1,9 trilhão refere-se à amortizações, juros, refinanciamentos e encargos financeiros da dívida pública. Isso correspondeu a 50,7 % do total do Orçamento de 2020, maior volume já gasto na história do país em manutenção anual da dívida publica”. Fonte: Agência Senado

Comparando o que o Governo Federal gasta , por exemplo , com pagamento de juros, encargos e rolagem da divida pública federal, que representa algo em torno de 43% em alguns anos, chegando até a 52% em outros do valor total do Orçamento Geral da União, somados com os valores das renúncias fiscais, subsidios ao crédito agrícola e outros setores econômicos, conivência com os grandes sonegados, o que é destinado para o que é considerado o maior programa de transferência de renda no Brasil e na América Latina, que é o Bolsa Família, este montante é praticamente migalhas, em torno de 2,3%  do que o Governo Federal transfere aos mais ricos ou deixa de arrecadar dos grandes grupos econômicos.

De acordo com o OGU – Orçamento Geral da União para 2020, aprovado pelo Congresso, elaborado já pela gestão Bolsonaro, o gasto do Governo Federal com pagamento de juros, encargos, rolagem e amortização da divida pública federal este valor pula para R$ 1,9 trilhão. O aumento é de 32% em relacao ao que foi gasto em 2019.

Outra forma de contribuir para a acumulação de capital nos grandes grupos econômicos é através das renúncias fiscais, ou seja, o governo abre mão de arrecadar tributos de quem faz parte da elite econômica e financeira. O governo federal vai abrir mão de R$ 331,18 bilhões de arrecadação em 2020 por conta de renúncias tributárias. O valor – equivalente a 4,35% do Produto Interno Bruto (PIB). Por essa estimativa, as renúncias vão subir 8,09% em relação ao gasto tributário de 2019.

Na implementação de politicas públicas que favorecem os donos do capital em detrimento da população em geral e da população pobre e miserável, o governo federal estima que concederá em 2020 a importancia de R$ 376,198 bilhões em incentivos fiscais, valor equivalente a 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Só os benefícios fiscais somam mais recursos que a soma dos orçamentos das áreas de educação, saúde ,segurança publica e meio ambiente.

Enquanto isso, para os programas sociais, incluindo o Bolsa Família, o seguro desemprego e o mais médicos o valor a ser gasto em 2020 será de R$104,6 bilhões, Este valor representa apenas 2,75% do OGU e 5,5% dos gastos do Governo Federal com a divida pública federal.

Por exemplo, o lucro do setor financeiros (bancos) em 2019 foi superior a R$85 bilhões de reais , sendo que os bancos são os maiores credores da divida pública brasileira, ou seja, lucram `as custas do Tesouro Nacional, vale dizer, do que os contribuintes pagam na forma de taxas, impostos e contribuições obrigatórias.

Enquanto o Ministro da Economia chama servidores públicos de parasitas e joga a culpa pela flutuação cambial e o “aumento” do dólar nos ombros das empregadas domésticas por fazerem parte do que ele falou como sendo “a farra de turistas brasileiros em viagens a “Disney”, nada é dito sobre os especuladores cambiais e financeiros, sobre as renúncias fiscais, sobre as anistias e vistas grossas diante dos grandes sonegadores.

Existe uma relação umbilical entre concentração de renda, riqueza, patrimônio e fortuna de um lado, onde estão os poderosos, os donos do poder e miséria, pobreza, fome, violência, guerras e destruição de diversos países de outro lado.

Sempre é bom a gente refletir com mais profundidade sobre essas questões estruturais e coloca-las em um quadro de referência das politicas de governo, jamais nos esquecendo de que as instituições governamentais , as politicas públicas e os governantes estão muito mais a serviço dos poderosos, dos donos do poder e de seus interesses econômicos e financeiros, do que ao lado dos pobres, dos trabalhadores, dos desempregados, dos que estão marginalizados e excluidos social, politica, econômica e existencialmente.

O grande paradoxo do sistema politico e eleitoral do Brasil pode ver visto no fato de que os pobres continuam votando nos ricos e esses quando chegam aos parlamentos ou ocupam cargos nos demais poderes, Executivo e Judiciário, não titubeiam em governar para as camadas melhor aquinhoadas da sociedade, que são seus iguais e que se assentam `as mesmas mesas e convivem nos mesmos espaços sociais e institucionais.

Por exemplo alguém pode imaginar que um banqueiro quando está ocupando cargo nas estruturas do poder vai defender os interesses dos bancários ou clientes dos bancos? Ou que latifundiário, usineiro e barões do agronegócio vão defender os interesses dos trabalhadores rurais e dos consumidores ou do meio ambiente? Que proprietários de escolas e hospitais quando são eleitos ou nomeados para altos cargos executivos vão lutar e defender a saúde publica e o pleno funcionamento do SUS, ou dos alunos e trabalhadores na educação?

Ou que madereiros ilegais, grileiros e mineradoras estejam interessados em proteger as florestas, conservar a biodiversidade e não degradar o meio ambiente e respeitar a legislação em vigor ou os direitos dos povos que habitam nessas regiões?

Aqui vale a máxima, quando perguntamos: será que o vampiro vai cuidar bem do banco de sangue ou a raposa vai cuidar bem das galinhas?

A seguir transcrevo pensamentos de algumas pessoas que falaram ou escreveram algumas idéias sobre essas questões. Vale a pena serem lidos e refletidas, sempre levando em consideração tanto a situação existente no mundo como um todo, mas também em relação ao nosso país, nossos estados e nossas cidades e municipios.

“O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que algumas pessoas (na verdade a grande maioria em todos os países) nascem pobres e outras ricas e que os pobres devem atribuir `a sua pobreza `a vontade de Deus, de alguma divindade ou ao destino. No entanto, a pobreza, a miséria, a fome e as injustiças são situações criadas social, politica e economicamente e decorrem das estruturas politicas, econômicas e sociais injustas, buriladas sempre pelos donos do poder”. Dom Helder Câmara.

“O desenvolvimento sustentável é fundamental para combater e eliminar a pobreza, a fome e exclusão social e, ao mesmo tempo, conseguirmos melhorar nossos indicadores sociais e econômicos e promover o crescimento econômico dos países”. Tony Blair, perante o Parlamento Britânico.

“Eles conseguem dinheiro para as guerras, para fabricar sistemas de armas mortíferas que dizimam populações inteiras, que ja mataram centenas de milhões de pessoas inocentes, crianças e idosos ao redor do mundo, mas não conseguem recursos suficientes para acabar com a pobreza. Resumindo, os poderosos sabem fazer as guerras e ignoram que bilhões de seres humanos vivem na extrema pobreza, na miséria e continuam passando fome. Para os donos do mundo e do poder é mais facil e mais lucrativo para seus negócios fazerem as guerras do que promoverem a paz e a justiça”.Tupac Shakur

“Cada dia a natureza produz o suficiente para suprir nossas carências e necessidades. Se cada pessoa tomasse apenas o que lhe é necessário, não haveria desperdício, não haveria degradação ambiental,  nem pobreza, nem miséria e ninguém morreria de fome”. Mahatma Gandhi

“Os ricos não podem mais viver em uma ilha (redoma) rodeados de um mar de pobreza e miséria humana. Nós vivemos em um mesmo planeta e respiramos, todos, o mesmo ar, bebemos a mesma água, que nossos irmaos, nossas irmãs. Devemos dar a cada pessoa, nosso irmão e nossa irmã, uma chance, ao menos uma chance fundamental que é viver com dignidade. Ayrton Senna

“Enquanto continuarmos olhando apenas para a legislação como sendo a única forma de acabar com a pobreza, a violência e os privilegios dos poderosos, veremos a pobreza aumentar,  as injustiças crescerem e os privilegios se ampliarem”. Henry Ford

“As guerras, a violência, a pobreza, a miséria, a fome e as injustiças sociais são o maior atestado do primitivismo, do egoismo, da insensibilidade e da incompetência humana em promover e desenvolver sociedades mais justas e um mundo melhor”. Augusto Branco

“Na cabeca dos ricos, dos privilegiados, dos donos do poder, a pobreza, a fome, a miséria e a exclusão social decorrem de uma lei da natureza e da vontade divina”. Emanuel Wertheimer

Como podemos perceber diversas figuras de relevo nacional e também internacional tem demonstrado algumas pistas e os caminhos que devemos seguir, se realmente desejamos eliminar a pobreza, a fome, a miséria e todas as formas de violência e exclusão que fazem parte de nosso cotidiano.

Para começar, precisamos nos conscientizarmos melhor quando vamos `as urnas para escolher nossos representantes, não devemos votar em corruptos ou quem engana o povo, com falsas promessas; não podemos deixar nas mãos e na vontade apenas dos donos do poder, governantes e grupos dominantes a definição do que fazer e como gastar o dinheiro público.

A definição das politicas públicas comeca na elaboração e aprovação dos orçamentos públicos: Federal, estaduais e municipais. O que não consta dos orçamentos não passa de promessas falsas. Participar dos debates sobre as Leis orçamentários é ou deve ser um direito e dever da cidadania, isto não deve ser deixado apenas para os legisladores e integrantes do Poder Executivo.

Quem sabe realmente as prioridades, interesses e das necessidades do povo é sempre o povo que paga impostos e tem o direito a obras e servicos públicos de qualidade. Não pagamos impostos para que os donos do poder, governantes e seus comparsas se enriqueçam assaltando os cofres públicos, contribuindo para o aumento ou perpetuação da pobreza e da miséria, através do sucateamento dos organismos públicos e dos servicos públicos.

Da mesma forma como atualmente acontece quando da definição dos orçamentos públicos quando legisladores e integrantes do Executivo aprovam dispositivos que favorecem grupos econômicos poderosos, através de renúncia fiscal, subsidios e incentivos fiscais, contribuindo para a acumulação de capital nas maos desses grupos, também o povo deve pressionar para que politicas públicas sociais voltadas para os interesses coletivos sejam aprovadas e jamais sejam sucateadas ou descontinuadas.

Quanto mais a população se omite, permanece alienada e deixa que o destino da coletividade seja definido pelos donos do poder e seus aliados, a situação social da grande maioria da população, os 65% mais pobres da população ou nada menos que 137 milhões de pessoas em nosso país estarão vivendo em processo de exclusão social, política e econômica. Afinal, os donos do poder, “nossos” governantes estão muito mais preocupados com a parcela dos 1% ou 5% dos mais ricos do país, os donos do famigerado “mercado”, apesar de serem eleitos ou reeleitos com os votos dos pobres, inclusive favelados, desempregados, doentes que não conseguem atendimento na saúde pública porque os Governos Federal, Estaduais e municipais continuam sucateando o SUS, ou não conseguem vagas em creches e nem escolas públicas de melhor qualidade para seus filhos.

Por isso é que precisamos entender que participar das discussões dos orçamentos públicos também no acompanhamento e fiscalização dos gastos públicos é um direito e também um dever da população, só assim, teremos certeza de que uma justa parte do “bolo” tributário será destinada aos interesses e necessidades populares e não apenas para manter benefícios que favorecem os poderosos ou migalhas destinadas “aos de baixo”,  que apenas perpetuam o estado de pobreza e miséria que tanto nos envergonha.

Pobreza, miséria, fome, exclusão social, injustiças, trabalho escravo, degradação ambiental e violência, longe de serem apenas dramas humanos são na verdade as grandes questões politicas da atualidade, enquanto não entermos assim, continuaremos apenas com assistencialismos, paternalismo favorecendo os donos do poder e seus eternos aliados!

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia. Colaborador de alguns veiculos de comunicação. Email [email protected] [email protected]

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JUACY DA SILVA

Os cristãos e o meio ambiente

Publicado

Logo no início da Bíblia, no capitulo primeiro de do Livro de Gênesis, versículo primeiro está escrito de forma clara e objetiva:

“No princípio Deus criou os Céus e a terra” e nos seguintes são detalhadas as etapas da criação, incluindo a criação do primeiro homem e da primeira mulher, Adão e Eva.

Diz também a Bíblia, livro considerado sagrado para todos os cristãos, católicos e evangélicos, que este primeiro casal foi colocado no Jardim do Éden e que tudo era perfeito, ou seja, havia um equilíbrio entre todas as obras criadas por Deus.

No Livro dos Salmos, capitulo 24, versículos 1 e 2, podemos ler outra assertiva a respeito das obras de criação de Deus, que é dito:

“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem; pois foi Ele (Deus, o Senhor) que a fundou (criou a terra) sobre os mares e as águas”.

Esta mesma ideia é novamente repetida na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, capitulo 10:26 quando diz:

“Porque do Senhor é a terra e toda a sua plenitude”, ou seja, todas as formas de vida animal e vegetal, enfim, os ecossistemas e toda a biodiversidade.

Podemos notar ainda esta preocupação em reforçar o princípio divino relacionado com o meio ambiente no Livro dos Atos dos Apóstolos 17:24 quando diz;

“O Deus que criou o universo e tudo o que nele existe é o Senhor dos céus e da terra”.

Há praticamente cinco anos quando do lançamento da Encíclica Laudato Si, a chamada Encíclica Verde, o Papa Francisco tem insistido para a responsabilidade dos cristãos e também não cristãos no que concerne a preservação, conservação, enfim, nos cuidados que devemos ter em relação a Casa Comum, a mãe terra, o Planeta em que vivemos.

Esta responsabilidade é muito maior para os cristãos tendo em vista que os mesmos tem o dever de colocar em prática os cuidados para evitar a degradação ambiental, evitar e combater os crimes ambientais, pois quem destrói o meio ambiente, que contribui para o aumento da poluição, que provoca as mudanças climáticas está atentando contra as obras da criação de Deus e isto não deixa de ser um pecado, o chamada “pecado ecológico”.

Este aspecto tem sido muito discutido pelo Papa Francisco e o mesmo, tanto antes quanto durante e agora após o Sínodo dos Bispos para a Pan Amazônia, vem exortando para o que tem denominado de “pecado ecológico”, “conversão ecológica” e tem dito que esses dois conceitos podem, em breve fazer parte da catequese, podendo mudar inclusive parte da doutrina da igreja.

Se formos mais a fundo neste tema, vamos encontrar estudos e debates bíblicos e teológicos entre diversas igrejas evangélicas e até mesmo entre os muçulmanos, com exortações do Profeta Maomé, sobre a importância de se respeitar o meio ambiente.

Os cristãos representavam em 2015 em torno de 31,2% da população mundial, contando com 2,3 bilhões de habitantes, com expressiva maioria tanto na Europa quanto nas Américas; seguidos dos muçulmanos com 1,8 bilhões (24,1%); vindo depois os hindus com 1,1 bilhão de pessoas ou 15,1% da população mundial.

Em decorrência desses números percebemos que os cristãos também foram os maiores poluidores do planeta por séculos, pois a revolução industrial, o surgimento e desenvolvimento do capitalismo teve como base a Europa, a América do Norte e também parte na América Latina.

Outro país que também promoveu a revolução industrial e o capitalismo, fora da órbita do cristianismo foi o Japão e só tardiamente, a partir de meados do século passado é que a China e a Índia passaram a ter uma economia pujante e em crescimento acelerado, países de minorias cristã.

Os 20 países que mais poluem o planeta, principalmente quando se refere `a emissão de gases de efeito estufa, oriundos dos setores industriais, residências, sistema de transporte e desmatamento, são responsáveis por mais de 82% do total da poluição mundial e que estão provocando as mudanças climáticas que tantos males vem causando e causarão `a vida na terra.

Desses 20 países, 13 tem a grande maioria de sua população que se define como cristãos, ou seja, são e estão conscientes de que seu estilo de vida e suas ações estão destruindo as obras da criação divina e não estão respeitando os princípios bíblicos,

Isto se deve, talvez pela contradição profunda que existe entre uma fé de fachada, alienadora e por práticas definidas pelo materialismo, pelo consumismo, pelo desperdício dos recursos naturais, pela ganância em associação com a busca do lucro econômico e financeiro, o que pode ser chamada de “deus dinheiro”, pouco se importando com o passivo ambiental e com a precarização das condições de vida de seus semelhantes, principalmente as camadas mais excluídas da sociedade que, com certeza, também c são filhos e filhas de Deus, segundo a fé cristã.

É neste contexto que devemos entender as exortações e reflexões do Papa Francisco, líder do maior grupo religioso entre os cristãos, que são os católicos nada menos do que 1,3 bilhões de fiéis mundo afora, a quem, tais exortações devem ser analisadas para perceber a responsabilidade que tanto cristãos em geral quanto católicos em particular precisam assumir no combate `a degradação ambiental.

Este combate deve ser feito em cada localidade, em cada paroquia, comunidade, em cada igreja, templo, escola de confissão católica ou evangélica, através de projetos e ações concretas, arregimentando desde crianças, adolescentes, jovens , população adulta e também idosos, ou seja, se os cristãos se irmanassem em um verdadeiro mutirão permanente na defesa do meio ambiente, com a visão do que o Papa Francisco denomina da Ecologia Integral, com certeza podemos mudar o mundo, restaurar, se não o Jardim do Éden, como descrito em Gênesis, mas pelo menos em localidades mais aprazíveis e menos poluídas para vivermos.

No Brasil, por exemplo, existem mais de 11 mil paroquias e mais de 120 mil comunidades paroquiais, da Igreja Católica e mais de 50 mil templos evangélicos, todas essas localidades congregam centenas e as vezes milhares de pessoas, quase que diariamente.

Ora, se os cristãos devotassem um pouco mais de atenção e ações articuladas, independente de filiação a esta ou aquela igreja, com certeza, seriam milhões de pessoas em condições de atuarem efetivamente na defesa do meio ambiente, desde projetos de educação ambiental, reciclagem de lixo, arborização, reflorestamento, agricultura familiar, agricultura urbana, hortas domésticas, comunitárias, escolares, limpeza, etc. além de uma maior participação no que concerne à definição de políticas públicas, planos e programas ambientais em todos os níveis.

Finalizando, apenas um lembrete e sugestão para a leitura da passagem contida no Livro de Apocalípse 11:18, onde é descrito que é chegado “o tempo de destruíres os que destroem a terra”, esta será a penalidade para quem não respeita as obras da crianção divina, aqueles que destroem impiedosamente o meio ambiente. É neste sentido que para o Papa Francisco quem destrói a natureza, o meio ambiente e não respeita a criação de Deus está cometendo um pecado.

Vamos refletir um pouco mais neste binômio: fé e meio ambiente; qual o papel dos cristãos nos cuidados com a natureza/meio ambiente e a nossa responsabilidade ética, como cristãos , em relação `as futuras gerações?

Esses temas deveriam fazer parte dos sermões, das homilias, das ações pastorais, dos debates teológicos da Igreja Católica e também das Igrejas Evangélicas.

Concluindo, gostaria de deixar uma exortação contida também na Bíblia Sagrada, no Livro de Tiago 2:17 onde é dito de forma clara:

“Assim também, a fé, se não tiver as obras, é, em si mesma morta”. Não basta discursos, debates, estudos sobre a destruição do meio ambiente, orações pedindo a Deus para fazer chover ou parar de chover, precisamos agir, enquanto o grande desastre ambiental não chegue e possa representa em sentido figurado, o que no Livro do Apocalipse é definido como o “Armagedom”, e também a restauração do que é denominado de “um novo céu e uma nova terra”.

Diversos cientistas através de seus estudos estão nos alertando, bem como governantes de todos os países, sobre a iminência, os riscos e consequenciais do que tem sido considerado “o dia seguinte”, ou seja, as catástrofes naturais, provocadas pelas ações humanas, longe de serem um castigo divino, decorrem das ações humanas que continuam destruindo o meio ambiente e colocando em risco o equilíbrio dos ecossistemas.

Todos temos responsabilidades diante dessas ameaças, principalmente os cristãos que professam uma fé que atesta que o planeta terra e, enfim, todo o universo são obras divinas e foram criadas por Deus. Mas parece que existe um grande fosso entre esta fé e as ações e omissões desses que se dizem cristãos.

Pense nisso caro leitor, reflita sobre este tema de forma mais profunda, com uma mentalidade crítica e criadora. Não se omita ante a destruição do meio ambiente e do planeta terra. Aqui é a nossa “casa comum”, onde vivemos! A omissão também é um pecado!

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia, colaborador de diversos veiculos de comunicação. Email [email protected],br [email protected] Blog www.professorjuacy.blogspot.com

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JUACY DA SILVA

As dores da alma

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A vida é, na verdade, uma corrida de obstáculos, onde dia, após dia enfrentamos desafios de toda ordem. Muita gente vive na pobreza material e luta desesperadamente pela sobrevivência fisica, muitas pessoas correm atraz de um prato de comida, `as vezes luta contra ratos, urubus e outros animais para disputar o que outras pessoas desperdiçaram e jogaram no lixo.

Bilhões no mundo e milhões no Brasil correm em busca de uma oportunidade de trabalho, do que costumamos dizer do “ganha pão”, outras tantos lutam contra doenças insidiosas, crônicas e progressivas, ante o descaso dos governantes e dos sistemas de saúde que estão totalmente sucateados como em nosso país.

Existem também pessoas, cujos salários acabam antes do final do mês ou até mesmo nem salário tem e não sabem como irão ou conseguirão pagar suas despesas, escolas ou universidade dos filhos, das filhas; existem também aquelas pessoas cujos laços familiares foram destruidos, pela violência familiar, pelo esfriamento do amor entre casais, pelas traições que acabam deixando filhos/filhas sem pais ou mães.

Existem ainda pessoas que sofrem de problemas existenciais e, as vezes, descortinam uma pequena porta, de início, como possibilidade de curarem seus dramas existenciais, neste caso acabam se enveredando pelo caminho dos diversos vícios como tabagismo, alcoolismo, tantas drogas ilícitas, jogos de azar e assim por diante.

Existem ainda milhões de pessoas que, ao envelhecerem, além do abandono material e familiar, acabam perdendo a memória, as lembranças do passado e aos poucos o mundo interior e exterior dessas pessoas desaparecem e seus olhares se perdem no horizonte sem sentido.

Existem também bilhões de pessoas pelo mundo afora que acabam entrando para as estatísticas dos comedores compulsivos, ou comedoras compulsivas, que assaltam as geladeiras, da mesma forma que politicos, empresários e gestores corruptos assaltam os cofres públicos. As estatísticas da Organização Mundial da saúde bem atestam a gravidade dos problemas da obesidade e do sobre peso, que atingem inclusive quase um terço da população infantil e de jovens.

Existem também milhões de pessoas que sofrem do que podemos denominar de doenças e dores da alma, como depressão, ansiedade, decepção, raiva, tristeza, doenças e obstáculos muito piores do que as mazelas econômicas, financeiras ou materiais. Muitas dessas pessoas não tem condições de se tratarem e acabam definhando, levando boa parte ao suicidio, a pior forma de violência que pode existir.

O mundo, os países, nossas cidades, nossas comunidades, nossos lares só estarão livres desses obstáculos na caminhada das pessoas quando nos tornarmos mais humanos, mais verdadeiros, mais justos, mais amigos/amigas, mais solidários, mais fraternos, e, acima de tudo, cumprirmos, de fato, o grande mandamento que Jesus nos ensinou que é “ amar a Deus sobre todas as coisas e nosso próximo como a nós mesmos”.

Quem não ama as pessoas com as quais mantém laços e relações de qualquer natureza, seja de trabalho, amizade, vizinhança, convivêcia, casamento, namoro ou outras não pode dizer que ama verdadeiramente a Deus. Os textos sagrados atestam quando afirmam “se voce não consegue amar e tratar bem, respeitar a dignidade do próximo que está ao seu lado, fisica ou nos tempos modernos, virtualmente, a quem ve, ouve, fala; como vai amar a Deus a quem não vê com seus olhos fisicos?”.

Existe um pensamento de autor desconhecido que diz “Pense nas atitudes antes de tomá-las, porque pedir perdão é lindo, mas evitar machucar quem te ama é mais lindo ainda. Voce não tem que perder para dar valor `as pessoas que voce ofendeu, tem que dar valor antes de ofender, de magoar, de pisar, para não perde-las jamais”.

Só vamos conseguir mudar o mundo, sarar as mazelas que nos cercam quando conseguirmos nos purificar e curar nossas feridas interiores, as feridas da alma. Ai sim, podemos iniciar a construção de um mundo melhor, uma sociedade justa, sustentável, desenvolvida, que podemos denominar de a sociedade do bem viver, onde todos podem viver em paz, com a verdadeira alegria e não a alegria e sorrisos falsos, de conviniência, que tentam enganar tanto `as demais pessoas como `as vezes a sim mesma ou mesmo!

Se você, caro leitor, prezado leitora não pode ajudar outras pessoas a curarem suas dores interiores, o que chamo de dores da alma, evite, pelo menos de fazer as outras pessoas sofrerem mais ainda, não construa mais obstáculos na caminhada dessas pessoas, se assim fizeres já será um grande passo para consolar os que sofrem interiormente. Isto não é dificil, basta trocar a falsidade pela verdade, a omissão pela solidariedade verdadeira e libertadora; o materialismo e a ganância pela fraternidade, não custa muito, vale a pena tentar, a partir de hoje!

JUACY DA SILVA, é professor universitario e mestre em sociologia.

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